Buscando cada vez mais incrementar o nosso Blog, eis que surge mais uma integrante: Ludimila Marinho. Formada em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa e Pós - Graduada em Moda, Cultura de Moda e Artes pela Universidade Federal de Juiz de Fora, essa mineira de 24 anos, amante das formas inteligentes de se fazer arte, integra nossa equipe com a proposta de trazer o melhor da arte como entretenimento, com uma linguagem informal mas, dinâmica, divertida e cultural, conferindo um ar feminino ao nosso trabalho. Seja bem vinda ;)
quarta-feira, 11 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Resenha de Filme: "Inquietos" Mostra Que Um Filme Adolescente Pode Ser Maduro e Inteligente.
É notável a falta de qualidade
e maturidade dos filmes atuais feitos sobre (e para) adolescentes: High
School Musical é o maior exemplo de como o público jovem tem sido cada
vez mais infantilizado pelo cinema. Ou pior: como cada vez mais crianças
são transformadas em adolescentes fora da hora, mas isso é assunto para
outra resenha. O que quero dizer é que Hollywood mostrou, em sua
maioria, improdutiva para filmes jovens que fossem maduros e
inteligentes. A sorte é que Gus Van Sant,
um dos maiores cineastas da cena independente americana, carrega -
firme e forte - o duro fardo de ser um dos poucos (quiçá o único) nos Estados Unidos que consegue articular, em um mesmo filme, maturidade e inteligência em histórias adolescentes.
Para quem conhece pouco, Gus é o diretor de dois clássicos do cinema
jovem: "Paranoid Park" e "Elefante", além de ser a mente por trás do
aclamadíssimo "Milk". Em "Inquietos",
o cineasta mostra mais uma vez que há vida inteligente na adolescência,
ao contar a história de um casal jovem sem imbecilizá-los. No filme, Henry Hooper
interpreta Enoch Bae, um jovem que perdeu a fé na vida ao ficar órfão e
passa a viver isolado, com seu amigo fantasma Hiroshi, um piloto
kamikaze da Segunda Guerra, tendo como hábito invadir funerais de
desconhecidos. Em um desses funerais, ele conhece Annabel (Mia Wasikowska, também em "Alice no País das Maravilhas" de Tim Burton),
vítima de um câncer em estágio terminal. Daí surge uma amizade que logo
se transforma em namoro, e Gus Van Sant poderia facilmente transformar
essa história em um dramalhão (aliás, qualquer diretor menos experiente e
menos talentoso o faria), mas pelo contrário, apresenta um resultado
coeso e que não peca pelo excesso (e nem pela falta) de drama. É melhor
que "Elefante", seu clássico? Não, mas dá dignidade a personagens
adolescentes que, em outros filmes, sofrem pela falta de inteligência,
maturidade e pelo vazio de suas histórias.
Resenha escrita por Rafael Tavares.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Gilberto Gil Lançará Disco com Sucessos do Rei do Baião.
Será lançado em 11 de Julho, "Gilberto Gil Canta Luiz Gonzaga", disco produzido por Marcelo Fróes em que Gil homenageia a grande obra do "Rei do Baião". O álbum será editado pela Warner Music e contará com 14 músicas, basicamente as mais famosas de Luiz Gonzaga, como "Vem Morena", "Qui Nem Jiló", "O Xote das Meninas" e "Asa Branca".
domingo, 1 de julho de 2012
Resenha de Disco: Michael Kiwanuka Prova Mais Uma Vez o Talento do Reino Unido Para a Soul Music.
O Reino Unido recentemente tem sido o celeiro de grandes nomes da soul music: Joss Stone, Amy Winehouse, Duffy, Adele e Emeli Sandé são alguns dos talentos que atravessaram as fronteiras da ilha e conquistaram o mundo com a música tipicamente norte americana. Em janeiro desse ano, Michael Kiwanuka entrou na famosa lista da BBC Sound of 2012 como uma das promessas musicais do ano. Já em março, o jovem do norte de Londres, que tocou com Adele em 2011 na turnê da cantora, lançou seu primeiro disco, "Home Again", que para muitos já é considerada uma obra - prima do gênero. Explico: se algum desavisado ouvir o álbum sem saber ao certo quem é o artista, sem dúvida alguma pensará que se trata da remasterização de um álbum perdido da década de 60. A voz de Kiwanuka, os instrumentos, o clima do disco e a naturalidade dessa mistura são tão fiéis à soul music seiscentista a ponto do artista parecer ter vindo diretamente do passado para o presente. Nesse "retorno", o cantor nos apresenta um álbum que em alguns momentos pode fazer lembrar Bob Dylan, mas a grande influência de Michael é o legado de Ottis Redding, astro da soul music americana conhecido por suas interpretações passionais que partiu cedo demais, vítima de um acidente de avião em 1967, no começo do seu sucesso. Enquanto os atuais nomes de sucesso que carregam esse estilo em suas músicas, apresentam características dos grandes clássicos, mas dialogam claramente com o som contemporâneo, Michael Kiwanuka não segue o mesmo caminho e o seu "Home Again", com pérolas como "Tell me a Tale" (música que abre o disco em grande estilo) e "Any Day Will do Fine", parecem terem sido gravadas na década de 60, quando pesos pesados da soul music ainda estavam entre nós. Excelente pedida para os amantes, ou não, do estilo.
Resenha escrita por Rafael Tavares.
Resenha escrita por Rafael Tavares.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Resenha de Disco: A Irreverência da "Graveola e o Lixo Polifônico" é Grande Destaque na Música Brasileira Atual.
Coletivo musical oriundo da cidade de Belo Horizonte, onde possui um grande número de fãs que lotaram o Palácio das Artes na gravação do seu DVD, o "Graveola e o Lixo Polifônico" é uma banda conhecida por sua mistura de ritmos, irreverência e enorme talento. Formada em 2004, a banda já tem no currículo um disco homônimo, lançado em 2008 e o "Um e Meio", de 2010. Atualmente o grupo é formado por Bruno de Oliveira, Flora Lopes, Juliana Perdigão (que também se arrisca em carreira solo com um grande disco), Yuri Vellasco, Luísa Rabello, Flávia Mafra e Rafael Barros. Marcados por experimentações, dando novos ares à música brasileira, a banda inclui um novo conceito que a impede de ser rotulada. Seu mais novo trabalho, "Eu Preciso de Um Liquidificador", que assim como os outros álbuns anteriores estão disponíveis para download gratuito no site da banda, segue o mesmo conceito dos álbuns anteriores, embora não embarque muito nas experimentações, prova da maturidade que a banda já está atingindo. Porém, as letras inteligentes e originais ainda estão lá, junto com a mistura marcante de MPB com Rock e até samba com a sensacional "Desdenha", grande destaque do disco. O álbum apresenta uma pegada mais popular que os anteriores, mas sem abrir mão da qualidade e da forma inteligente de se fazer música. "Desmantelado" apresenta claras características latinas, enquanto "Nesse Instante Só" apresenta o melhor da MPB com a afinada voz de Juliana Perdigão. "Blues Via Satélite" soa como uma divertida brincadeira, com swing contagiante, criticando as novas tecnologias na qual a sociedade está cada vez mais dependente. "Pra Parar de Vez" e "Desencontros" afloram uma sensibilidade mais que natural. É perceptível no disco a descontração que o grupo apresenta no palco. Já tive o prazer de assistir a um show do grupo e garanto que é diversão cultural garantida. Com presença de palco e um carisma fora do comum, a banda encantou a todos da platéia. Enquanto tivermos "Graveola e o Lixo Polifônico", a irreverência e descontração na música brasileira de qualidade estarão garantidas.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Resenha de Disco: Mart'nália Mostra em Seu Novo Disco, Produzido por Djavan, Que Seu Talento Não Se Limita ao Samba.
Um movimento de flerte com o pop e diferentes ritmos fez com que cantoras de prestígio abandonassem, em seus mais recentes trabalhos, a zona de conforto dos estilos que a consagraram: Roberta Sá em seu "Segunda Pele" e Norah Jones com seu "Little Broken Hearts" investiram em experimentações, sem se distanciarem por completo da essência dos seus discos anteriores. São as mesmas artistas, mas com roupas novas. Em seu novo disco de estúdio, "Não Tente Compreender", lançado pela Biscoito Fino, a sambista Mart'nália segue o mesmo caminho e monta um repertório que foge do seu tradicional, sem destoar daquilo que a consagrou e sabe fazer bem: o samba. Para dar vida a esse trabalho, a cantora e compositora contou com a apurada produção de Djavan, que trouxe uma sonoridade típica da sua discografia: aliás, para os que conhece a obra do artista, "Não Tente Compreender" poderia muito bem se passar por um disco de Djavan que fora gravado por Mart'nália. A faixa que dá nome ao disco, então, é a cara do cantor alagoano. Mart'nália se aventura pelo rock, pop, bossa nova e jazz com desenvoltura, soando natural e sentindo-se em casa. "Zero Muito", mais rockeira, poderia ser do repertório de Cássia Eller. Mas, o grande mérito de Mart'nália fica por conta de sua voz inconfundível e na riqueza de suas interpretações, que apresentam nuances que nem sempre o estilo fortemente ritmado do samba permite. Falando em samba, ele não ficou de fora, ainda que em roupagens intimistas. "Surpresa" (que soa como bossa nova), "Itinerário" e "Vai Saber" (presente também no disco "Micróbio do Samba", de Adriana Calcanhotto) são canções que combinam mais com um barzinho e violão do que com os grandes shows de carnaval. "Não Tente Compreender" é um álbum que agrada aos ouvidos exigentes e ainda tem cacife para ser sucesso nas rádios e trilhas de novela. Ponto para Mart'nália, que mostra que o samba é só um dos seus muitos talentos.
Resenha escrita por Rafael Tavares.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Resenha de Disco: Gui Amabis Apresenta Suas Memórias em Álbum Conceitual.
Gui Amabis é um artista completo, embora pouco conhecido pelo grande público. Já produziu diversos discos, assinou trilha sonora de alguns filmes, como "Quincas Berro d'água" e "O Senhor das Armas" e agora lança o conceitual "Memórias Luso - Africanas", primeiro disco solo do artista, lançado de forma independente e disponível para download gratuito no site do artista. Gui se inspirou nas antigas histórias contadas por sua avó, que aos poucos foi perdendo a memória e assim, ele foi compondo músicas que lembrassem as histórias dos seus antepassados, portugueses e africanos (daí o título dado ao disco). Dessa forma, lançou o projeto contando uma breve, mas inspiradora história familiar. O álbum tem grandes participações, como Céu (esposa do artista), Tulipa Ruiz, Lucas Santtana e Criolo. Gui Amabis contou com alguns importantes instrumentistas da cena musical brasileira, como Dengue (baixo) e Curumin (bateria), buscando referências também no grupo musical "Sonantes". O artista compôs a maioria das letras presentes no álbum, com exceção de "O Deus que devasta, mas também cura", escrita por Lucas Santtana e "Orquídea Ruiva" e "Para Mulatu", compostas por Criolo. O disco apresenta grande influência de músicas caribenhas, portuguesas e africanas, com destaque para "Sal e Amor" cantada por Tulipa Ruiz e "Swell", cantada por Céu. Já ao fim da primeira audição, percebemos a belíssima história contada e cantada que está presente nesse álbum original e esperamos ansiosos por mais obras desse inspirado artista.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Criolo Foi o Grande Vencedor do 23° Prêmio da Música Brasileira.
Criolo foi o grande vencedor do 23º Prêmio da Música Brasileira, que aconteceu nesse 13 de Junho no Teatro Municipal Rio. O rapper levou para casa os prêmios de Melhor Cantor e Melhor Álbum na categoria pop/rock/reggae/hip hop/funk e foi premiado também como Artista Revelação. Líder de indicações, o pernambucano Herbert Lucena, levou os prêmios de Melhor Cantor e Melhor Álbum na Categoria Regional. Seu disco "Não me peçam que eu jamais dê de graça tudo aquilo que eu tenho pra vender" levou o prêmio de Projeto Visual. A música "Sinhá", composta por Chico Buarque e João Bosco foi eleita a melhor música do ano. Na lista de vencedores ainda estão Fundo de Quintal (Melhor Grupo de Samba), Dori Caymmi (Melhor Cantor e Álbum de MPB), Alcione (Melhor Cantora e Álbum Popular), Beth Carvalho (Melhor Álbum de Samba) e Mônica Salmaso (Melhor Cantora de MPB). Homenageado da noite, o cantor João Bosco fez belíssima apresentação e foi aplaudido de pé.
Eis os vencedores em algumas das categorias:
Arranjador
Gilson Peranzzetta - álbum "Iluminado", de Dominguinhos
Gilson Peranzzetta - álbum "Iluminado", de Dominguinhos
Melhor canção
"Sinhá". Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em "Chico"
"Sinhá". Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em "Chico"
Projeto visual
Herbert Lucena - álbum "Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender". Projeto: Evandro Borel
Herbert Lucena - álbum "Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender". Projeto: Evandro Borel
Revelação
Criolo
Criolo
CATEGORIA MPB
Álbum: "Poesia Musicada", de Dori Caymmi. Produtor: Dori Caymmi
Grupo: Passo Torto / "Passo Torto"
Cantor: Dori Caymmi / "Poesia Musicada"
Cantora: Mônica Salmaso / "Alma Lírica Brasileira"
CATEGORIA POP/ROCK/REGGAE/HIP HOP/FUNK
Grupo: Passo Torto / "Passo Torto"
Cantor: Dori Caymmi / "Poesia Musicada"
Cantora: Mônica Salmaso / "Alma Lírica Brasileira"
CATEGORIA POP/ROCK/REGGAE/HIP HOP/FUNK
Álbum: "Nó na Orelha", de Criolo. Produtores: Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman
Grupo: Mundo Livre S/A / "Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa"
Cantor: Criolo / "Nó na Orelha"
Cantora: Marisa Monte / "O que Você quer Saber de Verdade"
CATEGORIA SAMBA
Grupo: Mundo Livre S/A / "Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa"
Cantor: Criolo / "Nó na Orelha"
Cantora: Marisa Monte / "O que Você quer Saber de Verdade"
CATEGORIA SAMBA
Álbum: "Nosso Samba Tá Na Rua", de Beth Carvalho. Produtor: Rildo Hora
Grupo: Fundo de Quintal / "Nossa Verdade"
Cantor: Arlindo Cruz / "Batuques e Romances"
Cantora: Fabiana Cozza / "Fabiana Cozza"
Grupo: Fundo de Quintal / "Nossa Verdade"
Cantor: Arlindo Cruz / "Batuques e Romances"
Cantora: Fabiana Cozza / "Fabiana Cozza"
Resenha de Filme: "Eu Matei Minha Mãe" é um Grande Filme de um Diretor Superestimado.
Xavier Dolan é um caso raro de cineasta: aos 23 anos ele teve seus três longas-metragens selecionados no Festival de Cannes; o primeiro deles, "Eu Matei Minha Mãe", de 2009, saiu premiado da França depois de ser aplaudido por oito minutos na Croissette. Além disso, recebeu prêmios e menções especiais nos festivais de Bangkok e Palm Springs. Multifacetado, o diretor canadense também atua em seus filmes, uma clara referência a outro diretor, Woody Allen. Isso explica os motivos com que Dolan fosse recebido com tanto entusiasmo. Tratando-se de "Eu Matei Minha Mãe", tal entusiasmo se justifica: o roteiro foi escrito por ele aos 16 anos e Xavier Dolan apresenta uma trama madura e convincente. O protagonista é um jovem que começa a descobrir sua sexualidade tendo que conviver com sua mãe solteira, um tanto manipuladora e carente. À primeira vista, a rejeição do filho parece ser apenas aquela "vergonha" que os adolescentes têm dos pais, mas aqui o diretor cria um jogo inteligente e muito mais profundo: homossexual, a rejeição que o filho sente dessa mãe nasce da mágoa e culpa que geralmente enfrenta os gays ao se assumir e no filme, acaba se externando como um ódio inexplicável pela mãe. Em "Eu Matei Minha Mãe", o protagonista odeia as roupas, a ignorância e até a maneira que sua mãe come. Em contrapartida, a mãe não consegue compreender o filho e respeitar sua liberdade e espaço, e esse panorama cria um abismo entre os dois. O mérito de Dolan é conseguir contar essa história, tão simples em sua generalidade e tão complexa e dolorosa nas entrelinhas, numa paleta de cores que nos lembra o melhor de Almodóvar. É um drama maduro de um diretor seguro em sua função. É um drama maduro de um diretor seguro em sua função. Pena que seus filmes seguintes não foram agraciados com a mesma genialidade. "Amores Imaginários", de 2010, retrata o ímpeto sexual da juventude e é só "bom", onde Dolan parece copiar a si mesmo. Seu terceiro longa, Lawrence Anyways, de 2012, também selecionado para Cannes, não teve a mesma sorte que o seu debut: foi mal recebido e transformou Xavier Dolan em um cineasta superestimado e apenas acima da média. Apesar disso, "Eu Matei Minha Mãe" é um filme que deve ser visto.
Resenha escrita por Rafael Tavares.
domingo, 10 de junho de 2012
Resenha de Filme: "Os Inquilinos" Expõe Medos Sociais de Forma Intensa.
O perigo ronda toda e qualquer pessoa. Ele está presente em todos os lugares e surge muitas vezes sem avisar, embora também possa deixar recados antes de aparecer. Isso pode causar medos extremos em quem, aparentemente, não pode se defender. Válter (Marat Descartes) é um trabalhador correto que vive com sua mulher e dois filhos em um bairro de São Paulo e luta para ensinar valores a eles. Pai e marido exemplar, vê a sua rotina calma se transformar quando a vizinha aluga um quarto para três jovens arruaceiros. De repente, a casa ao lado passa a ser fonte de palavrões, brigas, festas, barulho e atrevimentos. Essa é a premissa de "Os Inquilinos - Os Incomodados Que se Mudem" de Sérgio Bianchi. O filme consegue tratar de assuntos polêmicos, mas de uma forma que apenas mostre que eles estão ali. Não necessariamente o mal acontece, mas o diretor permite que vejamos que ele existe, como a pedofilia, a exploração do trabalhador, o uso de drogas, os assassinatos. É típico do trabalho de Sérgio a crítica social, como ele fez em "Quanto Vale ou é Por Quilo?", estabelecendo uma analogia entre o comércio de escravos com a exploração do trabalhador nos dias de hoje, criticando também ONG's que apresentam boas intenções apenas de fachada. Em "Os Inquilinos", a família de Válter, mesmo vivendo com medo da violência e tentando de todas as formas fugir dela, a deixa entrar constantemente dentro do âmbito familiar, através de programas sensacionalistas ou nas conversas na hora da refeição. Para restabelecer a paz, Válter tenta a todo momento se firmar como o protetor, o macho alfa, mas sabe que sozinho pouco, ou nada, poderá fazer. Estão no elenco também Leona Cavalli, Anna Carbatti, Umberto Magnani, Caio Blat, Aílton Graça e Cássia Kiss. Por fim, o filme consegue passar a sua mensagem, de forma coesa e expõe os medos sociais que todos nós temos, abrindo brecha para uma longa conversa, ou no mínimo, alguns momentos de reflexão.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Resenha de Livro: "Leite Derramado" é Livro Para Quem Aprecia Uma Leitura Desafiadora.
Há quem diga que todas as histórias já foram contadas. Se for verdade, resta-nos então admirar as novas maneiras como são escritas e apresentadas a nós, e foi justamente esse o grande trunfo que Chico Buarque teve nas mãos ao escrever o maravilhoso "Leite Derramado". Contado em primeira pessoa, vemos um senhor com idade avançada, que passa seus dias numa cama de hospital rememorando as principais lembranças de sua vida enquanto ela própria se esvai aos poucos. É o anúncio da morte que se aproxima, mas sem previsão de chegada. Isso afeta a todos: enfermeiras, parentes, doentes e até mesmo o vento. Talvez ele conte sua história para que ela permaneça na lembrança de cada um. No ato de contar suas memórias e os grandes feitos da sua linhagem, nos transformamos no protagonista Eulálio e vivenciamos suas recordações de uma forma cruel, assustadora, mas ainda mágica: como ele, enfrentamos as dúvidas de uma mente que já dá sinal de cansaço, sentimos o corpo fatigado, a morte que já não tarda, mesmo que pareça tão turva e distante. Revivemos os sentimentos, as mágoas e todas as frustrações de Eulálio, que também podem ser nossas. Chico Buarque, através de seu protagonista, nos mostra como a vida é efêmera e como a morte é austera. E o autor ainda consegue, de forma inteligente e sem exageros, contar a trajetória da história brasileira e fluminense, como a Primeira República e a Ditadura Militar. "Leite Derramado" é para corajosos, que não tem medo de enfrentar a vida, a morte e uma literatura de qualidade. O site da Companhia das Letras, que publica o livro, afirma que "Leite Derramado é obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem". Concordo.
Resenha escrita por Rafael Tavares.
Esfinge Cultural Apresenta Rafael Tavares, Seu Novo Colaborador.
A fim de incrementar ainda mais o nosso trabalho, o Blog Esfinge Cultural conta com um novo colaborador. Trata-se de Rafael Tavares,
produtor Audiovisual formado em Mídias Digitais, TV e Cinema pela UFJF,
apaixonado por cinema, músicas, livros e arte. Conhecendo o intelecto e
o bom gosto desse rapaz, podemos esperar muitas novidades e coisas boas
vindo por aí. Seja bem vindo Rafael.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Tulipa Ruiz Anuncia Segundo Disco.
Sucessor do aclamado álbum "Efêmera", que foi lançado em 2010, "Tudo Tanto" é o nome do segundo álbum de Tulipa Ruiz, cantora conhecida e elogiada na cena indie brasileira, mas que já vem ganhando certa notoriedade. O disco foi produzido por Gustavo Ruiz e deve ser lançado já no início do segundo semestre de 2012, de forma independente.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Resenha de Disco: Rosa Passos Homenageia Elizeth Cardoso em Grande Estilo.
Rosa Passos
sempre foi conhecida pelo seu canto preciso, correto e por fina escolha
de repertório, que é pontuada desde o início da sua carreira. Também é
conhecida e respeitada nos Estados Unidos e inúmeros países desde que,
em 1996, foi convidada para participar de uma noite dedicada à música
brasileira no Jazz at the Bowl, na Califórnia. O disco "Me and My Heart"
foi primeiramente lançado no mercado americano em 2002 e somente anos
depois chegou ao Brasil. Tendo a incrível Elis Regina como inspiração,
pode-se dizer que a carreira de Rosa Passos é marcada por inúmeros acertos. O último deles atende pelo nome de "É Luxo Só", belíssimo disco, distribuído pela Biscoito Fino, em que a cantora faz uma homenagem a Elizeth Cardoso,
garimpando músicas que geralmente não são associadas a ela para compor o
repertório. As músicas escolhidas se tornaram mais famosas nas vozes de
outras pessoas do que na da própria Elizeth. São abordados temas como
"Último Desejo" e "Três Apitos", composições de Noel Rosa, bem como o clássico "As Rosas Não Falam" do mestre Cartola. É também do sambista a música "Acontece", na qual Rosa regravou com maestria. Outro grande destaque do álbum é "Diz Que Fui Por Aí",
música de Zé Keti e Hortencio Rocha. A canção que dá nome ao disco,
composição de Ary Barroso e Luiz Peixoto, beira a perfeição. O álbum foi
aclamado pelo crítica especializada e concorre ao 23° Prêmio da Música
Brasileira 2012, nas categorias Melhor Álbum de MPB e Melhor Cantora de
MPB. Assim como o seu trabalho, Rosa é luxo só.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Resenha de Disco: Último Trabalho de Jussara Silveira Foi, Infelizmente, Esquecido Pela Mídia.
Dona de um dos melhores discos de 2011, Jussara Silveira, assim como o seu último trabalho, foram esquecidos pela mídia. "Ame ou Se Mande" é o grande álbum de estúdio inspirado no show que a cantora realiza desde fevereiro de 2011. Embora o disco beire a perfeição, pouco se ouviu ou se falou dele, salvo alguns críticos de ouvidos apurados que o aclamaram da maneira que ele merecia. Lançado pela gravadora Jóia Moderna, "Ame ou Se Mande" é disco simples, que ressalta a voz clara e elegante de Jussara através de regravações escolhidas a dedo. Juntamente com os músicos Sacha Amback e Macelo Costa, Jussara deu vida a um repertório coeso, poético e deliciosamente sensível. Prova disso é que finalmente "Marcianita", famosa canção presente em seus shows, ganhou registro de estúdio. "A Voz do Coração" é a belíssima música de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos que abre o disco, seguida por "Ifá", de Cézar Mendes e Capinan, uma canção de oração e fé com referências baianas. Estão presentes no disco também "Dê Um Rolê" de Moraes Moreira e Luiz Galvão e "Tenho Dó das Estrelas" de Zé Miguel Wisnik. Destaque absoluto do disco, "Contato Imediato" do trio Tribalista (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown), ficou perfeita na voz de Jussara, de uma forma suave e tocante. Perfeito seria se cada brasileiro percebesse a beleza de "Ame ou Se Mande" e do incrível talento dessa cantora pouco conhecida. Ninguém poderá calar a voz do coração de Jussara Silveira. E os bons ouvidos agradecem.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Prêmio da Música Brasileira Divulga os Indicados a sua 23º Edição.
Foram divulgados na última segunda-feira, dia 24 de maio, os indicados ao 23° Prêmio da Música Brasileira 2012. O Pernambucano Herbert Lucena foi o campeão de indicações pelo disco “Não me peçam jamais que eu dê de graça aquilo que eu tenho pra vender”, concorrendo como melhor disco e cantor regional, revelação e projeto gráfico. Criolo, Beth Carvalho, Dori Caymmi, Cauby Peixoto e Dominguinhos vem logo em seguida com 3 indicações cada. "5 a Seco" concorre a melhor grupo na categoria MPB, "Casuarina", com "Trilhos Terra Firme" concorre como melhor grupo na categoria Samba. Rosa Passos, pelo seu grande trabalho "É Luxo Só" na qual homenageia Elizeth Cardoso, concorre nas categorias Melhor Álbum de MPB e Melhor Cantora de MPB. O disco Poesia Musicada de Dori Caymmi concorre nas categorias Arranjador, Melhor Álbum de MPB, Melhor Cantor. Graveola e o Lixo Polifônico concorre como melhor grupo de Pop/Rock/Reggae/HipHop/Funk. O Grande homenageado da premiação será o cantor João Bosco. A premiação será realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 13 de junho. Eis algumas das categorias e seus indicados:
CATEGORIA: ARRANJADOR
Dori Caymmi - álbum ‘Urubupeba’, de Antonio Carlos Bigonha
Gilson Peranzzetta - álbum ‘Iluminado’, de Dominguinhos
Mario Adnet - álbum ‘+ Jobim Jazz’, de Mario Adnet
CATEGORIA: MELHOR CANÇÃO
‘Arrasta a Sandália’. Compositores: Dayse do Banjo e Luana Carvalho. Intérpretes: Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, em ‘Nosso Samba Tá Na Rua’
‘Sinhá’. Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em ‘Chico’
‘Zoeira’. Compositores: Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho. Intérprete: Áurea Martins, em ‘Depontacabeça’
CATEGORIA: PROJETO VISUAL
Dalua e Mestre Maurão - álbum ‘O Samba de Roda de Dalua e Mestre Maurão’. Projeto: Gringo Cardia
Herbert Lucena - álbum ‘Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender’. Projeto: Evandro Borel
João Parahyba - álbum ‘O Samba no Balanço do Jazz’. Projeto: Bijari
CATEGORIA: REVELAÇÃO
Criolo
Filipe Catto
Herbert Lucena
Dori Caymmi - álbum ‘Urubupeba’, de Antonio Carlos Bigonha
Gilson Peranzzetta - álbum ‘Iluminado’, de Dominguinhos
Mario Adnet - álbum ‘+ Jobim Jazz’, de Mario Adnet
CATEGORIA: MELHOR CANÇÃO
‘Arrasta a Sandália’. Compositores: Dayse do Banjo e Luana Carvalho. Intérpretes: Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, em ‘Nosso Samba Tá Na Rua’
‘Sinhá’. Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em ‘Chico’
‘Zoeira’. Compositores: Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho. Intérprete: Áurea Martins, em ‘Depontacabeça’
CATEGORIA: PROJETO VISUAL
Dalua e Mestre Maurão - álbum ‘O Samba de Roda de Dalua e Mestre Maurão’. Projeto: Gringo Cardia
Herbert Lucena - álbum ‘Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender’. Projeto: Evandro Borel
João Parahyba - álbum ‘O Samba no Balanço do Jazz’. Projeto: Bijari
CATEGORIA: REVELAÇÃO
Criolo
Filipe Catto
Herbert Lucena
CATEGORIA: MPB
Melhor Álbum
‘Chico’, de Chico Buarque. Produtor: Luiz Claudio Ramos
‘É Luxo Só’, de Rosa Passos. Produtores: Renata Borges e Luiz Felipe Caetano
‘Poesia Musicada’, de Dori Caymmi. Produtor: Dori Caymmi
Melhor Grupo
5 a seco / ‘Ao vivo no Auditório Ibirapuera’
Passo Torto / ‘Passo Torto’
Quarteto Primo / ‘Dorival’
Melhor Cantor
Cauby Peixoto / ‘A Voz do Violão’
Dori Caymmi / ‘Poesia Musicada'
Filipe Catto / ‘Fôlego’
Melhor Cantora
Áurea Martins / ‘Depontacabeça’
Mônica Salmaso / ‘Alma Lírica Brasileira’
Rosa Passos / 'É Luxo Só'
CATEGORIA: POP/ROCK/REGGAE/HIPHOP/FUNK
Melhor Álbum
‘Nó na Orelha’, de Criolo. Produtores: Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman
‘Tempo de Menino’, de Pedro Luis. Produtores: Rodrigo Campello e Jr. Tostoi
‘Todo Dia é o Fim do Mundo’, de Lula Queiroga. Produtores: Lula Queiroga e Yuri Queiroga
Melhor Grupo
Agridoce / ‘Agridoce’
Graveola e o Lixo Polifônico / ‘Eu Preciso de Um Liquidificador’
Mundo Livre S/A / ‘Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa’
Melhor Cantor
Caetano Veloso / ‘Zii e Zie ao Vivo’
Criolo / ‘Nó na Orelha’
Seu Jorge / ‘Músicas para Churrasco Vol.1’
Melhor Cantora
Gal Costa / ‘Recanto’
Marisa Monte / 'O que Você quer Saber de Verdade'
Zélia Duncan / ‘Pelo Sabor do Gesto – Em Cena’
Melhor Álbum
‘Chico’, de Chico Buarque. Produtor: Luiz Claudio Ramos
‘É Luxo Só’, de Rosa Passos. Produtores: Renata Borges e Luiz Felipe Caetano
‘Poesia Musicada’, de Dori Caymmi. Produtor: Dori Caymmi
Melhor Grupo
5 a seco / ‘Ao vivo no Auditório Ibirapuera’
Passo Torto / ‘Passo Torto’
Quarteto Primo / ‘Dorival’
Melhor Cantor
Cauby Peixoto / ‘A Voz do Violão’
Dori Caymmi / ‘Poesia Musicada'
Filipe Catto / ‘Fôlego’
Melhor Cantora
Áurea Martins / ‘Depontacabeça’
Mônica Salmaso / ‘Alma Lírica Brasileira’
Rosa Passos / 'É Luxo Só'
CATEGORIA: POP/ROCK/REGGAE/HIPHOP/FUNK
Melhor Álbum
‘Nó na Orelha’, de Criolo. Produtores: Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman
‘Tempo de Menino’, de Pedro Luis. Produtores: Rodrigo Campello e Jr. Tostoi
‘Todo Dia é o Fim do Mundo’, de Lula Queiroga. Produtores: Lula Queiroga e Yuri Queiroga
Melhor Grupo
Agridoce / ‘Agridoce’
Graveola e o Lixo Polifônico / ‘Eu Preciso de Um Liquidificador’
Mundo Livre S/A / ‘Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa’
Melhor Cantor
Caetano Veloso / ‘Zii e Zie ao Vivo’
Criolo / ‘Nó na Orelha’
Seu Jorge / ‘Músicas para Churrasco Vol.1’
Melhor Cantora
Gal Costa / ‘Recanto’
Marisa Monte / 'O que Você quer Saber de Verdade'
Zélia Duncan / ‘Pelo Sabor do Gesto – Em Cena’
CATEGORIA: SAMBA
Melhor Álbum
'Em Boas e Mais Companhias' , de Ivor Lancelotti. Produtor: Família Lancelotti
‘Fabiana Cozza’, de Fabiana Cozza. Produtor: Paulão 7 cordas
‘Nosso Samba Tá Na Rua’, de Beth Carvalho. Produtor: Rildo Hora
Melhor Grupo
Casuarina / 'Trilhos - Terra Firme'
Fundo de Quintal / 'Nossa Verdade'
Sururu na Roda / 'Se você me ouvisse - 100 Anos de Nelson Cavaquinho'
Melhor Cantor
Arlindo Cruz / ‘Batuques e Romances’
Douglas Germano / ‘Orí’
Leandro Lehart / 'Ensaio de Escola de Samba'
Melhor Cantora
Aline Calixto / ‘Flor Morena’
Fabiana Cozza / ‘Fabiana Cozza’
Beth Carvalho / 'Nosso Samba Tá Na Rua'Melhor Álbum
'Em Boas e Mais Companhias' , de Ivor Lancelotti. Produtor: Família Lancelotti
‘Fabiana Cozza’, de Fabiana Cozza. Produtor: Paulão 7 cordas
‘Nosso Samba Tá Na Rua’, de Beth Carvalho. Produtor: Rildo Hora
Melhor Grupo
Casuarina / 'Trilhos - Terra Firme'
Fundo de Quintal / 'Nossa Verdade'
Sururu na Roda / 'Se você me ouvisse - 100 Anos de Nelson Cavaquinho'
Melhor Cantor
Arlindo Cruz / ‘Batuques e Romances’
Douglas Germano / ‘Orí’
Leandro Lehart / 'Ensaio de Escola de Samba'
Melhor Cantora
Aline Calixto / ‘Flor Morena’
Fabiana Cozza / ‘Fabiana Cozza’
domingo, 13 de maio de 2012
Resenha de Disco: Filipe Catto Esbanja Sensibilidade em Álbum Inspirado.
Cantor gaúcho, Filipe Catto despontou em 2009 com o EP "Saga", disponibilizado de forma legal para download no site do artista. O referido disco já anunciava o poder passional existente em suas músicas. Muito comparado a Ney Matogrosso pela voz um tanto quanto afeminada e pela interpretação performática, Filipe Catto vai além do que mera cópia do líder dos Secos e Molhados. Seu primeiro e já aclamado disco "Fôlego", lançado pela Universal Music, é marcado por repertório próprio com algumas regravações que ganharam novas formas para serem encaixadas no estilo característico do cantor. "Adoração", música inédita composta por ele, abre o álbum, seguida por "Gardênia Branca", também de autoria própria, com ares de tango, ritmo que pode ser encontrado em outras faixas, como "Saga", que tal qual "Crime Passional" e "Roupa do Corpo", foi reaproveitada do primeiro EP. "Ave de Prata", música de Zé Ramalho é um grande destaque, resultando em uma obra-prima na voz do artista. "Garçom", canção popularizada na voz de Reginaldo Rossi também foi regravada de forma inspirada. O disco é difícil de se classificar, visto que Filipe Catto mescla ritmos diversos, que vão desde o samba de "Juro por Deus" ao clima de cabaré presente em "Johnny, Jack and Jameson" e em "Dia Perfeito", música da banda gaúcha "Cachorro Grande". Já na primeira audição percebemos que Filipe Catto é artista que esbanja sensibilidade e seu fantástico e inspirado disco de estreia já é capaz de colocá-lo no hall dos grandes novos cantores brasileiros.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Resenha de Disco: Curumin Continua Sua Experimentação Regional em Novo Disco.
O músico Curumin, ou Luciano Nakata, anuncia: meu novo disco tem pressão. Sucessor de Achados e Perdidos (2005) e o aclamado Japan Pop Show (2008), "Arrocha" continua seguindo as influências regionais que o cantor gosta tanto de inserir em seus trabalhos, embora se distancie um pouco das experimentações instrumentais e do balanço que foi característico de seus últimos discos. Curumin conseguiu incluir deliciosas batidas eletrônicas nesse novo álbum, mesmo fazendo uma homenagem ao vinil, no melhor estilo rústico. O disco foi inteiramente gravado em um estúdio particular do cantor e conta com tiragem de 500 mil exemplares em vinil distribuído pela Urban Records. "Arrocha" é um disco curto, composto por grande número de vinhetas e faixas relativamente breves, mas muito interessantes. O artista faz um passeio por passagens do cotidiano, com crônicas do dia a dia, dando espaço até para momentos românticos, deixando um pouco de lado sua veia crítica, que tanto influenciou o último trabalho. Assim como o que a cantora e sua amiga Céu fez em "Caravana Sereia Bloom", Curumin pegou ritmos que já estavam desgastados, deu uma nova roupagem aos mesmos e garantiu mais uma novidade criativa para a música brasileira. "Arrocha" é o disco mais pesado do cantor, segundo o que ele próprio propaga e podemos perceber no groove frenético de "Afoxoque", no reggae suingado de "Vestido de Prata" e no afrobeat presente em "Selvage", grandes destaques do disco. Ao fim de atentas audições, nota-se que Curumin nos presenteia com um álbum solto, diversificado, com qualidades distintas, caracterizado como mais um grande lançamento desse excepcional artista.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Resenha de Livro: Em "As Esganadas", Jô Soares Segue Misturando História, Ficção e Comédia Policial.
Em seu mais novo livro, "As Esganadas", lançado pela Companhia das Letras, Jô Soares segue misturando fatos reais da História com ficção em um enredo de comédia policial, assim como fez com seus livros anteriores, "O Xangô de Baker Street", onde podiamos encontrar personagens reais como Sarah Bernhardt, com fictícios como Sherlock Holmes e ganhou uma versão para as telonas, "O Homem que Matou Getúlio Vargas" e "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras". Se antes os alvos eram prostitutas, políticos e "imortais", agora são as obesas que correm perigo. Jô tem um estilo muito característico e reconhecível, ressaltando fatos conhecidos da história para dar maior visibilidade e entendimento ao que está sendo contado. Nesse novo livro, o serial killer é apresentado já no início da história e a razão pela qual ele comete atos bárbaros contra mulheres gordas também. Caronte é dono de luxuosa funerária no Rio de Janeiro, na década de 30. Na infância, tinha uma mãe obesa e extremamente controladora, a qual ele acaba matando e anos mais tarde enxerga em toda mulher gorda a figura da mãe, que controlava sua alimentação. A história é basicamente um retrato das loucuras e crimes de Caronte, com ênfase na maneira atrapalhada que polícia e investigadores tentam solucionar o crime, em especial o detetive Tobias Esteves. Apresentar o assassino já no início pode não ter sido um passo muito acertado do autor, já que Caronte não é o que se pode chamar de personagem interessante. Deixar o mistério para ser desvendado no final teria sido mais instigante. Com o humor que lhe é peculiar, Jô descreve cenas fortes de assassinato sem que isso choque o leitor, ao contrário, essas cenas são no mínimo curiosas e tratadas de forma bem leve, até demais acredito. O livro, porém, já conta com grande número de exemplares vendidos e, assim como os anteriores, já pode ser considerado um sucesso. Leitura despretensiosa e interessante, "As Esganadas" é mais um bom livro desse já consagrado autor.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Resenha de Disco: Blubell Lança Mão de Voz Incomum e Clima Retrô Como Diferencial.
Isabel Fontana Garcia, conhecida no meio musical como Blubell, iniciou sua carreira nas bandas Tobasco, Feira Livre e já participou de shows do Funk Como Le Gusta, além de usar sua voz para jingles de comerciais de televisão. Seu primeiro álbum, "Slow Motion Ballet" foi lançado em 2006 de forma independente e somente cinco anos depois ela colocou no mercado "Eu Sou do Tempo Em Que a Gente Se Telefonava", seu segundo disco, lançado pela Y Brasil que conta com um repertório parcialmente autoral. O Quarteto de Jazz "À Deriva" acompanha a cantora no disco que lança mão do clima retrô como diferencial, misturando pop com jazz na voz suave e um tanto quanto incomum da cantora paulista. Destaque do disco, a excelente "Chalala" foi tema de abertura da minissérie Aline, da Rede Globo. O clipe da música foi inspirado no "Subterranean Homesick Blues" de Bob Dylan e é bem interessante. Algumas músicas são cantadas em inglês, como é o caso de "Velvet Wonderland", música que nos remete à Bossa Nova e "Good Hearted Woman" que conta com a participação de Tulipa Ruiz, que está presente também em "Pessoa Normal" . Outra que faz participação no disco é Baby do Brasil em "1, 2, 3, 5". Lançado no Teatro do SESC em São Paulo em Janeiro de 2011, o disco possui um clima de Cabaret, que também esteve presente no show de lançamento. "Mão e Luva" e "Estrangeira" são outros destaques no disco de repertório afiado, capaz de dar visibilidade a essa criativa cantora e compositora.quinta-feira, 12 de abril de 2012
Resenha de Disco: Banda "5 a Seco" Explora Novas Cenas Musicais Para Ouvidos Exigentes.
Grupo formado pelos jovens Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni, "5 a Seco" começou timidamente, em pequenos shows, até que estouraram nas redes sociais e ganharam grandes proporções no meio musical, tudo através do famoso boca a boca, conquistando um público diversificado, mas nem por isso menos seleto. Alguns integrantes, como Tó Brandileone, já fizeram seus nomes em carreira solo. O som do grupo paulista é despretensioso, como uma brincadeira musical. Brincam com as vozes, com as composições, com as cordas. O primeiro DVD "Ao Vivo no Auditório Ibirapuera", lançado recentemente, ressalta a qualidade desses jovens artistas e conta com participações mais que especiais. Maria Gadú participa de "Em Paz" e Lenine em "Ou Não". No palco, 5 a Seco tece uma colcha de ritmos musicais com inspiração teatral e timbres únicos. O repertório conta com MPB, Samba de Raiz, Indie Rock e ainda passeia por ritmos nordestinos. Músicas como "Pra Você Dar o Nome", "Feliz Pra Cachorro" e "Vou Mandar Pastar" já são bem conhecidas do público indie. A bela "Gargalhadas", com letra linda e otimista, já cantada por Bruna Caram no seu disco "Feriado Pessoal", é outra música que cumpre o papel de dar luz e brilho ao repertório da banda. Modernos, 5 a Seco traz um novo frescor à música, de forma leve, com disco que pode e deve ser ouvido a qualquer hora do dia ou da noite. Em um país onde a mídia busca por melodias fáceis, banais e pouco inteligentes, o grupo se destaca, explorando novas possibilidades musicais para satisfazer os ouvidos exigentes.terça-feira, 3 de abril de 2012
Conselho Musical: Casuarina é a Raiz do Samba na Música Brasileira Atual.
Constantemente nos deparamos com as mídias caracterizando pagodeiros como sambistas. Há de se entender: samba é samba, pagode é pagode. O pagode romântico que infesta as rádios hoje em dia em nada pode ser comparado ao bom e velho samba. O Samba de Raiz é a expressão autêntica da cultura brasileira. O violão de sete cordas, o cavaquinho, o pandeiro de couro, a cuíca, o surdo, o tamborim, o bandolim, formando o samba de partido alto, o samba de terreiro, o samba dolente, sincopado e ritmado. Ao contrário dos grupos de pagode que hoje são exaltados por todo o Brasil, um verdadeiro grupo de samba se apresenta em sua forma mais pura. Trata-se de Casuarina, grupo com pouco mais de dez anos de carreira, formado pelos jovens cariocas, Daniel Montes (violão 7 cordas), João Cavalcanti (percussão e voz), Rafael Freire (cavaquinho), João Fernando (bandolim) e Gabriel Azevedo (voz e percussão). Com primeiro disco homônimo lançado em 2005 pela Biscoito Fino e "Certidão", segundo disco lançado em 2007, o Casuarina ganhou maiores projeções em 2009 ao gravar o MTV Apresenta Casuarina, lançado pela Sony Music, ao vivo no formato CD e DVD, repleto de grandes regravações como "Baile no Elite", "Swing de Campo Grande", "Canto de Ossanha" e "Cabelos Brancos", contando com participações de Frejat, Moska, Roberto Silva, entre outros. Esse disco, um marco na carreira do grupo, foi gravado na Fundição Progresso no Rio de Janeiro. O último trabalho, lançado em 2011 pela Warner Music, intitulado "Trilhos Terra Firme" é um disco autoral, com as músicas compostas pelos componentes do grupo, entre samba de gafieira (Dissimulata), samba de roda (Pequenino) e músicas que mantêm as tradições do samba carioca (Murmúrio, Fulô de Caju, Gravata). Com uma trajetória coesa, buscando resgatar a tradição do verdadeiro samba para os dias atuais, o Casuarina é a Raiz do Samba na música Brasileira e merece uma maior projeção. A cultura musical agradece.sexta-feira, 23 de março de 2012
Resenha de Filme: "Balada do Amor e do Ódio" é Filme Interessante, Mas Para Poucos.
Dirigido por Alex de la Iglesia, o filme espanhol "Balada do Amor e do Ódio", originalmente "Balada Triste de Trompeta" é de difícil digestão. Ambientando-se primeiramente no início da Guerra Civil Espanhola, que colocou o General Franco no poder, é complicado atribuí-lo a determinado gênero, pois tanto vai da comédia de humor negro ao drama, passando pelo terror e suspense. Javier, interpretado por Carlos Areces vê seu pai e demais companheiros de circo serem forçados a participar da guerra, onde pode-se ver todos os tipos de atrocidades. Assim, cresceu primeiro sem a mãe e depois sem o pai, que morreu na sua frente durante a guerra. Mais tarde, já adulto, começa a trabalhar em um circo, desempenhando o papel de Palhaço Triste, aquele que arma as situações para que o outro palhaço soe engraçado, profissão que seu pai e avô seguiam. No circo ele se apaixona pela trapezista Natalia (Carolina Bang), mulher de Sergio (Antonio de la Torre), que interpreta o Palhaço Feliz, homem de índole violenta que quando bêbado é capaz de espancar quem encontre pelo caminho, sendo Natalia sua principal vítima. Tentando ajudar a amada, que se sente dividida entre o amor sereno de Javier e a paixão destrutiva de Sergio (uma comparação clara com a Espanha, separada na época entre fascistas e republicanos), Javier trava com Sergio a partir de então, uma luta de proporções sádicas que beiram o exagero. Exagero esse que se encontra por todo o filme. O ambiente escuro, a maquiagem borrada, a violência, a trilha sonora tensa, tudo colabora para uma estética que parece misturar Tarantino com Almodóvar. O caos criado mostra até onde uma pessoa pode chegar pelo amor ou falta dele. O extremo a que o filme chega pode causar admiração em alguns espectadores, como repulsa em outros, principalmente aos acostumados a filmes "comerciais", sendo um filme para poucos é impossível passar indiferente a ele. Depois de "Balada do Amor e do Ódio", o medo que algumas pessoas tem de palhaços se torna completamente justificável.quinta-feira, 22 de março de 2012
Resenha de Disco: Grande Projeto Musical, Sonantes Reúne Céu a Grandes Músicos.
O grupo musical Sonantes é um projeto paralelo composto por Gui Amabis e Rica Amabis, Dengue e Pupillo (músicos da Nação Zumbi), também componentes do 3namassa. Incensada nos Estados Unidos e em alguns países Europeus desde seu primeiro disco homônimo, a cantora Céu assume o vocal da banda. Lançado primeiramente nos EUA pela Six Degrees, o primeiro álbum que leva o nome do grupo chega ao Brasil pelo selo Oi Música e reintera do talento dos músicos e principalmente a versatilidade de Céu. O grupo faz uma mistura de MPB com ritmos regionais, batidas afro e um leve tom de eletrônica. O resultado é um som desconexo, porém único, que soa apenas como Sonantes. Embora Céu tenha uma voz magistral, grande parte do excelente conteúdo presente no disco se deve ao talento único dos músicos. Voando ainda mais longe nas melodias, o grupo adiciona ska e dub, bem como referências dos anos 60 e 70 ao repertório já heterogêneo. O Projeto conta com um grande time de convidados, que incluem Beto Villares, Apollo 9, Fernando Catatau, Lúcio Maia e Siba, que canta a música "Toque de Coito", tema sombrio e introspectivo. A faixa "Frevo de Saudade" conta com pequenas batidas eletrônicas que de forma discreta acaba se tornando o grande destaque do álbum, juntamente com a beleza da letra de "Quilombo Te Espera". Algumas faixas são exclusivamente instrumentais, como "Looks Like To Kill" e "Mambobit". Mesmo na incerteza da continuação do projeto e de novos álbuns, a certeza é que com um grande disco, Sonantes debuta muito bem no mercado fonográfico.terça-feira, 13 de março de 2012
Novo Disco de Bethânia Ganha Data de Lançamento.
Programado para chegar ao mercado dia 30 de Março pela Biscoito Fino, o novo disco de Maria Bethânia, intitulado "Oásis de Bethânia", conta com participações de grandes nomes da MPB. A começar pelo cantor e compositor Lenine, que divide os vocais com a soberba cantora em "O Velho Francisco", música de Chico Buarque. Composições de Roque Ferreira como "Casablanca", "Fado" e "Barulho" também estão no repertório. Djavan participa da música "Vive", composta por ele. Outra canção a entrar no disco é "Calúnia", imortalizada na voz da grande Dalva de Oliveira e a própria Bethânia assina o texto de abertura de "Carta de Amor". Provavelmente mais um grande lançamento dessa inigualável artista.segunda-feira, 12 de março de 2012
Resenha de Disco: União de Músicos dá Vida a Passo Torto, em Meio a Crônicas e Sentimentos.
Encabeçado por grandes nomes do cenário musical brasileiro, oriundos de São Paulo, a saber, Rômulo Fróes, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Marcelo Cabral, se juntaram para formar a super banda Passo Torto, projeto já bem sucedido nessa nova safra da música nacional, que vai do samba em suas várias formas ao rock leve e introspectivo. Para isso, a Cidade Grande, no caso, São Paulo, serve de cenário para músicas e crônicas do cotidiano na metrópole. Rômulo Fróes, já conceituado cantor do cenário indie cultural Brasileiro, continua apresentando um excelente trabalho que já é aclamado quanto cantor solo e consegue ultrapassar a linha do excepcional ao juntar sua marcante voz com o violão de Kiko Dinucci, o cavaquinho de Rodrigo Campos e o baixo de Marcelo Cabral, todos muito bem sucedidos em carreiras individuais. As críticas à cidade cinza são pontuadas de forma competente com letras muito bem amarradas em um instrumental percurssivo. Se em "Da Vila Guilherme ao Imirim" a história se desenrola dentro de um ônibus, "Faria Lima Pra Cá" troca o meio de condução pelo metrô, enquanto o protagonista desenrola seus problemas e suas visões da cidade. O clima introspectivo se encontra presente em quase todo o disco, que ainda encontra lugar para o romantismo e as carências sentimentais em "Por Causa Dela" e conotações sexuais em "Sem Título e Sem Amor", onde não há amor, restando apenas libido e desejos. As onze faixas do disco não destoam entre si, ao contrário, encontram-se muito bem amarradas em um contexto tão frio quanto se encontrar sozinho na cidade grande. Mas, o álbum consegue a faceta de não soar depressivo, apenas realista. É uma obra de letras, de composições, que deve ser ouvida várias vezes, ser pensada, ser tragada e uma conclusão às vezes não será possível. Passo Torto é uma banda de crônicas, onde os sentimentos e as visões sociais são trazidos a nós de forma fantástica.quarta-feira, 7 de março de 2012
Resenha de Disco: Rhaissa Bittar Evoca o Lúdico Para Cantar o Cotidiano.
Em seu disco de estreia, Voilá, Rhaissa Bittar não decepciona. Pelo contrário, consegue soar leve, "fofa" e cumpre a função de dar um frescor à Nova MPB. O álbum é uma mistura de tango, forró, e claro, samba. Sua voz fina, que as vezes parece a de uma adolescente, foge do convencional e a linguagem corriqueira, informal, consegue garantir um certo ar de novidade, de originalidade à música brasileira. Rhaissa canta o cotidiano, os pequenos momentos do dia a dia, os afazeres que passam por despercebidos e os momentos que de tão repetitivos chegam a ser marcantes. A deliciosa "Chilique Chique", por exemplo, narra a visita a uma manicure desastrada, repleta de reclamações e situações exageradamente dramáticas, resultando em uma música inventiva e engraçada. Em "Pif Paf", que nos remete ao som da gafieira, Rhaissa compara seu relacionamento amoroso com o jogo homônimo de cartas. Tudo soa divertido, com uma ingenuidade única, sem malícia ou conotações maldosas. Competente, ela começou a cantar desde criança e já estudou em Taiwan para aprimorar sua voz, até se sentir segura para gravar Voilá, recebendo o apoio da Panela Produtora ao lado de músicos como Maurício Pereira, Daniel Szafran e Ricardo Herz. Ela ainda assina a composição de três músicas presentes no disco, onde mistura a música brasileira com a chinesa e jazz, onde busca inspiração. "Pombo Correto", "Entre Outras Coisas" e "Boneca de Palha" são criações divertidas, para serem ouvidas despretensiosamente, embalando uma tarde de sol ou um bate-papo com amigos. Essa linguagem simples, evocando o lúdico, soa como uma brincadeira , onde Rhaissa nos conduz com perfeita harmonia em um jogo simples e divertido.sábado, 11 de fevereiro de 2012
Resenha de Disco: É da Cantora Céu o Primeiro Grande Disco de 2012.
Terceiro disco da cantora Céu, "Caravana Sereia Bloom" é, definitivamente o melhor da sua carreira. Não que o primeiro álbum homônimo e "Vagarosa" sejam ruins, ao contrário, são discos excepcionais que conseguiram dar fama e credibilidade à voz de Céu. Mas, no terceiro disco, a cantora se renova, soa leve e sai da zona de conforto. Primeiramente Céu larga mão do Jazz e de arranjos sofisticados para dar lugar a um tom mais, digamos, popular. Segundo a cantora, o álbum sofre grande influência do brega e da lambada, ritmos pesquisados por ela para compor o disco e faz uma homenagem ao cineasta Cacá Diegues, mais especificamente ao seu filme "Bye Bye Brasil". Algumas músicas soam como aquelas tocadas em bares de estrada. Porém, entenda, Céu tem talento e um grande time que a acompanha, incluindo o produtor do disco Gui Amabis, seu marido, logo, "Caravana Sereia Bloom", distribuído pela Universal Music, não é um disco totalmente popular que desce redondo no ouvido do grande público. Sofisticação e letras inteligentes pontuam todo o álbum, incluindo a regravação de "O Palhaço", música de Nelson Cavaquinho, que saiu do samba e ganhou ares de valsa. Céu dessa vez resolveu se render e gravou três músicas em inglês, "Fffree", "Streets Bloom" e "You Won't Regret It", o que poderá consolidar o relativo sucesso que faz nos EUA e em alguns países Europeus. "Amor de Antigos", "Baile da Ilusão" e "Chegar em Mim" são verdadeiras pérolas que figuram nesse excelente álbum, músicas que mesmo populares conseguem mesclar requinte e sensualidade. Ainda está no disco a pegada reggae que sempre esteve presente nos trabalhos da cantora, mostrando versatilidade e inteligência musical. Mesmo tendo Roberta Sá no páreo com o excelente "Segunda Pele", é da cantora Céu o primeiro grande disco de 2012. Um disco, definitivamente, cinco estrelas.segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Resenha de Disco: Mistura de Ritmos Regionais com Rock Firmam Banda Manacá no Cenário Indie.
Dotado de poesia intensa e de um regionalismo fora do comum, o primeiro disco homônimo do Manacá cumpre o papel de apresentar muito bem a banda. A mistura de elementos regionais com um rock pesado resulta em um trabalho curioso e excepcionalmente bom, transitando tranquilamente nos opostos, regional e urbano se fundem em uma música poética onde o humano tem profundo destaque nas letras, mesclado com a religião, a natureza e o místico. A banda garantiu uma considerável projeção quando a vocalista, Letícia Persiles interpretou Capitu quando jovem na mini-série da Rede Globo, onde a música "Diabo" fez parte da trilha sonora. A banda diz buscar inspiração roqueira no som do Queens of the Stone Age, concomitante com elementos da música cigana e cultura regional, principalmente nas letras. Segundo integrantes da banda, por ser a cultura regional universal, mas que se perdem no cotidiano das grandes cidades, eles mergulham nos elementos interioranos para resgatá-los, principalmente no Nordeste Brasileiro, onde se inspiram nas obras de Ariano Suassuna e na música do Quinteto Armorial na hora de compor. "Faca de Ponta", "Flor do Manacá" e a belíssima versão para "Canto de Ossanha" são grandes destaques do disco. Porém, rumores apontam para o fim da banda, graças a divergências com a gravadora EMI, que atrasou muito na distribuição do disco e a gravidez da vocalista, o que impossibilitou a realização de shows. Especulações ou não, o primeiro disco já está disponível no mercado e cumpre a tarefa de firmar a banda no cenário indie brasileiro.Disco da Cantora Céu Será Lançado Ainda Esse Mês.
Novo disco da cantora Céu, intitulado "Caravana Sereia Bloom" ,será lançado ainda nesse mês de fevereiro. Produzido pela cantora e por Gui Amabis, o álbum será distribuído pela Universal Music. "Amor de Antigos", "Asfalto e Sal", "Chegar em Mim" e "Palhaço", música de Nelson Cavaquinho, integram o repertório do disco.
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