quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Resenha de Filme: Contestador, "Jogos Vorazes" é Ficção Que Não Foge Totalmente da Realidade.

Ultimamente, bem sucedidos filmes focados no público adolescente têm invadido as telonas do mundo inteiro e virado verdadeira febre mundial. A série Harry Potter e a saga Crepúsculo, adaptados de livros populares entre os jovens,  que ganharam o cinema, são exemplos disso. Porém, a trilogia adaptada dos livros de Suzanne Collins, não pode nunca ser comparada aos filmes citados. "Jogos Vorazes" (Hunger Games), é um filme contestador e que trata seu público alvo com uma inteligência difícil de ser encontrada em filmes do gênero. Com a direção competente de Gary Ross (três vezes indicado ao Oscar como roteirista), o filme é uma ficção não tão longe da realidade. A América, renomeada de Panem é composta por 12 distritos, que depois de uma tentativa de revolução, como punição, a Capital passou a cobrar de cada um dos distritos dois jovens, um homem e uma mulher com idade de 12 a 18 anos, para, em uma arena, lutar até a morte, sendo que ao final só poderá restar um sobrevivente, tudo monitorado e divulgado pela mídia e acompanhado fervorosamente pela população, que torce e sofre junto com os seus preferidos, como uma espécie de reality show. Katniss, (Jennifer Lawrence, de Inverno da Alma, em excelente atuação), do distrito 12, se torna voluntária para participar dos jogos, evitando a ida da sua irmã mais nova. Peeta (Josh Hutcherson), jovem com quem mais tarde vive um "duvidoso" romance, é o escolhido para atuar nos jogos ao lado dela. O filme hora alguma apela para a violência, embora o contexto assim permitiria, mas é bem focado em uma crítica bastante contundente, abordando temas como autoritarismo e principalmente o culto às celebridades. Enquanto Katniss sofre ao ter que matar, ela sabe que se não o fizer, irá morrer, claramente uma associação à forma como o governo consegue controlar a população. O filme conta ainda com competente atuações de Stanley Tucci, Wes Bentley, Willow Shields, Liam Hemsworth, Woody Harrelson e Toby Jones. Embora seja um obra de ficção, não foge completamente da realidade. Se no filme as pessoas matam para sobreviver, no reality show mais famoso do Brasil elas mentem, manipulam, criam intrigas e quando brigam, a audiência é alavancada, tudo em prol de dinheiro e sucesso, bem menos significativo que a vida, e para conseguir os almejados milhões, passam por provas de resistências que testam todos os limites dos participantes. Não posso afirmar com certeza que esse tipo de programa, no futuro, não se assemelhará bastante com os jogos do filme. "Jogos Vorazes" é, enfim, filme contestador, inteligente e que, embora ficcional, não se afasta tanto do que é propagado pela mídia atualmente.

Resenha escrita por André Ciribeli.

domingo, 12 de agosto de 2012

O Som de Marcelo Jeneci é Mesmo Pra Sonhar.

Um músico completo e versátil, assim pode-se definir Marcelo Jeneci, o paulista que vem conquistando os palcos brasileiros na companhia de grandes instrumentistas e de Laura Laviere, dona de uma voz doce e ao mesmo tempo marcante, com quem divide os vocais em músicas de sua autoria. Seu trabalho, sempre muito elogiado pela crítica, vem se destacando cada vez mais no cenário independente desde o lançamento, em 2010, do seu primeiro disco, "Feito Pra Acabar". Jeneci é um excelente compositor e instrumentista. Suas músicas já foram gravadas por Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, Chico César e Zélia Duncan. As músicas "Amado", gravada por Vanessa da Mata e "Felicidade", gravada pelo próprio Marcelo, já fizeram parte da trilha sonora de novelas. Ao ouvir "Dar-te-ei" e "Café com Leite de Rosas", pode-se notar um quê de Jovem Guarda, misturado com arranjos criativos. E como ficar parado ao som de "Show de Estrelas"? Seu disco é um trabalho extremamente multifacetado. No último dia 24 de Julho, Marcelo lançou oficialmente o clipe da música "Pra Sonhar" e sim, o clipe é mesmo pra sonhar, pra se derreter feito manteiga, para adoçar nossas almas desacreditadas de um final feliz, pra perceber que há amor, que há brilho nos olhos e a cumplicidade ainda existe. O clipe é composto por cenas cedidas por diversos casais do Brasil em um momento muito importante, quando as metades da laranja se juntam num sim, o casamento. O clipe é democrático, sem preconceito e deliciosamente charmoso. Gente comum, gente que ama, gente que vive e que com certeza admira o trabalho desse grande talento da música brasileira.

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Resenha de Disco: Em Novo Álbum, Tom Zé Estuda a Tropicália com Elegância e Criatividade.

Tom Zé, aos 75 anos é, eu diria, um dos artistas brasileiros mais criativos de todos os tempos. Sua maneira única de "estudar" ritmos e propôr novas formas de enxergá-los é uma prova da sua genialidade. Com mais de 30 discos lançados, o artista que já tem mais de 50 anos de carreira, depois de estudar a bossa e o samba, lança agora "Tropicália Lixo Lógico". Tom Zé foge do óbvio e vai além do Tropicalismo. Criativo, ele faz uma mistura de ritmos que passeia por samba enredo, marchinhas, rap, bossa e reinventa a Tropicália a seu modo. O artista também acrescenta toques da denominada "Nova MPB" ao disco, contando com participações de  Mallu Magalhães, na deliciosa faixa "Tropicalea Jacta Est", Emicida, que abre e fecha o disco, nas faixas "Apocalipsom A: O Fim no Palco do Começo" e "Apocalipsom B: O Começo no Palco do Fim", Pélico e Rodrigo Amarante. Tom Zé recorre ainda a citações, referências literárias e a frases latinas para rechear o disco. Músicas como "Amarração do Amor", "A Terra, Meus Filhos" e "Não Tenha Ódio no Verão" servem de exemplos para mostrar a inteligência artística presente no álbum, que pode ser comprado no site do cantor, no formato de CD e Vinil e já vem autografado. Em "Tropicália Lixo Lógico", Tom Zé mostra maturidade, autenticidade e criatividade, que já são suas marcas registradas, com uma musicalidade que torna obrigatória a audição da mais nova obra-prima desse grande artista.

Resenha escrita por André Ciribeli.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Resenha de Disco: Bárbara Eugênia e Seu Conturbado Cotidiano Sentimental.

O Brasil vive um grande momento musical. São inúmeros artistas que despontam na aclamada cena independente, mesclando vários estilos e mostrando um talento que infelizmente é deixando de lado pela mídia, não alcançando o grande público. Porém, para o deleite dos ouvidos ávidos por boa música, o Brasil tem qualidade musical para mostrar. Esses artistas são, na sua maioria, jovens buscando seu lugar ao sol, no tão competitivo meio artístico. Uma cantora que pode ser inserida dentro desse contexto é Bárbara Eugênia. Carioca, já chegou a morar nos Estados Unidos, mas foi em São Paulo, em 2005, que grandes oportunidades surgiram em sua carreira. Seu primeiro disco, lançado em 2010 e intitulado "Journal de Bad" faz um apanhado de uma vida sentimental um tanto quanto conturbada. É possível encontrar melancolia, amores desfeitos e sentimentos confusos, tudo bem casado com a voz rouca da cantora. Embora possa ser caracterizado como um disco de MPB, o Rock sessentista é encontrado, com maior ou menor intensidade, em grande parte do álbum. "A Chave" é música que abre muito bem o disco e é grande destaque, narrando a impotência perante um relacionamento fadado ao fracasso. Bárbara Eugênia se torna irônica em "É, rapaz" e conta com a participação de Tom Zé em "Dor e Dor". Por se manter na linha sentimental, o disco soa coeso, porém, sem se tornar atrativo para quem sofre de dor de cotovelo. Bárbara já é destaque nacional ao abrir seu coração para mostrar seu conturbado cotidiano sentimental.

Resenha escrita por André Ciribeli.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mil Tons Para Comemorar.

Na estrada de fazer o sonho acontecer, ele cantou com maestria e tocou as nossas almas, e esse é um ano de comemorações na vida desse gênio da MPB. Mais que homenageá-lo devemos agradecê-lo. Agradecer a Milton Nascimento, por tantas vezes com a sua voz única e envolvente, como o aconchego de um café da tarde mineiro, embalar os nossos bailes da vida, por ser a dose mais forte e lenta de emoção, de paz e amor, por nos ensinar a guardar nossos bons e velhos amigos no lado esquerdo do peito e por nos encorajar a andar por esse mundo loucos, doidos e soltos, com sede de amar. Pois, venha o que vier, ele sempre será o nosso querido Bituca, o menino nascido no Rio de Janeiro e criado em Três Pontas no Estado de Minas Gerais, um dos melhores compositores brasileiros que encoraja e apoia novos artistas a darem seus primeiros passos, sendo referência cultural e artística nacional. E nos trilhos de sua história de sucesso, a humildade e o amor pela música renderam-lhe discos premiados ao longo de sua carreira. Compositor de grandes canções como "Travessia" que, em 67 ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, abrindo portas para a gravação do seu primeiro disco. Mais tarde, em 72, já em Belo Horizonte com Lô Borges, lança o disco duplo "Clube da Esquina" e em 78 o segundo volume do álbum contou com participação de Elis Regina e Chico Buarque. Em 98, o disco "Nascimento" recebe o Grammy de "Melhor Álbum de World Music", em 2000, Milton recebe o Grammy Latino de "Melhor Disco Pop Contemporâneo Brasileiro" pelo disco "Crooner" e em 2004 mais um Grammy Latino, só que desse vez na categoria "Melhor Canção", com a música "Tristesse". O que nos resta é dizer: Parabéns pelos seus 70 anos de vida, 50 anos de carreira, 45 anos de "Travessia", e 40 anos do Clube da Esquina. Nós brasileiros é que estamos ganhando os presentes dessas comemorações. O primeiro deles é a turnê "50 Anos de Carreira" que passará por São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro, e ainda a "Abril Coleções" colocou no mercado um box com 20 discos que reúne mais de 250 músicas de sua carreira. Muito bom saber que teremos mais de Milton para adoçar nossos dias. Orgulhamo-nos da sua obra, da sua melodia e da sua essência. Querido Bituca, é assim que te queremos, soltando a voz nas estradas e a gente sonhando, sonhando...

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

domingo, 29 de julho de 2012

Resenha de Disco: Quinteto Violado Homenageia Dois Gênios da Música Brasileira em Belo Disco.

Quando um grupo como o Quinteto Violado resolve homenagear dois dos maiores artistas brasileiros, fazendo uma releitura de suas canções, podemos esperar coisa boa. No caso, essa homenagem se chama "Quinteto Violado Canta Adoniran Barbosa e Jackson do Pandeiro". O Quinteto Violado é um grupo pernambucano formado no início dos anos 70, caracterizado por buscar inspiração nas sonoridades nordestinas e no folclore brasileiro. Dessa forma, conseguiram incorporar sua identidade sonora em algumas das obras do "Poeta do Bixiga" e de Jackson do Pandeiro, cujas músicas já faziam parte do repertório do grupo desde o início da carreira. Da obra de João Rubinato, ou Adoniran Barbosa, pode-se encontrar no álbum "As Mariposas", "Prova de Carinho", "Apaga o Fogo Mané" e a clássica "Trem das Onze". Já "O Canto da Ema", "A Mulher do Aníbal" e "Cabo Tenório" se destacam entre os sucessos regravados de Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho, também conhecido por "Rei do Ritmo". O grupo levou o prêmio de "Melhor Grupo Regional" em 2011 no Prêmio da Música Brasileira pelo álbum e recebeu excelentes críticas pela mídia especializada. Unir esses dois artistas em um mesmo disco é muito pertinente, já que suas músicas passeiam pelo cotidiano, pela vida de personagens incomuns, usando humor e irreverência para narrar histórias cheias de significados. Com esse trabalho, o Quinteto Violado consegue não só homenagear dois gênios da música brasileira, como transparece toda sua capacidade cultural ao mostrar que não se acomodou com o tempo e ao fugir dos modismos da indústria musical, conseguem manter sua bela personalidade.

Resenha escrita por André Ciribeli.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vida, Dor e Amor em Cores de Frida Kahlo.

Auto-retratos, cores, natureza, amor e dor é o que encontramos nas ricas obras de Frida Kahlo, mulher de personalidade, em que vida e obra são facilmente confundidas. Considerada por muitos a pintora do século XX, Frida Kahlo, mexicana nascida em Coyoacán próximo à Cidade do México, em 06 de Julho de 1907, teve sua vida marcada por problemas de saúde e sofrimentos amorosos. Lapidou desde cedo seu dom artístico com o auxílio do professor Fernando Fernandez, mas afirmava que não pretendia encarar a arte como carreira. Após um acidente de bonde, Frida se feriu gravemente, passando por diversas operações e por muito tempo convalesceu em seu leito, onde foram adaptados um espelho e um cavalete, para que ela pudesse pintar, com as tintas do pai, expressivas obras (auto-retratos em sua maioria, como a obra ao lado "Auto Retrato Dedicado ao Dr. Eloesser"), cheias de cores e muitas vezes fazendo referências naquele momento, como por exemplo o quadro "A Coluna Partida", em que se pinta com seu colete cervical. Em seu diário, Frida explicava o sentido de cada cor que usava, sendo importante sabê-las para entender os sentimentos que ela dispunha para pintar suas telas. Havia quem dissesse que ela era pintora surrealista, mas a mesma chegou a afirmar que não, que só pintava a realidade. A pessoa que mais marcou sua vida foi sem dúvida, o também pintor Diego Rivera, com quem se casou em 1929. O relacionamento foi muito conturbado, marcado por traições, tentativas de suicídio e abortos (devido a fragilidade da saúde de Frida). Mas, Diego era o amor de sua vida. A paixão por Rivera foi inspiração para a criação das obras "Diego e Eu" e "Diego em Meu Pensamento". Frida foi mais que uma artista, foi uma mulher expressiva, de personalidade forte, politicamente engajada (pertencia ao Partido Comunista) e se orgulhava imensamente de seu país, transpondo as riquezas culturais mexicanas em suas obras. Em Julho de 1954, Frida vem a falecer. Quatro anos mais tarde, a Casa Azul, lugar onde morou, tornou-se o Museu Frida Kahlo, onde suas telas estão expostas. Se existe alguém que viveu intensamente mesmo diante dos percalços da vida, esse alguém é Frida Kahlo. "Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor". Frida Kahlo.

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um Ano Sem Amy Winehouse.

Na semana em que se completa um ano da morte de Amy Winehouse, a celebração na mídia de sua curta carreira faz reacender a sua importância para a música. Em minha opinião, mais importante é entender o que ela foi pra mim, seu fã declarado. Ouvindo novamente o primeiro verso de "Love is a Losing Game", é impossível não encarar a como um epitáfio de sua própria vida: sim, Amy foi uma chama, que acendeu e apagou rapidamente, mas cuja intensidade deixou marcas profundas em todos, nos que gostavam e nos que não. Mas, o que ela tinha de diferente? Amy era uma drogada? Sim. Amy era instável? Sim, ainda bem. Em um mundo onde reina o falso puritanismo, a música e toda a arte se rendem a artistas planejados em cada detalhe para o sucesso, como se saíssem de uma mesma fábrica, feitos em série. Nessas circunstâncias, Amy foi um sopro de autencidade, uma chama de verdade no mercado fonográfico. Seus demônios e seus amores estavam ali, todos expostos em suas letras e apresentações ao vivo. Ninguém se doou tanto quanto Amy e, aqueles como eu, que tiveram a oportunidade de vê-la e ouvi-la, sabem que outra como ela será difícil de encontrar. O que Amy tinha de diferente era a honestidade, que aliada a uma voz incrível e um talento sem precedentes, a transformaram na lenda que ela é hoje. Amy foi rápida demais, intensa demais e, para nós, simples mortais, nos resta celebrar a música de quem ofereceu tanto de si, de forma sincera, apaixonada e inesquecível. Muito obrigado, Amy Winehouse.

Texto de Rafael Tavares.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Simone e Zélia Duncan Unem Repertórios em Show e Mostram a Beleza de Fazer o Que se Gosta.

Na música internacional isso é de praxe, os famosos "featurings" são quase uma obrigação em todas as gravações do mercado fonográfico norte-americano. No Brasil, essas participações especiais são bem mais orgânicas, já que o cenário musical nacional sempre foi pautado por parcerias que deram e continuam dando certo. Talvez seja essa característica de arte colaborativa que deu ao show "Amigo é Casa", de 2008, de Simone e Zélia Duncan, o clima de celebração no estilo da apresentação das duas. É certo que a combinação rendeu um espetáculo de uma beleza sem tamanho, que deixou visível a alegria delas em estarem ali, dividindo o palco e suas canções. Simone e Zélia fazem um show para elas mesmas, um espetáculo vivo, honesto e apaixonado. E quem ganha somos nós. Comentar a biografia de Zélia Dunca e, principalmente, de Simone, é indispensável, pois ambas deixaram marcadas na música brasileira suas passagens com hits em diferentes gerações, a Cigarra então (como Simone é carinhosamente chamada), pode ser considerada uma lenda viva (e ativa) da MPB. Já comentar o repertório do show, que une grandes músicas de suas carreiras paralelas, é tarefa árdua. Grandes canções de autoria delas e também de outros nomes da música nacional, como Caetano Veloso e Gonzaguinha, ganham interpretações emocionantes. Em uma tentativa (inútil) de citar um destaque do show (ele é destaque por inteiro), ouça (e veja) a suave e encantadora interpretação de "Idade do Céu", versão de Paulinho Moska para uma música de Jorge Drexler, e também "Não Vá Ainda", do repertório de Duncan. Se na música internacional as parcerias na maioria das vezes soam como tática para vender mais, aqui no Brasil os encontros como o de Zélia e Simone vão pela contramão, mostrando que a parceria (e a amizade) é verdadeira e apaixonada.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Resenha de Filme: "Persepolis" Leva, de Forma Inteligente e Emocionante, a Biografia de Marjane Satrapi Para as Telonas.

Baseado nas publicações em quadrinhos lançadas em 2002 pela iraniana Marjane Satrapi, "Persepolis" é a autobiografia da mesma que ganhou as telonas em forma de animação em 2007, dirigido por Satrapi e pelo cartunista Vincent Paronnaud. O filme foi sucesso absoluto de crítica, ganhando o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e sendo o representante oficial da França no Oscar, embora tenha concorrido apenas na categoria de Melhor Animação. O filme narra a vida de Marjane (voz de Chiara Mastroianni), filha de intelectuais que vive na pele as transformações sociais do Irã a partir de 1978 até os anos 90. O início do filme trata da população exigindo a renúncia do ditador Xá Reza Pahlavi, o que de fato aconteceu. Porém, dá-se início à época dos aiatolás, tendo Ruhollah Khomeini como o principal comandante e assim, a liberdade individual de cada um inevitavelmente fica comprometida. O que se usa, o que se ouve e aonde se vai, tudo passa a ser controlado. Aborda-se também o conflito com o Iraque, as proibições impostas à mulher e o incentivo da entrada do homem para o exército em troca do Paraíso. Marjane, no meio dessas situações, se impõe e em momento algum se mostra passiva aos acontecimentos. Sua educação foi aberta, onde desde criança já tomava conhecimento da situação política de seu país e incentivada a não se deixar rebaixar, mas ser sempre correta em suas atitudes, custe o que custar. O filme também conta os anos em que Marjane passou na Áustria, onde segundo seus pais estaria mais segura, mas ela percebe que seu país de origem estará arraigado nela aonde quer que seja. Não é preciso entender a fundo a política no Oriente Médio para gostar de "Persepolis", pois o filme consegue explicar bem o contexto da época, de forma coesa e nunca enfadonha. "Persepolis" é um grande filme, uma animação voltada mais para o público adulto, que possibilita uma reflexão social sobre costumes, ideais políticos e valores morais, enquanto emociona e diverte.

Resenha escrita por André Ciribeli.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Resenha de Disco: Cris Braun Apresenta Seu Pop Genuinamente Brasileiro no Disco Fábula.

Há quem ache que fazer música pop atualmente no Brasil é, de alguma forma, copiar ou se aproximar o máximo possível do pop americano. Ainda bem que alguns artistas da nova geração não tomam isso como regra e criam pérolas musicais que são populares ao mesmo tempo que se aproximam de ritmos regionais, que são a cara do nosso país. Prova disso? Ouça os trabalhos de Céu, Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Mallu Magalhães...a lista é praticamente infinita. Para engrossar ainda mais esse delicioso caldo, Cris Braun e seu álbum "Fábula", de 2011, recentemente disponibilizado pelo site Musicoteca, trazem o que há de melhor na nossa música pop, sem deixar de lado a riqueza sonora do nosso país. Compostas por grandes nomes nacionais, como Wado, Lucas Santtana, Marina Lima e Alvin L, todas as canções possuem talento tanto para as rádios e novelas como para ouvidos mais exigentes. A capacidade de agradar gregos e troianos mostra a capacidade e segurança de Cris Braun para flertar com os diferentes ritmos, destaque para "Deve Ser Assim", cantada de forma passional por Cris. Apesar de não ser um nome muito divulgado na mídia tradicional, a cantora (que nasceu no Rio Grande do Sul e atualmente vive em Maceió) sempre fez parte do primeiro time do cancioneiro nacional: já teve música em novela, fez parte da geração do rock nacional dos anos 80 e 90 (na banda Sex Beatles) e ganhou em 1998 o prêmio de revelação da JB FM. "Fábula" é um grande disco, uma doce mistura entre o pop e a MPB, parada obrigatória para quem gosta da genuína música POPular brasileira. 

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um Pedaço do Céu com Notas de Arte, Sabores e Surpresas. Eu Vos Apresento: Inhotim.

Gosta de viajar, comer bem? Se encantar pela natureza e pelas belezas criadas por Deus e pelo Homem, se surpreendendo a cada passo? Gosta de respirar ar puro? Agora imagina tudo isso em um mesmo lugar com direito a um Jardim Botânico com o maior número de espécies de plantas vivas entre os jardins botânicos do Brasil (são mais de 4200 espécies), um acervo de arte contemporânea que reúne cerca de 500 obras de mais de 100 artistas de diferentes países, além de restaurantes, bares, pizzarias e cafés que oferecem em seus espaços sofisticados e acolhedores os mais diferentes e inigualáveis sabores. Sim, esse lugar existe e não poderia ficar em outro lugar a não ser no belíssimo Estado de Minas Gerais, na cidade de Brumadinho, a 50 km da capital Belo Horizonte. Sejam todos bem vindos a Inhotim. Idealizado pelo empresário Bernardo Paz na década de 80, o espaço que era privado na época, foi se transformando ao longo dos anos até que em 2002 se tornou o Instituto Cultural Inhotim. Além de receber um incremento em seu acervo botânico (destaque para os geniais pitácos de Burle Marx que contribuíram para o projeto paisagístico inicial, em 84) foram construídas edificações que hoje abrigam instalações artísticas como "Desvio Para o Vermelho" e "Através" de Cildo Meireles, "True Rouge" do pernambucano Tunga, "La Intimidad de La Luz en St. Ives" do argentino Victor Grippo e "Máquina do Mundo" de Laura Vinci. Espalhadas pelos belíssimos jardins do Instituto nos surpreendemos com obras de Edgard de Souza, Yayoi Kusama, Simon Starling, Jarbas Lopes e de outros grandes artistas. Destaco aqui a instalação permanente de Hélio Oticica, "Penetrável Mágic Square #5", cartão postal de Inhotim. E para quem gosta de experimentar novas sensações não pode deixar de visitar a obra de Olafur Eliassom, "By Means of a Sudden Intuitive Realization", uma combinação de elementos que despertam a curiosidade e instabilidade visual, causados pela luz estroboscópica e pelo jato d'água que estão abrigados em um iglu branco feito de fibras de vidro. Natureza, arte contemporânea e gastronomia. É ou não um pedaço do céu?

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

Conheça a Mais Nova Integrante da Equipe Esfinge Cultural: Ludimila Marinho.

Buscando cada vez mais incrementar o nosso Blog, eis que surge mais uma integrante: Ludimila Marinho. Formada em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa e Pós - Graduada em Moda, Cultura de Moda e Artes pela Universidade Federal de Juiz de Fora, essa mineira de 24 anos, amante das formas inteligentes de se fazer arte, integra nossa equipe com a proposta de trazer o melhor da arte como entretenimento, com uma linguagem informal mas, dinâmica, divertida e cultural, conferindo um ar feminino ao nosso trabalho. Seja bem vinda ;)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Resenha de Filme: "Inquietos" Mostra Que Um Filme Adolescente Pode Ser Maduro e Inteligente.

É notável a falta de qualidade e maturidade dos filmes atuais feitos sobre (e para) adolescentes: High School Musical é o maior exemplo de como o público jovem tem sido cada vez mais infantilizado pelo cinema. Ou pior: como cada vez mais crianças são transformadas em adolescentes fora da hora, mas isso é assunto para outra resenha. O que quero dizer é que Hollywood mostrou, em sua maioria, improdutiva para filmes jovens que fossem maduros e inteligentes. A sorte é que Gus Van Sant, um dos maiores cineastas da cena independente americana, carrega - firme e forte - o duro fardo de ser um dos poucos (quiçá o único) nos Estados Unidos que consegue articular, em um mesmo filme, maturidade e inteligência em histórias adolescentes. Para quem conhece pouco, Gus é o diretor de dois clássicos do cinema jovem: "Paranoid Park" e "Elefante", além de ser a mente por trás do aclamadíssimo "Milk". Em "Inquietos", o cineasta mostra mais uma vez que há vida inteligente na adolescência, ao contar a história de um casal jovem sem imbecilizá-los. No filme, Henry Hooper interpreta Enoch Bae, um jovem que perdeu a fé na vida ao ficar órfão e passa a viver isolado, com seu amigo fantasma Hiroshi, um piloto kamikaze da Segunda Guerra, tendo como hábito invadir funerais de desconhecidos. Em um desses funerais, ele conhece Annabel (Mia Wasikowska, também em "Alice no País das Maravilhas" de Tim Burton), vítima de um câncer em estágio terminal. Daí surge uma amizade que logo se transforma em namoro, e Gus Van Sant poderia facilmente transformar essa história em um dramalhão (aliás, qualquer diretor menos experiente e menos talentoso o faria), mas pelo contrário, apresenta um resultado coeso e que não peca pelo excesso (e nem pela falta) de drama. É melhor que "Elefante", seu clássico? Não, mas dá dignidade a personagens adolescentes que, em outros filmes, sofrem pela falta de inteligência, maturidade e pelo vazio de suas histórias.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Gilberto Gil Lançará Disco com Sucessos do Rei do Baião.

Será lançado em 11 de Julho, "Gilberto Gil Canta Luiz Gonzaga", disco produzido por Marcelo Fróes em que Gil homenageia a grande obra do "Rei do Baião". O álbum será editado pela Warner Music e contará com 14 músicas, basicamente as mais famosas de Luiz Gonzaga, como "Vem Morena", "Qui Nem Jiló", "O Xote das Meninas" e "Asa Branca".

domingo, 1 de julho de 2012

Resenha de Disco: Michael Kiwanuka Prova Mais Uma Vez o Talento do Reino Unido Para a Soul Music.

O Reino Unido recentemente tem sido o celeiro de grandes nomes da soul music: Joss Stone, Amy Winehouse, Duffy, Adele e Emeli Sandé são alguns dos talentos que atravessaram as fronteiras da ilha e conquistaram o mundo com a música tipicamente norte americana. Em janeiro desse ano, Michael Kiwanuka entrou na famosa lista da BBC Sound of 2012 como uma das promessas musicais do ano. Já em março, o jovem do norte de Londres, que tocou com Adele em 2011 na turnê da cantora, lançou seu primeiro disco, "Home Again", que para muitos já é considerada uma obra - prima do gênero. Explico: se algum desavisado ouvir o álbum sem saber ao certo quem é o artista, sem dúvida alguma pensará que se trata da remasterização de um álbum perdido da década de 60. A voz de Kiwanuka, os instrumentos, o clima do disco e a naturalidade dessa mistura são tão fiéis à soul music seiscentista a ponto do artista parecer ter vindo diretamente do passado para o presente. Nesse "retorno", o cantor nos apresenta um álbum que em alguns momentos pode fazer lembrar Bob Dylan, mas a grande influência de Michael é o legado de Ottis Redding, astro da soul music americana conhecido por suas interpretações passionais que partiu cedo demais, vítima de um acidente de avião em 1967, no começo do seu sucesso. Enquanto os atuais nomes de sucesso que carregam esse estilo em suas músicas, apresentam características dos grandes clássicos, mas dialogam claramente com o som contemporâneo, Michael Kiwanuka não segue o mesmo caminho e o seu "Home Again", com pérolas como "Tell me a Tale" (música que abre o disco em grande estilo) e "Any Day Will do Fine", parecem terem sido gravadas na década de 60, quando pesos pesados da soul music ainda estavam entre nós. Excelente pedida para os amantes, ou não, do estilo.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Resenha de Disco: A Irreverência da "Graveola e o Lixo Polifônico" é Grande Destaque na Música Brasileira Atual.

Coletivo musical oriundo da cidade de Belo Horizonte, onde possui um grande número de fãs que lotaram o Palácio das Artes na gravação do seu DVD, o "Graveola e o Lixo Polifônico" é uma banda conhecida por sua mistura de ritmos, irreverência e enorme talento. Formada em 2004, a banda já tem no currículo um disco homônimo, lançado em 2008 e o "Um e Meio", de 2010. Atualmente o grupo é formado por Bruno de Oliveira, Flora Lopes, Juliana Perdigão (que também se arrisca em carreira solo com um grande disco), Yuri Vellasco, Luísa Rabello, Flávia Mafra e Rafael Barros. Marcados por experimentações, dando novos ares à música brasileira, a banda inclui um novo conceito que a impede de ser rotulada. Seu mais novo trabalho, "Eu Preciso de Um Liquidificador", que assim como os outros álbuns anteriores estão disponíveis para download gratuito no site da banda, segue o mesmo conceito dos álbuns anteriores, embora não embarque muito nas experimentações, prova da maturidade que a banda já está atingindo. Porém, as letras inteligentes e originais ainda estão lá, junto com a mistura marcante de MPB com Rock e até samba com a sensacional "Desdenha", grande destaque do disco. O álbum apresenta uma pegada mais popular que os anteriores, mas sem abrir mão da qualidade e da forma inteligente de se fazer música. "Desmantelado" apresenta claras características latinas, enquanto "Nesse Instante Só" apresenta o melhor da MPB com a afinada voz de Juliana Perdigão. "Blues Via Satélite" soa como uma divertida brincadeira, com swing contagiante, criticando as novas tecnologias na qual a sociedade está cada vez mais dependente. "Pra Parar de Vez" e "Desencontros" afloram uma sensibilidade mais que natural. É perceptível no disco a descontração que o grupo apresenta no palco. Já tive o prazer de assistir a um show do grupo e garanto que é diversão cultural garantida. Com presença de palco e um carisma fora do comum, a banda encantou a todos da platéia. Enquanto tivermos "Graveola e o Lixo Polifônico", a irreverência e descontração na música brasileira de qualidade estarão garantidas.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Resenha de Disco: Mart'nália Mostra em Seu Novo Disco, Produzido por Djavan, Que Seu Talento Não Se Limita ao Samba.

Um movimento de flerte com o pop e diferentes ritmos fez com que cantoras de prestígio abandonassem, em seus mais recentes trabalhos, a zona de conforto dos estilos que a consagraram: Roberta Sá em seu "Segunda Pele" e Norah Jones com seu "Little Broken Hearts" investiram em experimentações, sem se distanciarem por completo da essência dos seus discos anteriores. São as mesmas artistas, mas com roupas novas. Em seu novo disco de estúdio, "Não Tente Compreender", lançado pela Biscoito Fino, a sambista Mart'nália segue o mesmo caminho e monta um repertório que foge do seu tradicional, sem destoar daquilo que a consagrou e sabe fazer bem: o samba. Para dar vida a esse trabalho, a cantora e compositora contou com a apurada produção de Djavan, que trouxe uma sonoridade típica da sua discografia: aliás, para os que conhece a obra do artista, "Não Tente Compreender" poderia muito bem se passar por um disco de Djavan que fora gravado por Mart'nália. A faixa que dá nome ao disco, então, é a cara do cantor alagoano. Mart'nália se aventura pelo rock, pop, bossa nova e jazz com desenvoltura, soando natural e sentindo-se em casa. "Zero Muito", mais rockeira, poderia ser do repertório de Cássia Eller. Mas, o grande mérito de Mart'nália fica por conta de sua voz inconfundível e na riqueza de suas interpretações, que apresentam nuances que nem sempre o estilo fortemente ritmado do samba permite. Falando em samba, ele não ficou de fora, ainda que em roupagens intimistas. "Surpresa" (que soa como bossa nova), "Itinerário" e "Vai Saber" (presente também no disco "Micróbio do Samba", de Adriana Calcanhotto) são canções que combinam mais com um barzinho e violão do que com os grandes shows de carnaval. "Não Tente Compreender" é um álbum que agrada aos ouvidos exigentes e ainda tem cacife para ser sucesso nas rádios e trilhas de novela. Ponto para Mart'nália, que mostra que o samba é só um dos seus muitos talentos.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Resenha de Disco: Gui Amabis Apresenta Suas Memórias em Álbum Conceitual.

Gui Amabis é um artista completo, embora pouco conhecido pelo grande público. Já produziu diversos discos, assinou trilha sonora de alguns filmes, como "Quincas Berro d'água" e "O Senhor das Armas" e agora lança o conceitual "Memórias Luso - Africanas", primeiro disco solo do artista, lançado de forma independente e disponível para download gratuito no site do artista. Gui se inspirou nas antigas histórias contadas por sua avó, que aos poucos foi perdendo a memória e assim, ele foi compondo músicas que lembrassem as histórias dos seus antepassados, portugueses e africanos (daí o título dado ao disco). Dessa forma, lançou o projeto contando uma breve, mas inspiradora história familiar. O álbum tem grandes participações, como Céu (esposa do artista), Tulipa Ruiz, Lucas Santtana e Criolo. Gui Amabis contou com alguns importantes instrumentistas da cena musical brasileira, como Dengue (baixo) e Curumin (bateria), buscando referências também no grupo musical "Sonantes". O artista compôs a maioria das letras presentes no álbum, com exceção de "O Deus que devasta, mas também cura", escrita por Lucas Santtana e "Orquídea Ruiva" e "Para Mulatu", compostas por Criolo. O disco apresenta grande influência de músicas caribenhas, portuguesas e africanas, com destaque para "Sal e Amor" cantada por Tulipa Ruiz e "Swell", cantada por Céu. Já ao fim da primeira audição, percebemos a belíssima história contada e cantada que está presente nesse álbum original e esperamos ansiosos por mais obras desse inspirado artista.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Criolo Foi o Grande Vencedor do 23° Prêmio da Música Brasileira.

Criolo foi o grande vencedor do 23º Prêmio da Música Brasileira, que aconteceu nesse 13 de Junho no Teatro Municipal Rio. O rapper levou para casa os prêmios de Melhor Cantor e Melhor Álbum na categoria pop/rock/reggae/hip hop/funk e foi premiado também como Artista Revelação. Líder de indicações, o pernambucano Herbert Lucena, levou os prêmios de Melhor Cantor e Melhor Álbum na Categoria Regional. Seu disco "Não me peçam que eu jamais dê de graça tudo aquilo que eu tenho pra vender" levou o prêmio de Projeto Visual. A música "Sinhá", composta por Chico Buarque e João Bosco foi eleita a melhor música do ano. Na lista de vencedores ainda estão Fundo de Quintal (Melhor Grupo de Samba), Dori Caymmi (Melhor Cantor e Álbum de MPB), Alcione (Melhor Cantora e Álbum Popular), Beth Carvalho (Melhor Álbum de Samba) e Mônica Salmaso (Melhor Cantora de MPB). Homenageado da noite, o cantor João Bosco fez belíssima apresentação e foi aplaudido de pé.
Eis os vencedores em algumas das categorias:

Arranjador
Gilson Peranzzetta - álbum "Iluminado", de Dominguinhos

Melhor canção
"Sinhá". Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em "Chico"

Projeto visual
Herbert Lucena - álbum "Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender". Projeto: Evandro Borel

Revelação
Criolo

CATEGORIA MPB

Álbum: "Poesia Musicada", de Dori Caymmi. Produtor: Dori Caymmi

Grupo: Passo Torto / "Passo Torto"

Cantor: Dori Caymmi / "Poesia Musicada"

Cantora: Mônica Salmaso / "Alma Lírica Brasileira"

CATEGORIA POP/ROCK/REGGAE/HIP HOP/FUNK

Álbum: "Nó na Orelha", de Criolo. Produtores: Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman

Grupo: Mundo Livre S/A / "Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa"

Cantor: Criolo / "Nó na Orelha"

Cantora: Marisa Monte / "O que Você quer Saber de Verdade"

CATEGORIA SAMBA

Álbum: "Nosso Samba Tá Na Rua", de Beth Carvalho. Produtor: Rildo Hora

Grupo: Fundo de Quintal / "Nossa Verdade"

Cantor: Arlindo Cruz / "Batuques e Romances"

Cantora: Fabiana Cozza / "Fabiana Cozza"

Resenha de Filme: "Eu Matei Minha Mãe" é um Grande Filme de um Diretor Superestimado.

Xavier Dolan é um caso raro de cineasta: aos 23 anos ele teve seus três longas-metragens selecionados no Festival de Cannes; o primeiro deles, "Eu Matei Minha Mãe", de 2009, saiu premiado da França depois de ser aplaudido por oito minutos na Croissette. Além disso, recebeu prêmios e menções especiais nos festivais de Bangkok e Palm Springs. Multifacetado, o diretor canadense também atua em seus filmes, uma clara referência a outro diretor, Woody Allen. Isso explica os motivos com que Dolan fosse recebido com tanto entusiasmo. Tratando-se de "Eu Matei Minha Mãe", tal entusiasmo se justifica: o roteiro foi escrito por ele aos 16 anos e Xavier Dolan apresenta uma trama madura e convincente. O protagonista é um jovem que começa a descobrir sua sexualidade tendo que conviver com sua mãe solteira, um tanto manipuladora e carente. À primeira vista, a rejeição do filho parece ser apenas aquela "vergonha" que os adolescentes têm dos pais, mas aqui o diretor cria um jogo inteligente e muito mais profundo: homossexual, a rejeição que o filho sente dessa mãe nasce da mágoa e culpa que geralmente enfrenta os gays ao se assumir e no filme, acaba se externando como um ódio inexplicável pela mãe. Em "Eu Matei Minha Mãe", o protagonista odeia as roupas, a ignorância e até a maneira que sua mãe come. Em contrapartida, a mãe não consegue compreender o filho e respeitar sua liberdade e espaço, e esse panorama cria um abismo entre os dois. O mérito de Dolan é conseguir contar essa história, tão simples em sua generalidade e tão complexa e dolorosa nas entrelinhas, numa paleta de cores que nos lembra o melhor de Almodóvar. É um drama maduro de um diretor seguro em sua função. É um drama maduro de um diretor seguro em sua função. Pena que seus filmes seguintes não foram agraciados com a mesma genialidade. "Amores Imaginários", de 2010, retrata o ímpeto sexual da juventude e é só "bom", onde Dolan parece copiar a si mesmo. Seu terceiro longa, Lawrence Anyways, de 2012, também selecionado para Cannes, não teve a mesma sorte que o seu debut: foi mal recebido e transformou Xavier Dolan em um cineasta superestimado e apenas acima da média. Apesar disso, "Eu Matei Minha Mãe" é um filme que deve ser visto.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

domingo, 10 de junho de 2012

Resenha de Filme: "Os Inquilinos" Expõe Medos Sociais de Forma Intensa.

O perigo ronda toda e qualquer pessoa. Ele está presente em todos os lugares e surge muitas vezes sem avisar, embora também possa deixar recados antes de aparecer. Isso pode causar medos extremos em quem, aparentemente, não pode se defender. Válter (Marat Descartes) é um trabalhador correto que vive com sua mulher e dois filhos em um bairro de São Paulo e luta para ensinar valores a eles. Pai e marido exemplar, vê a sua rotina calma se transformar quando a vizinha aluga um quarto para três jovens arruaceiros. De repente, a casa ao lado passa a ser fonte de palavrões, brigas, festas, barulho e atrevimentos. Essa é a premissa de "Os Inquilinos - Os Incomodados Que se Mudem" de Sérgio Bianchi. O filme consegue tratar de assuntos polêmicos, mas de uma forma que apenas mostre que eles estão ali. Não necessariamente o mal acontece, mas o diretor permite que vejamos que ele existe, como a pedofilia, a exploração do trabalhador, o uso de drogas, os assassinatos. É típico do trabalho de Sérgio a crítica social, como ele fez em "Quanto Vale ou é Por Quilo?", estabelecendo uma analogia entre o comércio de escravos com a exploração do trabalhador nos dias de hoje, criticando também ONG's que apresentam boas intenções apenas de fachada. Em "Os Inquilinos", a família de Válter, mesmo vivendo com medo da violência e tentando de todas as formas fugir dela, a deixa entrar constantemente dentro do âmbito familiar, através de programas sensacionalistas ou nas conversas na hora da refeição. Para restabelecer a paz, Válter tenta a todo momento se firmar como o protetor, o macho alfa, mas sabe que sozinho pouco, ou nada, poderá fazer. Estão no elenco também Leona Cavalli, Anna Carbatti, Umberto Magnani, Caio Blat, Aílton Graça e Cássia Kiss. Por fim, o filme consegue passar a sua mensagem, de forma coesa e expõe os medos sociais que todos nós temos, abrindo brecha para uma longa conversa, ou no mínimo, alguns momentos de reflexão.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Resenha de Livro: "Leite Derramado" é Livro Para Quem Aprecia Uma Leitura Desafiadora.

Há quem diga que todas as histórias já foram contadas. Se for verdade, resta-nos então admirar as novas maneiras como são escritas e apresentadas a nós, e foi justamente esse o grande trunfo que Chico Buarque teve nas mãos ao escrever o maravilhoso "Leite Derramado". Contado em primeira pessoa, vemos um senhor com idade avançada, que passa seus dias numa cama de hospital rememorando as principais lembranças de sua vida enquanto ela própria se esvai aos poucos. É o anúncio da morte que se aproxima, mas sem previsão de chegada. Isso afeta a todos: enfermeiras, parentes, doentes e até mesmo o vento. Talvez ele conte sua história para que ela permaneça na lembrança de cada um. No ato de contar suas memórias e os grandes feitos da sua linhagem, nos transformamos no protagonista Eulálio e vivenciamos suas recordações de uma forma cruel, assustadora, mas ainda mágica: como ele, enfrentamos as dúvidas de uma mente que já dá sinal de cansaço, sentimos o corpo fatigado, a morte que já não tarda, mesmo que pareça tão turva e distante. Revivemos os sentimentos, as mágoas e todas as frustrações de Eulálio, que também podem ser nossas. Chico Buarque, através de seu protagonista, nos mostra como a vida é efêmera e como a morte é austera. E o autor ainda consegue, de forma inteligente e sem exageros, contar a trajetória da história brasileira e fluminense, como a Primeira República e a Ditadura Militar. "Leite Derramado" é para corajosos, que não tem medo de enfrentar a vida, a morte e uma literatura de qualidade. O site da Companhia das Letras, que publica o livro, afirma que "Leite Derramado é obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem". Concordo.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

Esfinge Cultural Apresenta Rafael Tavares, Seu Novo Colaborador.

A fim de incrementar ainda mais o nosso trabalho, o Blog Esfinge Cultural conta com um novo colaborador. Trata-se de Rafael Tavares, produtor Audiovisual formado em Mídias Digitais, TV e Cinema pela UFJF, apaixonado por cinema, músicas, livros e arte. Conhecendo o intelecto e o bom gosto desse rapaz, podemos esperar muitas novidades e coisas boas vindo por aí. Seja bem vindo Rafael.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tulipa Ruiz Anuncia Segundo Disco.

Sucessor do aclamado álbum "Efêmera", que foi lançado em 2010, "Tudo Tanto" é o nome do segundo álbum de Tulipa Ruiz, cantora conhecida e elogiada na cena indie brasileira, mas que já vem ganhando certa notoriedade. O disco foi produzido por Gustavo Ruiz e deve ser lançado já no início do segundo semestre de 2012, de forma independente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Resenha de Disco: Rosa Passos Homenageia Elizeth Cardoso em Grande Estilo.

Rosa Passos sempre foi conhecida pelo seu canto preciso, correto e por fina escolha de repertório, que é pontuada desde o início da sua carreira. Também é conhecida e respeitada nos Estados Unidos e inúmeros países desde que, em 1996, foi convidada para participar de uma noite dedicada à música brasileira no Jazz at the Bowl, na Califórnia. O disco "Me and My Heart" foi primeiramente lançado no mercado americano em 2002 e somente anos depois chegou ao Brasil. Tendo a incrível Elis Regina como inspiração, pode-se dizer que a carreira de Rosa Passos é marcada por inúmeros acertos. O último deles atende pelo nome de "É Luxo Só", belíssimo disco, distribuído pela Biscoito Fino, em que a cantora faz uma homenagem a Elizeth Cardoso, garimpando músicas que geralmente não são associadas a ela para compor o repertório. As músicas escolhidas se tornaram mais famosas nas vozes de outras pessoas do que na da própria Elizeth. São abordados temas como "Último Desejo" e "Três Apitos", composições de Noel Rosa, bem como o clássico "As Rosas Não Falam" do mestre Cartola. É também do sambista a música "Acontece", na qual Rosa regravou com maestria. Outro grande destaque do álbum é "Diz Que Fui Por Aí", música de Zé Keti e Hortencio Rocha. A canção que dá nome ao disco, composição de Ary Barroso e Luiz Peixoto, beira a perfeição. O álbum foi aclamado pelo crítica especializada e concorre ao 23° Prêmio da Música Brasileira 2012, nas categorias Melhor Álbum de MPB e Melhor Cantora de MPB. Assim como o seu trabalho, Rosa é luxo só.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Resenha de Disco: Último Trabalho de Jussara Silveira Foi, Infelizmente, Esquecido Pela Mídia.

Dona de um dos melhores discos de 2011, Jussara Silveira, assim como o seu último trabalho, foram esquecidos pela mídia. "Ame ou Se Mande" é o grande álbum de estúdio inspirado no show que a cantora realiza desde fevereiro de 2011. Embora o disco beire a perfeição, pouco se ouviu ou se falou dele, salvo alguns críticos de ouvidos apurados que o aclamaram da maneira que ele merecia. Lançado pela gravadora Jóia Moderna, "Ame ou Se Mande" é disco simples, que ressalta a voz clara e elegante de Jussara através de regravações escolhidas a dedo. Juntamente com os músicos Sacha Amback e Macelo Costa, Jussara deu vida a um repertório coeso, poético e deliciosamente sensível. Prova disso é que finalmente "Marcianita", famosa canção presente em seus shows, ganhou registro de estúdio. "A Voz do Coração" é a belíssima música de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos que abre o disco, seguida por "Ifá", de Cézar Mendes e Capinan, uma canção de oração e fé com referências baianas. Estão presentes no disco também "Dê Um Rolê" de Moraes Moreira e Luiz Galvão e "Tenho Dó das Estrelas" de Zé Miguel Wisnik. Destaque absoluto do disco, "Contato Imediato" do trio Tribalista (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown), ficou perfeita na voz de Jussara, de uma forma suave e tocante. Perfeito seria se cada brasileiro percebesse a beleza de "Ame ou Se Mande" e do incrível talento dessa cantora pouco conhecida. Ninguém poderá calar a voz do coração de Jussara Silveira. E os bons ouvidos agradecem.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Prêmio da Música Brasileira Divulga os Indicados a sua 23º Edição.

Foram divulgados na última segunda-feira, dia 24 de maio, os indicados ao 23° Prêmio da Música Brasileira 2012. O Pernambucano Herbert Lucena foi o campeão de indicações pelo disco “Não me peçam jamais que eu dê de graça aquilo que eu tenho pra vender”, concorrendo como melhor disco e cantor regional, revelação e projeto gráfico. Criolo, Beth Carvalho, Dori Caymmi, Cauby Peixoto e Dominguinhos vem logo em seguida com 3 indicações cada. "5 a Seco" concorre a melhor grupo na categoria MPB, "Casuarina", com "Trilhos Terra Firme" concorre como melhor grupo na categoria Samba. Rosa Passos, pelo seu grande trabalho "É Luxo Só" na qual homenageia Elizeth Cardoso, concorre nas categorias Melhor Álbum de MPB e Melhor Cantora de MPB. O disco Poesia Musicada de Dori Caymmi concorre nas categorias Arranjador, Melhor Álbum de MPB, Melhor Cantor. Graveola e o Lixo Polifônico concorre como melhor grupo de Pop/Rock/Reggae/HipHop/Funk. O Grande homenageado da premiação será o cantor João Bosco. A premiação será realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 13 de junho. Eis algumas das categorias e seus indicados:

CATEGORIA: ARRANJADOR
Dori Caymmi - álbum ‘Urubupeba’, de Antonio Carlos Bigonha
Gilson Peranzzetta - álbum ‘Iluminado’, de Dominguinhos
Mario Adnet - álbum ‘+ Jobim Jazz’, de Mario Adnet

CATEGORIA:  MELHOR CANÇÃO
‘Arrasta a Sandália’. Compositores: Dayse do Banjo e Luana Carvalho. Intérpretes: Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, em ‘Nosso Samba Tá Na Rua’
‘Sinhá’. Compositores: João Bosco e Chico Buarque. Intérpretes: Chico Buarque e João Bosco, em ‘Chico’
‘Zoeira’. Compositores: Moacyr Luz e  Hermínio Bello de Carvalho. Intérprete: Áurea Martins, em ‘Depontacabeça’

CATEGORIA: PROJETO VISUAL
Dalua e Mestre Maurão - álbum ‘O Samba de Roda de Dalua e Mestre Maurão’. Projeto: Gringo Cardia
Herbert Lucena - álbum ‘Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender’. Projeto: Evandro Borel
João Parahyba -  álbum ‘O Samba no Balanço do Jazz’. Projeto: Bijari

CATEGORIA: REVELAÇÃO
Criolo
Filipe Catto
Herbert Lucena

CATEGORIA: MPB

Melhor Álbum
‘Chico’, de Chico Buarque. Produtor: Luiz Claudio Ramos
‘É Luxo Só’, de Rosa Passos. Produtores: Renata Borges e Luiz Felipe Caetano
‘Poesia Musicada’, de Dori Caymmi. Produtor: Dori Caymmi

Melhor Grupo
5 a seco / ‘Ao vivo no Auditório Ibirapuera’
Passo Torto / ‘Passo Torto’
Quarteto Primo / ‘Dorival’

Melhor Cantor
Cauby Peixoto / ‘A Voz do Violão’
Dori Caymmi / ‘Poesia Musicada'
Filipe Catto / ‘Fôlego’

Melhor Cantora
Áurea Martins / ‘Depontacabeça’
Mônica Salmaso / ‘Alma Lírica Brasileira’
Rosa Passos / 'É Luxo Só'

CATEGORIA: POP/ROCK/REGGAE/HIPHOP/FUNK

Melhor Álbum
‘Nó na Orelha’, de Criolo. Produtores: Marcelo Cabral e Daniel Ganjaman
‘Tempo de Menino’, de Pedro Luis. Produtores: Rodrigo Campello e Jr. Tostoi
‘Todo Dia é o Fim do Mundo’, de Lula Queiroga. Produtores: Lula Queiroga e Yuri Queiroga

Melhor Grupo
Agridoce / ‘Agridoce’
Graveola e o Lixo Polifônico / ‘Eu Preciso de Um Liquidificador’
Mundo Livre S/A / ‘Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa’

Melhor Cantor
Caetano Veloso / ‘Zii e Zie ao Vivo’
Criolo / ‘Nó na Orelha’
Seu Jorge / ‘Músicas para Churrasco Vol.1’

Melhor Cantora
Gal Costa / ‘Recanto’
Marisa Monte / 'O que Você quer Saber de Verdade'
Zélia Duncan / ‘Pelo Sabor do Gesto – Em Cena’

CATEGORIA: SAMBA

Melhor Álbum
'Em Boas e Mais Companhias' , de Ivor Lancelotti. Produtor: Família Lancelotti
‘Fabiana Cozza’, de Fabiana Cozza. Produtor: Paulão 7 cordas
‘Nosso Samba Tá Na Rua’, de Beth Carvalho. Produtor: Rildo Hora

Melhor Grupo
Casuarina / 'Trilhos - Terra Firme'
Fundo de Quintal / 'Nossa Verdade'
Sururu na Roda / 'Se você me ouvisse - 100 Anos de Nelson Cavaquinho'

Melhor Cantor
Arlindo Cruz /  ‘Batuques e Romances’
Douglas Germano / ‘Orí’
Leandro Lehart / 'Ensaio de Escola de Samba'

Melhor Cantora
Aline Calixto / ‘Flor Morena’
Fabiana Cozza / ‘Fabiana Cozza’
Beth Carvalho / 'Nosso Samba Tá Na Rua'

domingo, 13 de maio de 2012

Resenha de Disco: Filipe Catto Esbanja Sensibilidade em Álbum Inspirado.

Cantor gaúcho, Filipe Catto despontou em 2009 com o EP "Saga", disponibilizado de forma legal para download no site do artista. O referido disco já anunciava o poder passional existente em suas músicas. Muito comparado a Ney Matogrosso pela voz um tanto quanto afeminada e pela interpretação performática, Filipe Catto vai além do que mera cópia do líder dos Secos e Molhados. Seu primeiro e já aclamado disco "Fôlego", lançado pela Universal Music, é marcado por repertório próprio com algumas regravações que ganharam novas formas para serem encaixadas no estilo característico do cantor. "Adoração", música inédita composta por ele, abre o álbum, seguida por "Gardênia Branca", também de autoria própria, com  ares de tango, ritmo que pode ser encontrado em outras faixas, como "Saga", que tal qual "Crime Passional" e "Roupa do Corpo", foi reaproveitada do primeiro EP. "Ave de Prata", música de Zé Ramalho é um grande destaque, resultando em uma obra-prima na voz do artista. "Garçom", canção popularizada na voz de Reginaldo Rossi também foi regravada de forma inspirada. O disco é difícil de se classificar, visto que Filipe Catto mescla ritmos diversos, que vão desde o samba de "Juro por Deus" ao clima de cabaré presente em "Johnny, Jack and Jameson" e em "Dia Perfeito", música da banda gaúcha "Cachorro Grande". Já na primeira audição percebemos que Filipe Catto é artista que esbanja sensibilidade e seu fantástico e inspirado disco de estreia já é capaz de colocá-lo no hall dos grandes novos cantores brasileiros.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Resenha de Disco: Curumin Continua Sua Experimentação Regional em Novo Disco.

O músico Curumin, ou Luciano Nakata, anuncia: meu novo disco tem pressão. Sucessor de Achados e Perdidos (2005) e o aclamado Japan Pop Show (2008), "Arrocha" continua seguindo as influências regionais que o cantor gosta tanto de inserir em seus trabalhos, embora se distancie um pouco das experimentações instrumentais e do balanço que foi característico de seus últimos discos. Curumin conseguiu incluir deliciosas batidas eletrônicas nesse novo álbum, mesmo fazendo uma homenagem ao vinil, no melhor estilo rústico. O disco foi inteiramente gravado em um estúdio particular do cantor e conta com tiragem de 500 mil exemplares em vinil distribuído pela Urban Records. "Arrocha" é um disco curto, composto por grande número de vinhetas e faixas relativamente breves, mas muito interessantes. O artista faz um passeio por passagens do cotidiano, com crônicas do dia a dia, dando espaço até para momentos românticos, deixando um pouco de lado sua veia crítica, que tanto influenciou o último trabalho. Assim como o que a cantora e sua amiga Céu fez em "Caravana Sereia Bloom", Curumin pegou ritmos que já estavam desgastados, deu uma nova roupagem aos mesmos e garantiu mais uma novidade criativa para a música brasileira. "Arrocha" é o disco mais pesado do cantor, segundo o que ele próprio propaga e podemos perceber no groove frenético de "Afoxoque", no reggae suingado de "Vestido de Prata" e no afrobeat presente em "Selvage", grandes destaques do disco. Ao fim de atentas audições, nota-se que Curumin nos presenteia com um álbum solto, diversificado, com qualidades distintas, caracterizado como mais um grande lançamento desse excepcional artista.