segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tulipa Ruiz Anuncia Segundo Disco.

Sucessor do aclamado álbum "Efêmera", que foi lançado em 2010, "Tudo Tanto" é o nome do segundo álbum de Tulipa Ruiz, cantora conhecida e elogiada na cena indie brasileira, mas que já vem ganhando certa notoriedade. O disco foi produzido por Gustavo Ruiz e deve ser lançado já no início do segundo semestre de 2012, de forma independente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Resenha de Disco: Rosa Passos Homenageia Elizeth Cardoso em Grande Estilo.

Rosa Passos sempre foi conhecida pelo seu canto preciso, correto e por fina escolha de repertório, que é pontuada desde o início da sua carreira. Também é conhecida e respeitada nos Estados Unidos e inúmeros países desde que, em 1996, foi convidada para participar de uma noite dedicada à música brasileira no Jazz at the Bowl, na Califórnia. O disco "Me and My Heart" foi primeiramente lançado no mercado americano em 2002 e somente anos depois chegou ao Brasil. Tendo a incrível Elis Regina como inspiração, pode-se dizer que a carreira de Rosa Passos é marcada por inúmeros acertos. O último deles atende pelo nome de "É Luxo Só", belíssimo disco, distribuído pela Biscoito Fino, em que a cantora faz uma homenagem a Elizeth Cardoso, garimpando músicas que geralmente não são associadas a ela para compor o repertório. As músicas escolhidas se tornaram mais famosas nas vozes de outras pessoas do que na da própria Elizeth. São abordados temas como "Último Desejo" e "Três Apitos", composições de Noel Rosa, bem como o clássico "As Rosas Não Falam" do mestre Cartola. É também do sambista a música "Acontece", na qual Rosa regravou com maestria. Outro grande destaque do álbum é "Diz Que Fui Por Aí", música de Zé Keti e Hortencio Rocha. A canção que dá nome ao disco, composição de Ary Barroso e Luiz Peixoto, beira a perfeição. O álbum foi aclamado pelo crítica especializada e concorre ao 23° Prêmio da Música Brasileira 2012, nas categorias Melhor Álbum de MPB e Melhor Cantora de MPB. Assim como o seu trabalho, Rosa é luxo só.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Resenha de Disco: Último Trabalho de Jussara Silveira Foi, Infelizmente, Esquecido Pela Mídia.

Dona de um dos melhores discos de 2011, Jussara Silveira, assim como o seu último trabalho, foram esquecidos pela mídia. "Ame ou Se Mande" é o grande álbum de estúdio inspirado no show que a cantora realiza desde fevereiro de 2011. Embora o disco beire a perfeição, pouco se ouviu ou se falou dele, salvo alguns críticos de ouvidos apurados que o aclamaram da maneira que ele merecia. Lançado pela gravadora Jóia Moderna, "Ame ou Se Mande" é disco simples, que ressalta a voz clara e elegante de Jussara através de regravações escolhidas a dedo. Juntamente com os músicos Sacha Amback e Macelo Costa, Jussara deu vida a um repertório coeso, poético e deliciosamente sensível. Prova disso é que finalmente "Marcianita", famosa canção presente em seus shows, ganhou registro de estúdio. "A Voz do Coração" é a belíssima música de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos que abre o disco, seguida por "Ifá", de Cézar Mendes e Capinan, uma canção de oração e fé com referências baianas. Estão presentes no disco também "Dê Um Rolê" de Moraes Moreira e Luiz Galvão e "Tenho Dó das Estrelas" de Zé Miguel Wisnik. Destaque absoluto do disco, "Contato Imediato" do trio Tribalista (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown), ficou perfeita na voz de Jussara, de uma forma suave e tocante. Perfeito seria se cada brasileiro percebesse a beleza de "Ame ou Se Mande" e do incrível talento dessa cantora pouco conhecida. Ninguém poderá calar a voz do coração de Jussara Silveira. E os bons ouvidos agradecem.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Prêmio da Música Brasileira Divulga os Indicados a sua 23º Edição.

Foram divulgados na última segunda-feira, dia 24 de maio, os indicados ao 23° Prêmio da Música Brasileira 2012. O Pernambucano Herbert Lucena foi o campeão de indicações pelo disco “Não me peçam jamais que eu dê de graça aquilo que eu tenho pra vender”, concorrendo como melhor disco e cantor regional, revelação e projeto gráfico. Criolo, Beth Carvalho, Dori Caymmi, Cauby Peixoto e Dominguinhos vem logo em seguida com 3 indicações cada. "5 a Seco" concorre a melhor grupo na categoria MPB, "Casuarina", com "Trilhos Terra Firme" concorre como melhor grupo na categoria Samba. Rosa Passos, pelo seu grande trabalho "É Luxo Só" na qual homenageia Elizeth Cardoso, concorre nas categorias Melhor Álbum de MPB e Melhor Cantora de MPB. O disco Poesia Musicada de Dori Caymmi concorre nas categorias Arranjador, Melhor Álbum de MPB, Melhor Cantor. Graveola e o Lixo Polifônico concorre como melhor grupo de Pop/Rock/Reggae/HipHop/Funk. O Grande homenageado da premiação será o cantor João Bosco. A premiação será realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 13 de junho. Eis algumas das categorias e seus indicados:

CATEGORIA: ARRANJADOR
Dori Caymmi - álbum ‘Urubupeba’, de Antonio Carlos Bigonha
Gilson Peranzzetta - álbum ‘Iluminado’, de Dominguinhos
Mario Adnet - álbum ‘+ Jobim Jazz’, de Mario Adnet

CATEGORIA:  MELHOR CANÇÃO
‘Arrasta a Sandália’. Compositores: Dayse do Banjo e Luana Carvalho. Intérpretes: Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, em ‘Nosso Samba Tá Na Rua’
‘Sinhá’. Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em ‘Chico’
‘Zoeira’. Compositores: Moacyr Luz e  Hermínio Bello de Carvalho. Intérprete: Áurea Martins, em ‘Depontacabeça’

CATEGORIA: PROJETO VISUAL
Dalua e Mestre Maurão - álbum ‘O Samba de Roda de Dalua e Mestre Maurão’. Projeto: Gringo Cardia
Herbert Lucena - álbum ‘Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender’. Projeto: Evandro Borel
João Parahyba -  álbum ‘O Samba no Balanço do Jazz’. Projeto: Bijari

CATEGORIA: REVELAÇÃO
Criolo
Filipe Catto
Herbert Lucena

CATEGORIA: MPB

Melhor Álbum
‘Chico’, de Chico Buarque. Produtor: Luiz Claudio Ramos
‘É Luxo Só’, de Rosa Passos. Produtores: Renata Borges e Luiz Felipe Caetano
‘Poesia Musicada’, de Dori Caymmi. Produtor: Dori Caymmi

Melhor Grupo
5 a seco / ‘Ao vivo no Auditório Ibirapuera’
Passo Torto / ‘Passo Torto’
Quarteto Primo / ‘Dorival’

Melhor Cantor
Cauby Peixoto / ‘A Voz do Violão’
Dori Caymmi / ‘Poesia Musicada'
Filipe Catto / ‘Fôlego’

Melhor Cantora
Áurea Martins / ‘Depontacabeça’
Mônica Salmaso / ‘Alma Lírica Brasileira’
Rosa Passos / 'É Luxo Só'

CATEGORIA: POP/ROCK/REGGAE/HIPHOP/FUNK

Melhor Álbum
‘Nó na Orelha’, de Criolo. Produtores: Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman
‘Tempo de Menino’, de Pedro Luis. Produtores: Rodrigo Campello e Jr. Tostoi
‘Todo Dia é o Fim do Mundo’, de Lula Queiroga. Produtores: Lula Queiroga e Yuri Queiroga

Melhor Grupo
Agridoce / ‘Agridoce’
Graveola e o Lixo Polifônico / ‘Eu Preciso de Um Liquidificador’
Mundo Livre S/A / ‘Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa’

Melhor Cantor
Caetano Veloso / ‘Zii e Zie ao Vivo’
Criolo / ‘Nó na Orelha’
Seu Jorge / ‘Músicas para Churrasco Vol.1’

Melhor Cantora
Gal Costa / ‘Recanto’
Marisa Monte / 'O que Você quer Saber de Verdade'
Zélia Duncan / ‘Pelo Sabor do Gesto – Em Cena’

CATEGORIA: SAMBA

Melhor Álbum
'Em Boas e Mais Companhias' , de Ivor Lancelotti. Produtor: Família Lancelotti
‘Fabiana Cozza’, de Fabiana Cozza. Produtor: Paulão 7 cordas
‘Nosso Samba Tá Na Rua’, de Beth Carvalho. Produtor: Rildo Hora

Melhor Grupo
Casuarina / 'Trilhos - Terra Firme'
Fundo de Quintal / 'Nossa Verdade'
Sururu na Roda / 'Se você me ouvisse - 100 Anos de Nelson Cavaquinho'

Melhor Cantor
Arlindo Cruz /  ‘Batuques e Romances’
Douglas Germano / ‘Orí’
Leandro Lehart / 'Ensaio de Escola de Samba'

Melhor Cantora
Aline Calixto / ‘Flor Morena’
Fabiana Cozza / ‘Fabiana Cozza’
Beth Carvalho / 'Nosso Samba Tá Na Rua'

domingo, 13 de maio de 2012

Resenha de Disco: Filipe Catto Esbanja Sensibilidade em Álbum Inspirado.

Cantor gaúcho, Filipe Catto despontou em 2009 com o EP "Saga", disponibilizado de forma legal para download no site do artista. O referido disco já anunciava o poder passional existente em suas músicas. Muito comparado a Ney Matogrosso pela voz um tanto quanto afeminada e pela interpretação performática, Filipe Catto vai além do que mera cópia do líder dos Secos e Molhados. Seu primeiro e já aclamado disco "Fôlego", lançado pela Universal Music, é marcado por repertório próprio com algumas regravações que ganharam novas formas para serem encaixadas no estilo característico do cantor. "Adoração", música inédita composta por ele, abre o álbum, seguida por "Gardênia Branca", também de autoria própria, com  ares de tango, ritmo que pode ser encontrado em outras faixas, como "Saga", que tal qual "Crime Passional" e "Roupa do Corpo", foi reaproveitada do primeiro EP. "Ave de Prata", música de Zé Ramalho é um grande destaque, resultando em uma obra-prima na voz do artista. "Garçom", canção popularizada na voz de Reginaldo Rossi também foi regravada de forma inspirada. O disco é difícil de se classificar, visto que Filipe Catto mescla ritmos diversos, que vão desde o samba de "Juro por Deus" ao clima de cabaré presente em "Johnny, Jack and Jameson" e em "Dia Perfeito", música da banda gaúcha "Cachorro Grande". Já na primeira audição percebemos que Filipe Catto é artista que esbanja sensibilidade e seu fantástico e inspirado disco de estreia já é capaz de colocá-lo no hall dos grandes novos cantores brasileiros.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Resenha de Disco: Curumin Continua Sua Experimentação Regional em Novo Disco.

O músico Curumin, ou Luciano Nakata, anuncia: meu novo disco tem pressão. Sucessor de Achados e Perdidos (2005) e o aclamado Japan Pop Show (2008), "Arrocha" continua seguindo as influências regionais que o cantor gosta tanto de inserir em seus trabalhos, embora se distancie um pouco das experimentações instrumentais e do balanço que foi característico de seus últimos discos. Curumin conseguiu incluir deliciosas batidas eletrônicas nesse novo álbum, mesmo fazendo uma homenagem ao vinil, no melhor estilo rústico. O disco foi inteiramente gravado em um estúdio particular do cantor e conta com tiragem de 500 mil exemplares em vinil distribuído pela Urban Records. "Arrocha" é um disco curto, composto por grande número de vinhetas e faixas relativamente breves, mas muito interessantes. O artista faz um passeio por passagens do cotidiano, com crônicas do dia a dia, dando espaço até para momentos românticos, deixando um pouco de lado sua veia crítica, que tanto influenciou o último trabalho. Assim como o que a cantora e sua amiga Céu fez em "Caravana Sereia Bloom", Curumin pegou ritmos que já estavam desgastados, deu uma nova roupagem aos mesmos e garantiu mais uma novidade criativa para a música brasileira. "Arrocha" é o disco mais pesado do cantor, segundo o que ele próprio propaga e podemos perceber no groove frenético de "Afoxoque", no reggae suingado de "Vestido de Prata" e no afrobeat presente em "Selvage", grandes destaques do disco. Ao fim de atentas audições, nota-se que Curumin nos presenteia com um álbum solto, diversificado, com qualidades distintas, caracterizado como mais um grande lançamento desse excepcional artista.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Resenha de Livro: Em "As Esganadas", Jô Soares Segue Misturando História, Ficção e Comédia Policial.

Em seu mais novo livro, "As Esganadas", lançado pela Companhia das Letras, Jô Soares segue misturando fatos reais da História com ficção em um enredo de comédia policial, assim como fez com seus livros anteriores, "O Xangô de Baker Street", onde podiamos encontrar personagens reais como Sarah Bernhardt, com fictícios como Sherlock Holmes e ganhou uma versão para as telonas, "O Homem que Matou Getúlio Vargas" e "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras". Se antes os alvos eram prostitutas, políticos e "imortais", agora são as obesas que correm perigo. Jô tem um estilo muito característico e reconhecível, ressaltando fatos conhecidos da história para dar maior visibilidade e entendimento ao que está sendo contado. Nesse novo livro, o serial killer é apresentado já no início da história e a razão pela qual ele comete atos bárbaros contra mulheres gordas também. Caronte é dono de luxuosa funerária no Rio de Janeiro, na década de 30. Na infância, tinha uma mãe obesa e extremamente controladora, a qual ele acaba matando e anos mais tarde enxerga em toda mulher gorda a figura da mãe, que controlava sua alimentação. A história é basicamente um retrato das loucuras e crimes de Caronte, com ênfase na maneira atrapalhada que polícia e investigadores tentam solucionar o crime, em especial o detetive Tobias Esteves. Apresentar o assassino já no início pode não ter sido um passo muito acertado do autor, já que Caronte não é o que se pode chamar de personagem interessante. Deixar o mistério para ser desvendado no final teria sido mais instigante. Com o humor que lhe é peculiar, Jô descreve cenas fortes de assassinato sem que isso choque o leitor, ao contrário, essas cenas são no mínimo curiosas e tratadas de forma bem leve, até demais acredito. O livro, porém, já conta com grande número de exemplares vendidos e, assim como os anteriores, já pode ser considerado um sucesso. Leitura despretensiosa e interessante, "As Esganadas" é mais um bom livro desse já consagrado autor.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Resenha de Disco: Blubell Lança Mão de Voz Incomum e Clima Retrô Como Diferencial.

Isabel Fontana Garcia, conhecida no meio musical como Blubell, iniciou sua carreira nas bandas Tobasco, Feira Livre e já participou de shows do Funk Como Le Gusta, além de usar sua voz para jingles de comerciais de televisão. Seu primeiro álbum, "Slow Motion Ballet" foi lançado em 2006 de forma independente e somente cinco anos depois ela colocou no mercado "Eu Sou do Tempo Em Que a Gente Se Telefonava", seu segundo disco, lançado pela Y Brasil que conta com um repertório parcialmente autoral. O Quarteto de Jazz "À Deriva" acompanha a cantora no disco que lança mão do clima retrô como diferencial, misturando pop com jazz na voz suave e um tanto quanto incomum da cantora paulista. Destaque do disco, a excelente "Chalala" foi tema de abertura da minissérie Aline, da Rede Globo. O clipe da música foi inspirado no "Subterranean Homesick Blues" de Bob Dylan e é bem interessante. Algumas músicas são cantadas em inglês, como é o caso de "Velvet Wonderland", música que nos remete à Bossa Nova e "Good Hearted Woman" que conta com a participação de Tulipa Ruiz, que está presente também em "Pessoa Normal" . Outra que faz participação no disco é Baby do Brasil em "1, 2, 3, 5". Lançado no Teatro do SESC em São Paulo em Janeiro de 2011, o disco possui um clima de Cabaret, que também esteve presente no show de lançamento. "Mão e Luva" e "Estrangeira" são outros destaques no disco de repertório afiado, capaz de dar visibilidade a essa criativa cantora e compositora.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Resenha de Disco: Banda "5 a Seco" Explora Novas Cenas Musicais Para Ouvidos Exigentes.

Grupo formado pelos jovens Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni, "5 a Seco" começou timidamente, em pequenos shows, até que estouraram nas redes sociais e ganharam grandes proporções no meio musical, tudo através do famoso boca a boca, conquistando um público diversificado, mas nem por isso menos seleto. Alguns integrantes, como Tó Brandileone, já fizeram seus nomes em carreira solo. O som do grupo paulista é despretensioso, como uma brincadeira musical. Brincam com as vozes, com as composições, com as cordas. O primeiro DVD "Ao Vivo no Auditório Ibirapuera", lançado recentemente, ressalta a qualidade desses jovens artistas e conta com participações mais que especiais. Maria Gadú participa de "Em Paz" e Lenine em "Ou Não". No palco, 5 a Seco tece uma colcha de ritmos musicais com inspiração teatral e timbres únicos. O repertório conta com MPB, Samba de Raiz, Indie Rock e ainda passeia por ritmos nordestinos. Músicas como "Pra Você Dar o Nome", "Feliz Pra Cachorro" e "Vou Mandar Pastar" já são bem conhecidas do público indie. A bela "Gargalhadas", com letra linda e otimista, já cantada por Bruna Caram no seu disco "Feriado Pessoal", é outra música que cumpre o papel de dar luz e brilho ao repertório da banda. Modernos, 5 a Seco traz um novo frescor à música, de forma leve, com disco que pode e deve ser ouvido a qualquer hora do dia ou da noite. Em um país onde a mídia busca por melodias fáceis, banais e pouco inteligentes, o grupo se destaca, explorando novas possibilidades musicais para satisfazer os ouvidos exigentes.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Conselho Musical: Casuarina é a Raiz do Samba na Música Brasileira Atual.

Constantemente nos deparamos com as mídias caracterizando pagodeiros como sambistas. Há de se entender: samba é samba, pagode é pagode. O pagode romântico que infesta as rádios hoje em dia em nada pode ser comparado ao bom e velho samba. O Samba de Raiz é a expressão autêntica da cultura brasileira. O violão de sete cordas, o cavaquinho, o pandeiro de couro, a cuíca, o surdo, o tamborim, o bandolim, formando o samba de partido alto, o samba de terreiro, o samba dolente, sincopado e ritmado. Ao contrário dos grupos de pagode que hoje são exaltados por todo o Brasil, um verdadeiro grupo de samba se apresenta em sua forma mais pura. Trata-se de Casuarina, grupo com pouco mais de dez anos de carreira, formado pelos jovens cariocas, Daniel Montes (violão 7 cordas), João Cavalcanti (percussão e voz), Rafael Freire (cavaquinho), João Fernando (bandolim) e Gabriel Azevedo (voz e percussão). Com primeiro disco homônimo lançado em 2005 pela Biscoito Fino e "Certidão", segundo disco lançado em 2007, o Casuarina ganhou maiores projeções em 2009 ao gravar o MTV Apresenta Casuarina, lançado pela Sony Music, ao vivo no formato CD e DVD, repleto de grandes regravações como "Baile no Elite", "Swing de Campo Grande", "Canto de Ossanha" e "Cabelos Brancos", contando com participações de Frejat, Moska, Roberto Silva, entre outros. Esse disco, um marco na carreira do grupo, foi gravado na Fundição Progresso no Rio de Janeiro. O último trabalho, lançado em 2011 pela Warner Music, intitulado "Trilhos Terra Firme" é um disco autoral, com as músicas compostas pelos componentes do grupo, entre samba de gafieira (Dissimulata), samba de roda (Pequenino) e músicas que mantêm as tradições do samba carioca (Murmúrio, Fulô de Caju, Gravata). Com uma trajetória coesa, buscando resgatar a tradição do verdadeiro samba para os dias atuais, o Casuarina é a Raiz do Samba na música Brasileira e merece uma maior projeção. A cultura musical agradece.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Resenha de Filme: "Balada do Amor e do Ódio" é Filme Interessante, Mas Para Poucos.

Dirigido por Alex de la Iglesia, o filme espanhol "Balada do Amor e do Ódio", originalmente "Balada Triste de Trompeta" é de difícil digestão. Ambientando-se primeiramente no início da Guerra Civil Espanhola, que colocou o General Franco no poder, é complicado atribuí-lo a determinado gênero, pois tanto vai da comédia de humor negro ao drama, passando pelo terror e suspense. Javier, interpretado por Carlos Areces vê seu pai e demais companheiros de circo serem forçados a participar da guerra, onde pode-se ver todos os tipos de atrocidades. Assim, cresceu primeiro sem a mãe e depois sem o pai, que morreu na sua frente durante a guerra. Mais tarde, já adulto, começa a trabalhar em um circo, desempenhando o papel de Palhaço Triste, aquele que arma as situações para que o outro palhaço soe engraçado, profissão que seu pai e avô seguiam. No circo ele se apaixona pela trapezista Natalia (Carolina Bang), mulher de Sergio (Antonio de la Torre), que interpreta o Palhaço Feliz, homem de índole violenta que quando bêbado é capaz de espancar quem encontre pelo caminho, sendo Natalia sua principal vítima. Tentando ajudar a amada, que se sente dividida entre o amor sereno de Javier e a paixão destrutiva de Sergio (uma comparação clara com a Espanha, separada na época entre fascistas e republicanos), Javier trava com Sergio a partir de então, uma luta de proporções sádicas que beiram o exagero. Exagero esse que se encontra por todo o filme. O ambiente escuro, a maquiagem borrada, a violência, a trilha sonora tensa, tudo colabora para uma estética que parece misturar Tarantino com Almodóvar. O caos criado mostra até onde uma pessoa pode chegar pelo amor ou falta dele. O extremo a que o filme chega pode causar admiração em alguns espectadores, como repulsa em outros, principalmente aos acostumados a filmes "comerciais", sendo um filme para poucos é impossível passar indiferente a ele. Depois de "Balada do Amor e do Ódio", o medo que algumas pessoas tem de palhaços se torna completamente justificável.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Resenha de Disco: Grande Projeto Musical, Sonantes Reúne Céu a Grandes Músicos.

O grupo musical Sonantes é um projeto paralelo composto por Gui Amabis e Rica Amabis, Dengue e Pupillo (músicos da Nação Zumbi), também componentes do 3namassa. Incensada nos Estados Unidos e em alguns países Europeus desde seu primeiro disco homônimo, a cantora Céu assume o vocal da banda. Lançado primeiramente nos EUA pela Six Degrees, o primeiro álbum que leva o nome do grupo chega ao Brasil pelo selo Oi Música e reintera do talento dos músicos e principalmente a versatilidade de Céu. O grupo faz uma mistura de MPB com ritmos regionais, batidas afro e um leve tom de eletrônica. O resultado é um som desconexo, porém único, que soa apenas como Sonantes. Embora Céu tenha uma voz magistral, grande parte do excelente conteúdo presente no disco se deve ao talento único dos músicos. Voando ainda mais longe nas melodias, o grupo adiciona ska e dub, bem como referências dos anos 60 e 70 ao repertório já heterogêneo. O Projeto conta com um grande time de convidados, que incluem Beto Villares, Apollo 9, Fernando Catatau, Lúcio Maia e Siba, que canta a música "Toque de Coito", tema sombrio e introspectivo. A faixa "Frevo de Saudade" conta com pequenas batidas eletrônicas que de forma discreta acaba se tornando o grande destaque do álbum, juntamente com a beleza da letra de "Quilombo Te Espera". Algumas faixas são exclusivamente instrumentais, como "Looks Like To Kill" e "Mambobit". Mesmo na incerteza da continuação do projeto e de novos álbuns, a certeza é que com um grande disco, Sonantes debuta muito bem no mercado fonográfico.

terça-feira, 13 de março de 2012

Novo Disco de Bethânia Ganha Data de Lançamento.

Programado para chegar ao mercado dia 30 de Março pela Biscoito Fino, o novo disco de Maria Bethânia, intitulado "Oásis de Bethânia", conta com participações de grandes nomes da MPB. A começar pelo cantor e compositor Lenine, que divide os vocais com a soberba cantora em "O Velho Francisco", música de Chico Buarque. Composições de Roque Ferreira como "Casablanca", "Fado" e "Barulho" também estão no repertório. Djavan participa da música "Vive", composta por ele. Outra canção a entrar no disco é "Calúnia", imortalizada na voz da grande Dalva de Oliveira e a própria Bethânia assina o texto de abertura de "Carta de Amor". Provavelmente mais um grande lançamento dessa inigualável artista.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Resenha de Disco: União de Músicos dá Vida a Passo Torto, em Meio a Crônicas e Sentimentos.

Encabeçado por grandes nomes do cenário musical brasileiro, oriundos de São Paulo, a saber, Rômulo Fróes, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Marcelo Cabral, se juntaram para formar a super banda Passo Torto, projeto já bem sucedido nessa nova safra da música nacional, que vai do samba em suas várias formas ao rock leve e introspectivo. Para isso, a Cidade Grande, no caso, São Paulo, serve de cenário para músicas e crônicas do cotidiano na metrópole. Rômulo Fróes, já conceituado cantor do cenário indie cultural Brasileiro, continua apresentando um excelente trabalho que já é aclamado quanto cantor solo e consegue ultrapassar a linha do excepcional ao juntar sua marcante voz com o violão de Kiko Dinucci, o cavaquinho de Rodrigo Campos e o baixo de Marcelo Cabral, todos muito bem sucedidos em carreiras individuais. As críticas à cidade cinza são pontuadas de forma competente com letras muito bem amarradas em um instrumental percurssivo. Se em "Da Vila Guilherme ao Imirim" a história se desenrola dentro de um ônibus, "Faria Lima Pra Cá" troca o meio de condução pelo metrô, enquanto o protagonista desenrola seus problemas e suas visões da cidade. O clima introspectivo se encontra presente em quase todo o disco, que ainda encontra lugar para o romantismo e as carências sentimentais em "Por Causa Dela" e conotações sexuais em "Sem Título e Sem Amor", onde não há amor, restando apenas libido e desejos. As onze faixas do disco não destoam entre si, ao contrário, encontram-se muito bem amarradas em um contexto tão frio quanto se encontrar sozinho na cidade grande. Mas, o álbum consegue a faceta de não soar depressivo, apenas realista. É uma obra de letras, de composições, que deve ser ouvida várias vezes, ser pensada, ser tragada e uma conclusão às vezes não será possível. Passo Torto é uma banda de crônicas, onde os sentimentos e as visões sociais são trazidos a nós de forma fantástica.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Resenha de Disco: Rhaissa Bittar Evoca o Lúdico Para Cantar o Cotidiano.

Em seu disco de estreia, Voilá, Rhaissa Bittar não decepciona. Pelo contrário, consegue soar leve, "fofa" e cumpre a função de dar um frescor à Nova MPB. O álbum é uma mistura de tango, forró, e claro, samba. Sua voz fina, que as vezes parece a de uma adolescente, foge do convencional e a linguagem corriqueira, informal, consegue garantir um certo ar de novidade, de originalidade à música brasileira. Rhaissa canta o cotidiano, os pequenos momentos do dia a dia, os afazeres que passam por despercebidos e os momentos que de tão repetitivos chegam a ser marcantes. A deliciosa "Chilique Chique", por exemplo, narra a visita a uma manicure desastrada, repleta de reclamações e situações exageradamente dramáticas, resultando em uma música inventiva e engraçada. Em "Pif Paf", que nos remete ao som da gafieira, Rhaissa compara seu relacionamento amoroso com o jogo homônimo de cartas. Tudo soa divertido, com uma ingenuidade única, sem malícia ou conotações maldosas. Competente, ela começou a cantar desde criança e já estudou em Taiwan para aprimorar sua voz, até se sentir segura para gravar Voilá, recebendo o apoio da Panela Produtora ao lado de músicos como Maurício Pereira, Daniel Szafran e Ricardo Herz. Ela ainda assina a composição de três músicas presentes no disco, onde mistura a música brasileira com a chinesa e jazz, onde busca inspiração. "Pombo Correto", "Entre Outras Coisas" e "Boneca de Palha" são criações divertidas, para serem ouvidas despretensiosamente, embalando uma tarde de sol ou um bate-papo com amigos. Essa linguagem simples, evocando o lúdico, soa como uma brincadeira , onde Rhaissa nos conduz com perfeita harmonia em um jogo simples e divertido.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Resenha de Disco: É da Cantora Céu o Primeiro Grande Disco de 2012.

Terceiro disco da cantora Céu, "Caravana Sereia Bloom" é, definitivamente o melhor da sua carreira. Não que o primeiro álbum homônimo e "Vagarosa" sejam ruins, ao contrário, são discos excepcionais que conseguiram dar fama e credibilidade à voz de Céu. Mas, no terceiro disco, a cantora se renova, soa leve e sai da zona de conforto. Primeiramente Céu larga mão do Jazz e de arranjos sofisticados para dar lugar a um tom mais, digamos, popular. Segundo a cantora, o álbum sofre grande influência do brega e da lambada, ritmos pesquisados por ela para compor o disco e faz uma homenagem ao cineasta Cacá Diegues, mais especificamente ao seu filme "Bye Bye Brasil". Algumas músicas soam como aquelas tocadas em bares de estrada. Porém, entenda, Céu tem talento e um grande time que a acompanha, incluindo o produtor do disco Gui Amabis, seu marido, logo, "Caravana Sereia Bloom", distribuído pela Universal Music, não é um disco totalmente popular que desce redondo no ouvido do grande público. Sofisticação e letras inteligentes pontuam todo o álbum, incluindo a regravação de "O Palhaço", música de Nelson Cavaquinho, que saiu do samba e ganhou ares de valsa. Céu dessa vez resolveu se render e gravou três músicas em inglês, "Fffree", "Streets Bloom" e "You Won't Regret It", o que poderá consolidar o relativo sucesso que faz nos EUA e em alguns países Europeus. "Amor de Antigos", "Baile da Ilusão" e "Chegar em Mim" são verdadeiras pérolas que figuram nesse excelente álbum, músicas que mesmo populares conseguem mesclar requinte e sensualidade. Ainda está no disco a pegada reggae que sempre esteve presente nos trabalhos da cantora, mostrando versatilidade e inteligência musical. Mesmo tendo Roberta Sá no páreo com o excelente "Segunda Pele", é da cantora Céu o primeiro grande disco de 2012. Um disco, definitivamente, cinco estrelas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Resenha de Disco: Mistura de Ritmos Regionais com Rock Firmam Banda Manacá no Cenário Indie.

Dotado de poesia intensa e de um regionalismo fora do comum, o primeiro disco homônimo do Manacá cumpre o papel de apresentar muito bem a banda. A mistura de elementos regionais com um rock pesado resulta em um trabalho curioso e excepcionalmente bom, transitando tranquilamente nos opostos, regional e urbano se fundem em uma música poética onde o humano tem profundo destaque nas letras, mesclado com a religião, a natureza e o místico. A banda garantiu uma considerável projeção quando a vocalista, Letícia Persiles interpretou Capitu quando jovem na mini-série da Rede Globo, onde a música "Diabo" fez parte da trilha sonora. A banda diz buscar inspiração roqueira no som do Queens of the Stone Age, concomitante com elementos da música cigana e cultura regional, principalmente nas letras. Segundo integrantes da banda, por ser a cultura regional universal, mas que se perdem no cotidiano das grandes cidades, eles mergulham nos elementos interioranos para resgatá-los, principalmente no Nordeste Brasileiro, onde se inspiram nas obras de Ariano Suassuna e na música do Quinteto Armorial na hora de compor. "Faca de Ponta", "Flor do Manacá" e a belíssima versão para "Canto de Ossanha" são grandes destaques do disco. Porém, rumores apontam para o fim da banda, graças a divergências com a gravadora EMI, que atrasou muito na distribuição do disco e a gravidez da vocalista, o que impossibilitou a realização de shows. Especulações ou não, o primeiro disco já está disponível no mercado e cumpre a tarefa de firmar a banda no cenário indie brasileiro.

Disco da Cantora Céu Será Lançado Ainda Esse Mês.

Novo disco da cantora Céu, intitulado "Caravana Sereia Bloom" ,será lançado ainda nesse mês de fevereiro. Produzido pela cantora e por Gui Amabis, o álbum será distribuído pela Universal Music. "Amor de Antigos", "Asfalto e Sal", "Chegar em Mim" e "Palhaço", música de Nelson Cavaquinho, integram o repertório do disco.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Crítica de Disco: Roberta Sá Se Reinventa e Acerta Outra Vez.

Roberta Sá é, por muitos, considerada como a melhor cantora da nova geração da MPB. E não é a toa. Inserida no abrangente repertório do samba de raiz, Roberta criou nome entre a nova safra de cantoras adeptas ao estilo. Seu disco "Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria" foi o responsável por colocar a cantora sob as luzes dos holofotes e lhe garantiu prêmios e críticas positivas da imprensa especializada. Porém, foi antes, com o considerado seu primeiro álbum, se não levarmos em conta a compilação de músicas do disco "Sambas e Bossas", o excelente "Brasileiro", que a cantora passou a ser realmente "ouvida", com participações de Ney Matogrosso e Pedro Luís, o disco marcou a entrada oficial de Roberta Sá no mercado fonográfico. Mais a frente, quis homenagear o grande Roque Ferreira e lançou, juntamente com o Trio Madeira Brasil, o álbum "Quando o Canto é Reza", composto apenas com músicas do artista citado. A artista foi capaz de lançar durante toda sua relativamente curta carreira, discos excepcionais, com produção caprichada e repertório coeso, escolhido a dedo. O mesmo pode ser dito do seu DVD "Pra Se Ter Alegria", onde nos extras figura maravilhosa regravação de "Mambembe" ao lado de Chico Buarque. E já no início desse ano Roberta Sá lança "Segunda Pele", confirmando o seu talento e incorporando a lista de grandes álbuns lançados pela cantora. Roberta resolveu inovar e sair da sua zona de conforto. O samba foi deixado em segundo plano e ela optou por um repertório leve, que vai da música pop à folia de canções animadas. Produzido por Rodrigo Campello, Segunda Pele conta com a participação de Jorge Drexler na faixa "Esquirlas", em que Roberta Canta em espanhol. Já em "Lua", quem a acompanha é a banda A Parede, da qual seu marido Pedro Luís é o vocalista. O primeiro single, "Pavilhão de Espelhos" é música espetacular, muito bem escolhida para lançar o álbum. De clima carnavalesco, "Deixa Sangrar" é música animada que nos convida a dançar, o mesmo pode se dizer da bela "No Bolso". Já "Altos e Baixos" é destaque do disco, que nos remete às obras antigas da cantora. Com Segunda Pele, Roberta mostra que sabe se reinventar, que dança fora do lugar comum, ela arrisca, acerta, e mais uma vez lança um grande disco.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Resenha de Filme: Almodóvar dispensa simbolismos em seu novo filme.

Em "A Pele que Habito", Almodóvar abandona os simbolismos característicos de seus filmes. Objetos são apenas objetos, situações realmente acontecem, por mais incrédulas que possam parecer, e se encaixam perfeitamente em um filme de terror "sem sustos ou gritos", como o próprio cineasta espanhol o definiu, baseando-se no livro "Tarantula", do escritor francês Thierry Jonquet. O cirurgião plástico Robert Ledgard (Antonio Banderas), após perder sua esposa em um trágico acidente, decide criar uma pele humana artificial, mais forte e resistente, usando DNA de pessoas e suínos. Desde o início, percebemos que Robert quer recriar sua mulher, usando uma cobaia muito incomum. O início confuso do filme, com cenas alternadas que a princípio não se encaixam, vai tomando um contexto forte e os mistérios vão sendo desvendados de forma coesa, embora a megalomania do cineasta possa ser enxergada nesses momentos cruciais. Se em "Abraços Partidos" Almodóvar abre mão da ação para a história ser contada através de símbolos, apelando muitas vezes para a capacidade dedutiva do espectador, em "A Pele que Habito" ele faz exatamento o contrário. Tudo é explicado minuciosamente, até porque há essa necessidade. Os objetos não são simbólicos, eles são realmente usados. A navalha é usada, os falos são usados e o plano nada convencional do Doutor Robert é executado, lembrando a velha história de Frankenstein. Contando uma história com seu jeito bem peculiar, Almodóvar conseguiu novamente ser genial.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Resenha de Disco: Jô Nunes Intensifica a Nova MPB no Cenário Musical Brasileiro.

Enquanto a mídia escancara as portas para que cantores sertanejos e bandas adolescentes de pseudo rock mostrem o que de pior se pode fazer com a música brasileira, é no cenário independente que podemos encontrar pérolas confundidas com músicas inteligentes e de qualidade. Jô Nunes é uma porta voz (literalmente) de excelentes canções que traduzem o Brasil como um país de excelentes artistas. Lançado no ano passado, seu disco de estreia, intitulado "Passarinha" é uma maravilhosa obra autoral que traduz o samba na sua melhor forma e intensifica a Nova MPB como um estilo cada vez mais conceituado no cenário musical brasileiro. Jô Nunes é curitibana e seu trabalho está sendo promovido pelo site Musicoteca, que conta com um excelente acervo para download legal e gratuito. A artista dá voz também ao cancioneiro popular, cantando a vida com uma poesia única, sem perder o compasso e se destacando como uma exímia compositora. A alegre e irreverente "Despirucada" é um exemplo de como Jô consegue brincar com a voz em uma melodia simples e lúdica. A faixa título do disco é um sambinha gostoso que alegra e envolve o ouvinte em qualquer momento do dia, sem contra-indicação. O disco conta com a participação charmosa do trio de músicos Vinícius Chamorro, Graciliano Zambonim e Fabio Cardoso. "Eles Fingem" é outra música que nos remete ao cotidiano e a cenas que muitas vezes passam batidas aos nossos olhos. O disco inteiro é assim, singelo e sutil, ambíguo, pois consegue ser ao mesmo tempo simples e requintado. Jô tem classe e elegância ao cantar. Afinada e com uma obra coesa, ela integra o time de excelentes cantoras que (ainda bem) estão surgindo ultimamente, dando lugar, mesmo sem amplo destaque na mídia, à boa música brasileira. Voa, Passarinha.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Novo Disco de Roberta Sá Já Tem Data de Lançamento.

Quinto disco da cantora Roberta Sá chegará às lojas no dia 24 de janeiro. O sucessor de "Quando o Canto é Reza", disco com músicas de Roque Ferreira que a cantora lançou com o Trio Madeira Brasil, foi intitulado "Segunda Pele" e é precedido pelo single "Pavilhão de Espelhos". O novo disco é produzido por Rodrigo Campello e distribuído pela Universal Music.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cinema: Os Destaques de 2011 na Indústria Cinematográfica.

O ano de 2011 veio recheado de grandes filmes e diretores consagrados se mostraram inspirados. Claro, obviamente, como todos os anos, lixos cinematográficos também vieram aos montes, sendo sucessos de bilheteria e arrecadando milhões. Porém, o Blog Esfinge Cultural prefere os filmes inteligentes, com bons roteiros e interpretações dignas de aplausos. Resolvemos não incluir os principais filmes que concorreram ao Oscar 2011. Dessa vez, sem colocar filmes em melhores ou piores posições, listaremos os destaques do ano e uma pequena crítica sobre cada um, levando em conta a qualidade da história contada, não o sucesso frente ao público.

* Meia Noite em Paris: A história de Gil (Owen Wilson), escritor um tanto quanto frustrado que encontra a verdadeira "inspiração" na encantadora Paris, é contada por Woody Allen de uma forma sensível e peculiar, como só ele consegue fazer. O diretor faz com Paris o que fez com Barcelona no excelente "Vicky Christina Barcelona". O filme conta ainda com Rachel McAdams e Carla Bruni no elenco.

* Melancolia: Ao divulgar seu filme no festival de Cannes, o polêmico diretor Lars Von Trier causou alvoroço ao afirmar que entendia as ações de Hitler. Barulhos a parte, ele conseguiu novamente lançar um excelente filme. Melancolia trata do fim do mundo através de dois pontos distintos, onde Kirsten Dunst faz uma mulher conformada com o acontecimento e Charlotte Gainsbourg mostra desespero frente a situação. Filme tenso e forte, característica do diretor.

* A Pele Que Habito: E Almodóvar consegue encontrar o seu lugar nesse maravilhoso filme onde Antonio Banderas é o protagonista. Genial, ele lança um filme de terror onde o terror se encontra nos diálogos, nos objetos, nas angústias veladas. Banderas é um cirurgião plástico que perdeu sua mulher em um acidente e passa a tentar criar uma pele em um laboratório, pele essa que poderia ter salvado sua esposa. Filme curioso e criativo.

* O Palhaço: Tendo Selton Mello como diretor e protagonista, o filme conta a história de um palhaço procurando a alegria de viver. Ao mesmo tempo que leva alegria às pessoas, ele se questiona sobre o quê traz alegria a ele. Sensível e conceituado como uma comédia inteligente, difere da maioria dos filmes brasileiros comerciais.

* Não me Abandone Jamais: O diretor Mark Romanek está a frente deste filme sobre clonagem, mas tratando do assunto com extrema sensibilidade e delicadeza. Emocionante e questionador é um filme que nos faz pensar se toda a tecnologia da época atual existe mesmo para facilitar nossa vida. Com Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield no elenco.

* O Deus da Carnificina: Roman Polanski está de volta na direção de inquietante filme preso a diálogos. Quando dois garotos brigam, seus pais resolvem marcar um reunião para tratar do problema e é aí que o filme se desenrola. Com Jodie Foster e a maravilhosa Kate Winslet.

* Lope: A cinebiografia de Félix Lope de Vega chega às telonas de forma eficaz com direção de Andrucha Waddington em co produção entre Brasil e Espanha. Com Alberto Ammann e Selton Mello no elenco.

* Precisamos Falar Sobre Kevin: Com direção de Lynne Ramsay, o filme conta a história de Kevin, que é preso após cometer uma chacina em seu colégio e sua mãe, atônita, só encontra consolo após começar a se corresponder com seu marido, que não vê faz anos. Belíssima interpretação da mãe, vivida por Tilda Swinton.

* Um Sonho de Amor: Outro filme com Tilda Swinton, dirigido por Luca Guadagnino, trata do drama de uma família residente em Milão, que é surpreendida quando várias mudanças começam a dar novos rumos a cada membro da família.

* Uma Doce Mentira: Novo filme de Audrey Tautou, imortalizada como Amélie Poulain. Dirigido por Pierre Salvadori, o filme é uma comédia leve e sensível, que trata das confusões originadas quando Emmilie envia para sua mãe uma carta de amor que lhe foi endereçada, a fim de proporcionar à mesma mais alegria.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

2011 Musical - Parte 02: Os Destaques de 2011 no Mercado Fonográfico.

Continuando a lista dos dez melhores lançamentos de 2011, o Blog Esfinge Cultural lista as cinco primeiras colocações. Deve-se considerar que o presente ano teve realmente grandes lançamentos, mas o Blog escolheu os artistas mais criativos ou aqueles que foram mais coesos dentro do seu estilo musical. Eis os cinco primeiros colocados:

5 - Superheavy - Superheavy: A super banda composta por Mick Jagger, Joss Stone, Damian Marley, A. R. Rahman e Dave Stewart, lançou um disco homônimo mesclando as referências musicais de cada um, mas é na potente voz de Joss Stone e no delicioso reggae do filho mais novo de Bob Marley que a banda encontrou seu lugar e se acerta, fazendo jus ao título de Super. Não se sabe se haverá outros discos ou se a banda entrará em turnê, mas o certo é que esse grandioso disco ficou marcado para os amantes da boa música.

4 - Pitanga em Pé de Amora - Pitanga em Pé de Amora: Disco homônimo do grupo Pitanga em Pé de Amora, lançado no início do ano e disponibilizado para download gratuito no site da banda, mescla forró, MPB, frevo e até jazz em um som delicioso, seja para relaxar lendo um bom livro ou até mesmo arriscar uma dança a dois.

3 - Cícero - Canções de Apartamento: Com um disco encantador, Cícero soa leve, seu violão nos acalenta e por vezes nos encontramos pensativos ao ouvir suas músicas. Cícero se mostra um artista brilhante e de uma sensibilidade ímpar. O clipe de "Tempo de Pipa" pode ser considerado, embora simples, como um dos mais sublimes dos últimos tempos.

2 - Adele - 21: Adele foi o grande nome de 2011. As vendas de seu segundo disco superou todas as expectativas, transformando-a em um fenômeno da música. Seu canto visceral, sentimental e emotivo embalaram o dia a dia de várias pessoas ao redor do mundo, com destaque para "Rolling in the Deep" e "Someone Like You". Embora tendo que se ausentar por conta de um problema na garganta, seu DVD "Live at the Royal Albert Hall", conseguiu captar toda a potência e grandiosidade de seu canto.

1 - Mariana Aydar - Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo:
Mariana Aydar merece com louvor o primeiro lugar. Seu fantástico disco é além de inovador, dono de uma produção luxuosa, contando com a mão do maestro Letieres Leite da Orquestra Rumpilezz. Esse é o disco mais introspectivo da cantora e mesmo assim, o mais completo. Sua regravação de Galope Rasante, música popularizada na voz de Zé Ramalho é de uma grandiosidade e exuberância cinco estrelas. Mariana vai além, ela regrava "Vai Vadiar" de Zeca Pagodinho e encanta no xote "Preciso do Teu Sorriso", sempre com uma qualidade vocal perfeita e uma produção impecável. Juntando perfeição e qualidade, é de Mariana Aydar o primeiro lugar da nossa lista.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

2011 Musical - Parte 01: Os Destaques de 2011 no Mercado Fonográfico.

O ano de 2011 foi um ano muito proveitoso para o meio musical. Vários lançamentos podem ser creditados como importantes para o meio fonográfico. Tanto nacionais quanto internacionais, artistas abusaram da criatividade para lançar obras diferenciadas que caíram no gosto do público e da crítica. O Blog Esfinge Cultural listará alguns dos principais álbuns lançados esse ano e que podem ser caracterizados como destaques.

10 - Florence and The Machine - Cerimonials: A banda de rock britânica liderada por Florence Welch lançou em 2011 o seu segundo disco, intitulado "Cerimonials", depois de uma estréia promissora com o disco "Lungs". De um álbum para outro, pouca coisa mudou, mas mostra que tem fôlego para longos anos de carreira.

9 - Danilo Moraes - Danilo Moraes e Os Criados Mudos: O cantor Danilo Moraes ao lado da banda intitulada Os Criados Mudos lançou nesse ano um fantástico disco homônimo onde mistura samba, MPB e muito swing com letras irreverentes e criativas, com participação da cantora Céu e a regravação de "Mais um Lamento", presente no disco de estréia da mesma.

8 - Feist - Metals: Depois do grande sucesso do disco "The Reminder" e da música "1234" ter alcançado as primeiras posições em diversos países, Feist volta com o introspectivo e experimental "Metals". Feist dosa perfeitamente novas experimentações sem perder ou se deslocar do estilo folk que é uma das características de sua música.

7 - Manu Santos - Nossa Alegria: Manu Santos pode não trazer nada de novo para a intitulada Nova MPB, nem ser considerada uma das melhores cantoras brasileiras, mas foi capaz de lançar um grande disco. Sua voz agradável e seu jeito leve de conduzir as canções tornam a audição de "Nossa Alegria" um delicioso prazer, principalmente nas regravações de "Deixa eu Dizer" e "Un Vestido y Un Amor" e na excelente "Mulher Jangadeira" onde mostra toda sua brejeirice.

6 - Criolo - Nó na Orelha: O rapper Criolo foi o grande destaque do VMB, prêmio concedido pela MTV e fez uma linda apresentação junto com Caetano Veloso da sua música, já um hino para os amantes do rap brasileiro, "Não Existe Amor em SP". Cultuado pela mídia e pelos críticos, Criolo é dono de um álbum criativo e usa de letras sagazes para criticar a sociedade atual.


Em Breve as Cinco Primeiras Posições!!!!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Resenha de Disco: Feist Foge das Músicas Radiofônicas no Sensacional "Metals".

Depois de quatro anos sem lançar nenhum material inédito, a cantora Canadense Leslie Feist, mais conhecida somente por Feist, coloca no mercado "Metals", seu mais novo e incrível trabalho, depois do aclamadíssimo "The Reminder", cujo single "1234" a colocou sob as luzes dos holofotes durante um bom tempo. Feist continua fiel ao seu estilo pop e folk indie, mas não repete a fórmula do citado single. Metals passeia entre sons sombrios incorporados pela suavidade da voz de Feist, o que confere uma leveza ao trabalho como um todo. A cantora é a principal compositora das 12 faixas do disco, sendo que em 8 ela trabalha sozinha nessa tarefa, o que faz com que Metals seja um disco mais que autoral. Pode-se destacar a suavidade de "Bittersweet Melodies", o coro de cantores que a acompanham em "A Commotion", o flerte com o blues em "Anti - Pioneer" e o fantástico instrumental de "How Come You Never Go There". Feist procura se inovar de forma segura, sem grandes mudanças no seu já consagrado estilo, mas também não opta por pisar apenas em terreno seguro. Sons considerados experimentais também pontuam o repertório de Metals e não deixa Feist cair na mesmice. Ao contrário do que acontece no mercado fonográfico, Feist foge de sucessos radiofônicos e continua caminhando na linha indie. Com isso, o disco é mais um avanço na carreira da cantora e, mesmo sendo lançado já ao final do ano, é possível que venha a figurar nas costumeiras listas dos melhores que norteiam anualmente revistas e sites especializados.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Resenha de Disco: Sharon Jones é a Raiz da Música Negra Americana na Atualidade.

Com 55 anos de idade e mais de 20 anos de carreira, Sharon Jones é reconhecida atualmente como uma grande musa da soul music. Seu último trabalho, o quarto disco de estúdio, "I Learned The Hard Way" é um magnífico álbum que mergulha a fundo nas raízes da música negra americana, bebendo da fonte de grandes mestres da soul music, do jazz e r&b. Ao lado da mega banda "The Dap Kings", Sharon brilha com sua voz potente e seu estilo musical sedutor. Enérgica e imponente, soube gravar um disco de qualidade indiscutível, que caiu nas graças do público e da crítica. Sharon ficou famosa recentemente ao emprestar a banda The Dap Kings para Amy Winehouse gravar o disco "Back to Black". Porém, a inconstância e imprevisibilidade de Amy fez com que a banda voltasse a ter somente uma única e cantora nos vocais: Sharon Jones. "I Learned The Hard Way" é disco com claras influências do mestre James Brown, com o estilo dançante e inconfundível da soul music. Os destaques ficam para a faixa de abertura "The Game Gets Old", para a maravilhosa "Give it Back" e "Better Things". Trazendo a música negra dos anos 60 e 70 para a atualidade, Sharon não inova, mas faz a diferença ao resgatar um passado musical tão rico. Nova - iorquina, que não conseguia uma chance no mercado fonográfico, Sharon já chegou a trabalhar como segurança de bancos, até que passou a integrar a banda The Dap Kings e com o estilo musical retrô voltando a cair nas graças do público, a cantora foi consagrada como uma das vozes mais potentes do estilo. Porém, Sharon em momento algum confere uma roupagem Pop para as músicas, sendo seu som cru e visceral. É Soul Music em estado bruto. Para a boa música, não existe tempo, o som, a energia e a qualidade são eternas, e Sharon é a raiz da música negra americana nos dias atuais, que invade o mundo e agrada nossos ouvidos. Sharon não é única, mas reina ao perpetuar as maravilhas do seu estilo musical.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Resenha de Filme: Singelo, "Malu de Bicicleta" Trata o Amor de Forma Real.

Baseado no romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2003, "Malu de Bicicleta" se destaca da nova safra de filmes nacionais. Lançado oficialmente em 2010, dirigido por Flávio Tambellini e com Marcelo Serrado, Fernanda de Freitas e Marjorie Estiano no elenco principal, o filme, assim como as últimas obras do autor citado, trata do amor e do relacionamento traçando um paralelo com a vida de solteiro, regada a conquistas e aventuras rápidas e descompromissadas. Luiz (Marcelo Serrado) vivia como um conquistador. Sua cama era frequentada por inúmeras parceiras, até que em uma visita ao Rio de Janeiro, depois de quase ser esfaqueado por uma mulher abandonada, é atropelado por Malu (Fernanda de Freitas), que passeava de bicicleta. A partir daí, dá-se início a um relacionamento, que depois de certo tempo passa a ser marcado pela desconfiança, ciúmes e sentimento de posse, que impede a felicidade plena do casal, embora as cenas de carinho e desejo entre os dois sejam sublimes e contam com muita sintonia. Malu é livre, moleca, gosta de viver a vida. Já Luiz, mesmo bobo devido a paixão, desacostumado com o compromisso, passa a ter dúvidas sobre a fidelidade de Malu. O filme não chega nem perto dos romances hollywoodianos que apelam para as forças do destino, o acaso ou situações nada verossímeis para que o casal fique junto. Ao contrário, o amor de Luiz e Malu é construído através do desejo que os dois possuem de ficar juntos, de fazer com que o relacionamento dê certo. Já para os momentos finais do filme, o diálogo entre a personagem de Marjorie Estiano e de Marcelo Serrado é um deleite a parte. "Malu de Bicicleta" não chega a ser uma obra-prima, mas é superior a muitos filmes que são lançados hoje em dia e abordam o amor como algo tão banal que fica difícil de engolir. Singelo, o grande mérito do filme é tratar o amor de forma nada fantasiosa, trazendo de modo sublime, um pouco da realidade para o mundo da ficção. "Um dia o amor te atropela".

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Resenha de Disco: Criolo Agrega o Rap em Mistura de Ritmos e Esbanja Criatividade.

Seguindo um estilo que ainda atinge a uma minoria no Brasil, Criolo, antigo Criolo Doido e batizado Kléber Gomes, conseguiu a façanha de ser reconhecido como um cantor de Rap talentoso e compositor inspirado, embora já seja veterano nesse segmento. Paulistano, seu Hip Hop que foge do convencional pode dar visibilidade a outros cantores do gênero, como Emicida. Criolo foi consagrado no VMB 2011, premiação da MTV, onde fez excepcional dueto com Caetano Veloso cantando "Não Existe Amor em SP", música que já virou um hino para os amantes do gênero, tornando-se um hit e atingindo a todas as classes. Criolo usa o seu Hip Hop e seu talento de compositor para revelar grandes problemas sociais (o que não chega a ser novidade para o Rap) e um pouco de autobiogafia, salientando as dificuldades de ser um cantor independente e exaltando a solidão pessoal existente em cada um na principal cidade Brasileira. Porém, Criolo não se prende apenas ao estilo musical citado para rechear "Nó Na Orelha", disco lançado esse ano de forma independente e que já caiu nas graças da crítica e do público, contando com produção de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral. A primeira faixa do disco, a excelente "Bogotá", é uma mistura de afrobeat com instrumentos de sopro, resultando em uma das melhores do disco. A partir daí, Criolo abre um leque de variações musicais, usando do Soul, Samba, Reggae e muito da MPB atual para expor suas idéias. "Linha de Frente" é talvez a mais inspirada, onde o cantor usa personagens da Turma da Mônica, de Maurício de Souza, para falar de politica e de problemas atuais. Criolo, fugindo do convencional, nos presenteia com um grande disco, agregando o Rap em uma mistura de ritmos fora do comum, ele esbanja criatividade e merece toda a recepção positiva que está recebendo, mostrando que em um país cultural como o Brasil, seja no rap ou no samba, o que vale é ser criativo, inteligente, ter bom gosto e talento.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Resenha de Disco: Cee Lo Green Reproduz a "Motown" em Disco Perfeito.

Cee Lo Green é a outra parte do Gnarls Barkley, que em 2006, juntamente com o seu companheiro artístico Danger Mouse, foi alçado à fama com o single "Crazy", tocado e cantado repetidamente pelo mundo todo. Porém, no ano de 2010, foi lançado seu terceiro disco solo, distruibuído no Brasil pela Warner Music, intitulado "The Lady Killer", e o resultado não poderia ser melhor: um disco enérgico e maravilhosamente sedutor. Cee Lo Green nos leva de volta ao tempo da Motown, gravadora americana de discos que lançou grandes ídolos da black music, como Jackson's 5, Marvin Gaye, Diana Ross e The Temptations. Naquela época a black music era abrangente, envolvendo estilos como jazz e soul, abusando de coreografias, vestimentas e penteados característicos dessa grande época para a música como um todo. Foi conhecida também como a primeira gravadora que mergulhou em temas político-sociais e encorajava seus artistas também a seguir essa vertente. Usando sua potente voz e batidas eletrizantes, Cee Lo Green cria um dos melhores discos internacionais do já citado ano. O primeiro single foi "Fuck You", que já concorreu a Grammys, sendo uma música dançante e cujo clipe traduz o título do álbum, mostrando um Cee Lo Green na infância e adolescência, sendo desprezado por grandes paixões, até sua vida adulta, no auge da fama e sucesso. O álbum é uma mistura de Soul Music com altas doses de eletrônica, abusando dos corais Gospel que fazem toda uma diferença na composição final da música, nos remetendo ainda mais aos tempos da Motown. "Wildflower", "Satisfied" e "I Want You" são os grandes e maravilhosos destaques do disco. Usando o brilho da Motown e trazendo toda essa grandiosa experiência musical para os dias de hoje, Cee Lo Green é dono de um disco perfeito.