quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tim Maia Completaria 70 Anos e Ainda é Considerado o Maior Soul Man Brasileiro.

O maior "soul man" brasileiro, Sebastião Rodrigues Maia, Tim Maia, ou simplesmente "o síndico", estaria completando 70 anos no próximo dia 28 e, responsável por introduzir o Soul no Brasil, continua sendo celebrado e cultuado, seja através de regravações, homenagens, compilações de seus maiores sucessos e principalmente em festas e shows de diversas bandas, onde todos cantam juntos suas principais canções. Compositor, cantor, instrumentista, produtor e empresário, o sucesso e a versatilidade marcou a carreira de Tim Maia, bem como algumas polêmicas. Autenticidade poderia ser o adjetivo que mais se encaixaria ao se falar de sua personalidade. O cantor não tinha papas na língua e falava o que vinha à cabeça. Começou sua carreira nos anos 50 e de lá até o final dos anos 90, quando ocorreu sua morte (devido a problemas respiratórios, obesidade e diabetes) o sucesso sempre esteve a ele ligado. Com dezenas de discos gravados, é impossível esquecer de pérolas como "O Descobridor dos Sete Mares", "Do Leme ao Pontal", "Eu Amo Você", "Sossego", "Primavera", "Não Quero Dinheiro", entre tantas outras, tocadas até hoje à exaustão. Tim Maia tinha um grande histórico de problemas com gravadoras, o que fez com que fundasse a sua própria, primeiramente Seroma e depois Vitória Régia. Seu álbum "Tim Maia", lançado em 1986 é considerado até hoje como um dos principais lançamentos da década de 80. Chegando a gravar um disco por ano, seu repertório passeava por funk, soul, músicas românticas e até pela Bossa Nova. Ao total foram 32 discos em 28 anos de carreira, que lhe garantiram também sucesso internacional. Mesmo após sua morte, Tim Maia continua ostentando o título de maior soul man brasileiro, sendo sinônimo de irreverência, sucesso e talento.

Coluna escrita por André Ciribeli.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Resenha de Filme: "Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos" Faz Poesia Com Imagens de Arquivo ao Contar a História do Século XX.

Infelizmente, documentários são filmes pouco difundidos comercialmente e com público bastante restrito. Muitos os consideram chatos, como uma reportagem cansativa e interminável. Em alguns casos é verdade, mas na grande maioria deles, os documentaristas nos apresentam uma verdadeira obra-prima inspirada pela realidade, matéria-prima desse cinema de público seleto. "Nós que aqui estamos por vós esperamos" (1999), do diretor Marcelo Masagão, entra nessa lista de documentários marcantes que fogem da regra de simplesmente retratar a realidade, ele sabe que essa função é do jornalismo, ao cinema documental cabe interpretar e poetizar essa realidade. E é isso que ele faz, poesia. "Nós que aqui estamos por vós esperamos" é um paralelo cinematográfico do livro "Era dos Extremos", do historiador Eric Hobsbawn, que narra a história do século XX, o período de maior transformação da Humanidade. Utilizando imagens de arquivo que foram produzidas durante todo o século, em diferentes partes do mundo, o documentário cria histórias, personagens e situações que, mesmo não sendo reais, poderiam ter sido. O que importa é que o universo micro que ele cria, serve de metáfora para falar do macro, narrando o contexto social, cultural e humano do século que mudou o mundo em velocidade máxima. A maneira como Masagão conecta essas imagens de arquivo (que não possuem nenhum vínculo entre elas) com as histórias que cria, transforma o documentário em uma poesia visual requintada, que expressa sentimento, anseios e verdades que também são nossas, afinal somos todos filhos e filhas do século XX. Documentários como "Nós que aqui estamos por vós esperamos", precisam ser vistos não por narrar fatos que dizem respeito a todos nós, mas por trazer à tona os sentimentos, anseios e medos que nos movem. Eles precisam ser vistos porque ao falarem dos outros, dizem muito sobre nós. Fazendo poesia com o passado, Masagão nos impele a sonhar o futuro.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sai Hoje o Indicado Brasileiro à Categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar.

Hoje, dia 20, o Brasil anunciará qual filme será o representante do nosso cinema no Oscar 2013. Grandes filmes concorrem pela indicação. Confira a lista logo abaixo e torça para seu favorito. Lembrando que, após a escolha pela comissão nacional, o filme ainda passará pelo crivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas Americanas, que selecionará cinco candidatos, entre todos os inscritos.




À Beira do Caminho
Billi Pig
Capitães da Areia
Colegas
Corações Sujos
2 Coelhos
Heleno
Elvis & Madona
Histórias Que Só Existem Quando Lembradas
Luz Nas Trevas
Menos Que Nada
Meu País
O Carteiro
O Palhaço
Paraísos Artificiais
Xingu


Por Rafael Tavares.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ludimila Marinho Se Despede do Blog e Deixará Saudade.

Queridos amigos e seguidores, gostaria de agradecer pelas visualizações, pelo carinho e pelas críticas que são sempre muito bem vindas. Agradecer também ao meu amigo André pelo convite para participar dessa equipe tão linda que é o Esfinge. Por estar trabalhando em um projeto pessoal e profissional, deixo hoje a minha cadeira aqui no blog. Minha fonte de inspiração está canalizada para um novo projeto de trocas de saberes e experiências pessoais voltadas para ações sociais, ambientais e culturais. Quem sabe um dia eu volto para compartilha-las com vocês? Mas, infelizmente estou precisando mais ler as colunas do Esfinge do que escrevê-las. Preciso me abrir para o que é novo, conhecer coisas inéditas e me apaixonar por elas. Enquanto isso, serei seguidora assídua, baterei minha carteirinha aqui em busca de dicas preciosíssimas sobre cultura, que são sempre expostas de maneira tão deliciosa e real pelos meus amigos. Obrigada e um forte abraço. Até qualquer dia. Ludimila Marinho. Deixo aqui uma mensagem que muito tem a nos ensinar.

O Sábio

“Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.
Seja humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo".

Lao Tsé.

Resenha de Disco: "Havoc and Bright Lights", o Mais do Mesmo de Alanis Que Vale a Pena.

A maternidade fez bem para Alanis Morissette. Seu primeiro disco após o nascimento de seu rebento é um bom exemplar daquele pop rock que ela sabe fazer tão bem. Se o anterior, "Flavors of Entanglement", era um tanto sombrio devido ao fim de seu relacionamento com o ator Ryan Reynolds, "Havoc and Bright Lights" é bem mais solar, e isso já deixa claro até no nome do álbum. A cantora canadense tem um grupo de fãs que esperam dela um novo "Jagged Little Pill", seu disco de maior sucesso e que a lançou para o mundo. Se você é um desses, já digo, não foi dessa vez. Ainda bem. Quem conhece bem a sua carreira sabe que ela é influenciada muito pelo que acontece em sua vida e que a garota de cabelo grande (e aparentemente sujo) ficou lá na década de 90. Depois disso ela foi para a Índia, casou, descasou, casou novamente e teve um filho. E é isso que a influenciou agora. Se for para comparar com um de seus discos anteriores, "Havoc and Bright Lights" tem um quê de "Under Rug Swept" (2002), com seu pop rock pouco sisudo e bastante despretensioso. "Lens", a sexta faixa do disco, é uma daquelas canções para se cantar junto, com a marca registrada do estilo musical de Alanis. Outros destaques são "Empathy", "Win and Win", "Havoc" e "Receive". Alguns dirão que "Havoc and Bright Lights" é mais do mesmo. E é. Mas, é um mais do mesmo que vale a pena. Longe da pretensão de fazer um disco que revolucionasse a própria carreira, Alanis sempre deixa claro que canta (e conta) aquilo que tem vontade.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Moda e a Música em Uma Perfeita Combinação Artística.

A música é baseada em vários tipos de influências, isso porque a arte nunca se encontra sozinha e a junção de vários tipos de criações em uma só sempre rende bons frutos. A moda, vista como uma forma de arte, também se encaixa nesse conceito. Para a confecção de uma peça é necessário preparo, execução, criatividade na criação e profissionais especializados, visando sempre a aceitação do mercado, o mesmo que acontece quando um artista resolve lançar um disco. Porém, traçando um paralelo entre essas duas formas de se fazer arte, percebemos que elas podem estar intimamente interligadas. Ícones da cultura pop sempre influenciaram criações dos mais diversos estilistas, bem como o visual de astros da música, vez ou outra vira febre entre os fashionistas e relacionamentos amorosos entre roqueiros e modelos sempre causaram burburinhos na mídia. Grandes parcerias entre músicos e estilistas marcaram o mundo da moda, como a banda Sex Pistols e a estilista Vivienne Westwood, que criou o visual punk. Marc Jacobs, em 2011 criou uma coleção inteira baseada em Donna Summer, usando cores vibrantes, volumes e franjas. A Belmain buscou influência em Michael Jackson para a criação de suas jaquetas recheadas de brilhos e tachas. Mais recentemente, Florence Welch, da banda "Florence and the Machine" virou queridinha da grife Givenchy, graças à sua perfeita combinação entre o moderno e o clássico, no melhor estilo retrô e já participou de um desfile da Chanel. Elvis Presley, Beatles, astros da Jovem Guarda e David Bowie são exemplos de como artistas da música podem ditar moda e ser influência para muita gente na hora de se vestir, tanto antigamente quanto nos dias atuais. A mídia desempenha um importante papel nessa junção. A novela "Dancin' Days" no Brasil levou todo mundo para as discotecas usando meias de lúrex, salto alto, calça boca de sino e camisa de poliéster. Com isso, a música e a moda, bem como outras combinações artísticas, buscam influências diversas para suas criações, e essa parcerias são sempre bem vindas. A criatividade está em alta.

Coluna assinada por André Ciribeli.

domingo, 9 de setembro de 2012

Resenha de Disco: A Mistura Fina de Caê Rolfsen e Seu Disco Estação Sé.

Muitos discos são lançados anualmente mundo afora, milhares deles são bons e valem o gasto ou, talvez, o download. Mesmo assim, poucos podem ser considerados obras-primas, aqueles que chegam até nós (ou chegamos até eles) por acaso, sem muitas pretensões e que depois da primeira audição se tornam inesquecíveis, como amor à primeira vista. Pare e pense, quantos discos fizeram você parar tudo para ouvi-lo (e senti-lo) atentamente? "Estação Sé", o álbum de estreia do paulistano Caê Rolfsen, é dessas delícias musicais que valem o download e o tempo perdido (que hoje é artigo raro) para degusta-lo. Sim, esse enxuto disco de nove canções pede para ser ouvido, e não simplesmente escutado. Mais do que ouvidos, pede o coração aberto. Quem tiver o prazer de chegar até ele encontrará nove obras-primas que resultam em uma mistura fina entre os sons mais clássicos da MPB com letras revelando a realidade desse Brasil urbano e moderno. Destacar algumas músicas desse pequeno repertório de nove é quase impossível, mas, tentando, ouça "Que Nem a Gente", com uma letra inspirada que mostra como nem todo mundo é igual, mas todo mundo é igual em ser diferente. Um dos melhores lançamentos do ano no Brasil, "Estação Sé" está disponível para download no site de Caê Rolfsen gratuitamente. Para os amantes de música de qualidade, vale a pena dedicar um tempo para essa obra-prima.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Resenha de Disco: Mallu Magalhães Prova Sua Maturidade Em Álbum Elegante e Simples.

A menina de nome grande, Maria Luiza de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, mais conhecida como Mallu Magalhães, amadureceu muito desde a sua estreia até o seu belo último disco, "Pitanga". Aclamada como uma revelação da música brasileira, principalmente pela sua precocidade e espontaneidade, vista como uma menina prodígio, ficou ainda mais famosa ao assumir um romance com Marcelo Camelo, do grupo "Los Hermanos". Suas músicas, que passeiam pelo folk americano, samba tropicalista e MPB fizeram relativo sucesso desde o seu disco homônimo de estreia. Por sua pouca idade, houve quem torcesse o nariz para Mallu, que não caiu totalmente no gosto popular. Porém, a menina cresceu e em "Pitanga" consegue dar provas de seu talento, amadurecimento e capacidade musical. Mallu, mais que cantar e compôr, participa do disco como instrumentista, tocando bateria e guitarra, ao lado de músicos como Kassin e Marcelo Camelo, que produz o disco, mas garante o toque e a personalidade da cantora em todas as faixas do mesmo. Composto por músicas tanto em português como em inglês, "Pitanga" tem "Velha e Louca" como primeiro e acertado single. Bela música onde Mallu se afirma como mulher, bem como no clipe, onde ela aparece linda e sensual, em estilo retrô, que de uma forma inocente, jamais poderia soar vulgar. "Sambinha Bom" e "Olha Só, Moreno" também são outros destaques do álbum. Mallu Magalhães ainda tem um longo caminho a trilhar, mas dá provas de sua maturidade em disco competente, simples e elegante.

Resenha escrita por André Ciribeli.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Obras Renomadas do Impressionismo em Solo Verde e Amarelo.

Uma excelente oportunidade para quem se interessa por arte, ou até mesmo para os curiosos de plantão é a exposição "Impressionismo: Paris e Modernidade" que estará em cartaz até o dia 07 de Outubro no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Para os mais entusiasmados é bom se prepararem para a enorme fila formada no local, pois o sucesso da exposição está garantindo um grande número de visitantes dia após dia. Especialmente para a realização dessa exposição, foram cedidas 85 obras-primas impressionistas do Museu d'Orsay de Paris. Dentre elas as obras “Le Fifre” (“O tocador de pífano”) de Manet, “Madame Darras” de Renoir, ""Le bassin aux nymphéas, harmonie verte” (“O lago das ninfas, harmonia verde”) de Monet e "O Salão de Dança em Arles" de Van Gogh. A exposição está dividida em seis módulos que retratam a vida urbana e rural parisiense na virada do século XIX. O Movimento Impressionista, que teve seu início em 1874, na França, não foi bem aceito em sua primeira exposição, recebendo inúmeras críticas pejorativas, sendo uma delas a que nomeou o movimento. Segundo o crítico Louis Leroy, diante da obra “Impression du Soleil Levant”, de Claude Monet, o trabalho era impressionista, ou seja, propunha apenas uma primeira impressão. Com o passar dos anos, o Impressionismo ganhou forças e, em 1878, surgiram olhares e opiniões mais agradáveis sobre o trabalho desses artistas que, assim como Monet, também faziam parte do movimento, onde podemos citar Monet, Renoir, Degas, Van Gogh, Morisot, Cézanne, Camile Pissaro (esposa de Monet), entre outros.

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Resenha de Filme: Camila Pitanga Brilha Sendo Dona Absoluta de Filme.

Tem filmes que são concebidos com a função única de fazer suas estrelas brilharem absolutas, unânimes. O que não é ruim, mas para que isso aconteça, primeiro é preciso uma estrela de tamanho e talento que aguente o peso dessa responsabilidade. Além disso, o roteiro e a direção precisam oferecer um personagem denso, para que ela brilhe e mostre o que sabe fazer de melhor. É essa equação que existe em "Eu receberia as piores notícias de seus lindo lábios", filme baseado no livro homônimo de Maçal Aquino e dirigido por Beto Brant e Renato Ciasca. Aqui, todos os elementos do filme estão a disposição de sua estrela, o centro desse "sistema solar" que é Camila Pitanga. E a atriz cumpre à risca o seu papel, roubando a cena com uma interpretação assustadora (no bom sentido), se entregando à personagem Lavínia como poucas outras atrizes se entregariam para personagens bem menos densos. Camila é dona do filme e sem seu talento duvido que o resultado final seria tão bom. Ambientado na Amazônia, "Eu receberia as piores notícias de seus lindo lábios" conta a história de um triângulo amoroso entre o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado) e a conturbada Lavínia, que vai até ao Norte do Brasil acompanhando seu marido (Zecarlos Machado), pastor que inaugura uma nova igreja em território amazonense. A direção soube aproveitar bem o universo clichê e também moderno da região. Estão lá os rios, os ritmos, o suposto isolamento da região e seus maiores problemas, como o desmatamento. De moderno, a existência das religiões neopentencostais, realidade tão presente nas nossas vidas, mas pouco retratada no nosso cinema. A Amazônia de "Eu receberia as piores notícias de seus lindo lábios" é uma Amazônia distante, quase mítica, sem leis e onde reina um abandono, como um deserto inabitável. A única pessoa que reina nesse lugar inóspito, ainda que de forma tortuosa e calejada, é a Lavínia de Camila Pitanga, a razão de ser desse filme.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Resenha de Disco: Música e Sentimento Se Unem no Cotidiano Amoroso de Nina Becker e Marcelo Callado.

Ao constatarem o grande número de canções que já fizeram juntos, o casal Nina Becker e Marcelo Callado resolveram registrar essas músicas, dando origem ao disco "Gambito Budapeste", gravado na residência do dois. Recheado de momentos particulares, o álbum transborda a beleza do relacionamento a dois, onde divide-se o prazer de se fazer o que gosta. Nina Becker é considerada uma das cantoras mais influentes da sua geração. Começando a sua carreira na Orquestra Imperial, foi em 2010 que teve amplo reconhecimento da crítica com o lançamento simultâneo de dois álbuns, "Azul" (marcado por delicadeza e suavidade) e "Vermelho" (marcado pela emoção e intensidade). Já Marcelo Callado é baterista da "Do Amor", banda que acompanha sua esposa e "Banda Cê", que acompanha o cantor Caetano Veloso. "Gambito Budapeste" pode ser encarado como um celebração ao amor do casal, onde todas as suas músicas foram compostas pelos dois, juntos ou separadamente, com exceção do grande destaque do disco, "Armei a Rede", de Assis Valente e Arsênio Ottoni, baião encantador, de pegada interiorana, que encaixou perfeitamente com o delicado trabalho dos artistas. O disco apresenta sons e barulhos improvisados, incorporados a canções que passeiam por sonoridades distintas. Nina e Marcelo cantam em duo algumas faixas e se revezam em outras, permitindo que o álbum jamais soe monótono. "Marco Zero", "De Cor, Coração", "Tucanos" e "Saudade Vem" são exemplos de deliciosas músicas presentes no disco. Alegrias, tristezas, experiências e intimidade fizerem o coitidiano amoroso de Nina Becker e Marcelo Callado dar origem a um belíssimo trabalho.

Resenha escrita por André Ciribeli.

domingo, 26 de agosto de 2012

Resenha de Disco: Norah Jones Lança Disco Novo e Mostra Que Ela Nunca Erra.

Há exatos dez anos, Norah Jones lançava seu primeiro disco, "Come Away With Me", que foi recebido com grande entusiasmo pelo mundo da música. Passada uma década, a cantora nova-iorquina acaba de lançar mais um álbum, bem distante da sonoridade de seu debut e bem mais próximo do pop. Mesmo longe do que a consagrou, Norah mostra mais uma vez que ainda que mude, ela não erra na mão. Danger Mouse, produtor do disco, intitulado "Little Broken Hearts", leva Norah por um caminho de experimentações não visto em outros discos, apesar da sua aproximação gradativa do pop "classudo" ter começado já no seu segundo trabalho de estúdio. Nessas circunstâncias, o senso comum nos diria que o resultado seria distante da essência de Norah, mas não, ela continua lá, sua voz suave e melancólica também. É impressionante como Norah Jones consegue dizer muito, parecendo fazer tão pouco. O disco não conta com canções grandiloquentes, sacadas geniais e nem é um divisor de águas da música americana, é simplesmente um disco com músicas cumprindo sua função primordial, de encantar nossos ouvidos e nos colocar para cantar junto. "Happy Pills", de letra petulante, mostra que toda essa timidez de Norah pode dar lugar a uma postura mais explosiva. Em "Miriam", a cantora interpreta uma vingativa mulher traída (assista ao clipe lançado recentemente). Outros destaques são "Travellin’ On", "Out on The Road" e "She’s 22", que dá vontade de deixar tocando no repeat o dia todo. Para felicidade dos fãs brasileiros, além de lançar um disco maravilhoso, no final do ano Norah Jones vem ao Brasil para mostrar todos os seus acertos dessa década. Que dezembro não demore para chegar.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Grandiosa Herança Deixada Por Nelson Rodrigues no Cenário Cultural Brasileiro.

No dia 23 de agosto, comemora-se o centenário de um gênio da escrita. Jornalista e autor de grandes obras, tanto polêmicas quanto aclamadas, Nelson Rodrigues estará em festa no andar de cima. O Pernambucano que veio quando criança com sua mãe e irmãos para o Rio de Janeiro ao reencontro do pai, iniciou sua carreira ainda menino, mais precisamente com 13 anos de idade, escrevendo para o jornal "A Manhã", que era de propriedade de seu pai. Tendo o futebol e a literatura como suas grandes paixões, foi convivendo no cenário carioca que Nelson adquiriu vasta experiência no campo do jornalismo policial, onde buscou inspiração para escrever suas obras, que abordavam os problemas sociais, com ênfase nas tensões vividas no dia a dia, e principalmente a vida a dois. Ele retratava o amor de uma forma única, que envolvia tanto o psicológico dos seus personagens quanto o passado e as influências externas que caiam sobre o relacionamento, passando pelo sexo, desejo e infidelidade, gerando obras que mesmo polêmicas, poderiam se tornar verdadeiros objetos de estudo do comportamento humano. No jornal "O Globo", ele dedicou parte do seu tempo para trabalhar em peças teatrais, sendo "A Mulher Sem Pecado" a sua primeira. O sucesso veio com "Vestido de Noiva", que narra a história de Alaíde, que após se atropelada, passa por confusões mentais entre realidade e alucinações que envolvem ela, seu marido e a irmã. Assim como outros trabalhos de Nelson, "Vestido de Noiva" virou filme com a direção de Joffre Rodrigues, tendo Marília Pêra, Simone Spoladore e Letícia Sabatella no elenco. Entre as obras do dramaturgo, pode-se citar "Álbum de Família", "Viúva, Porém Honesta", "Anjo Negro", "Dorotéia", entre outras. Foi no jornal "A Última Hora" que ele publicava as crônicas intituladas "A Vida Como Ela é", grande sucesso de sua carreira, que deu origem a vários episódios que foram exibidos pela Rede Globo. Torcedor fanático do Fluminense, ele participou da bancada esportiva também da Rede Globo. Em 1967 passou a publicar "Memórias" no "Correio da Manhã". Com a saúde debilitada, o genial dramaturgo, escritor e cronista vem a falecer por complicações respiratórias aos 68 anos em uma manhã de domingo, mas nos deixou a herança grandiosa de todo o seu trabalho imortalizado no cenário cultural. 

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Resenha de Livro: A Delicadeza de "O Tempo Entre Costuras" e a Força da Literatura Espanhola.

Embora a Espanha hoje esteja afogando-se em uma das maiores crises econômicas de sua história, sua literatura desponta com uma das mais fortes e inventivas dessa primeira década do século XXI, com a consagração internacional de grandes autores e livros nas listas mundiais de mais vendidos. Maria Dueñas é uma dessas autoras espanholas que encantam pela força e sutiliza de sua prosa. Seu primeiro livro, "O Tempo Entre Costuras" vendeu aproximadamente 550 mil exemplares no Brasil segundo o Blog "Colheirada Cultural" e é um bom exemplo de como o livro pode agradar a maioria, sem deixar a qualidade literária de lado. Nascida em 1964, Maria Dueñas é doutora em Filosofia Inglesa e professora titular da Universidade de Múrcia, lecionando também em universidades norte-americanas. Quando lançou "O Tempo Entre Costuras", em 2009, foi comparada a Carlos Ruiz Zafón - autor de "A Sombra do Vento" e um dos autores espanhóis mais lidos atualmente - "por sua prosa hipnotizadora e a forma cheia de imaginação e delicadeza com que combina fatos e personagens reais com ficcionais". Ambientando na Espanha e no Proletariado Espanhol em Marrocos no período entre guerras, o livro conta a história de Sira Quiroga, um jovem costureira que, por causa de um amor arrebatador, se vê obrigada a envolver-se com figuras importantíssimas da Guerra Civil Espanhola e também da Segunda Guerra Mundial, numa trama rica em intrigas, investigações, suspense e, também, romance. Costurando fatos reais com ficcionais, Maria Dueñas consegue falar sobre tempos difíceis para a Europa através de uma prosa sutil e delicada, prosa que consegue, ainda, expressar na cadência das frases, nas pausas e na escolha de palavras, o estado de espírito de sua protagonista-narradora. Em quase quinhentas páginas, "O Tempo Entre Costuras" nos oferece uma leitura densa e ao mesmo tempo fácil e prazerosa.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Resenha de Filme: Contestador, "Jogos Vorazes" é Ficção Que Não Foge Totalmente da Realidade.

Ultimamente, bem sucedidos filmes focados no público adolescente têm invadido as telonas do mundo inteiro e virado verdadeira febre mundial. A série Harry Potter e a saga Crepúsculo, adaptados de livros populares entre os jovens,  que ganharam o cinema, são exemplos disso. Porém, a trilogia adaptada dos livros de Suzanne Collins, não pode nunca ser comparada aos filmes citados. "Jogos Vorazes" (Hunger Games), é um filme contestador e que trata seu público alvo com uma inteligência difícil de ser encontrada em filmes do gênero. Com a direção competente de Gary Ross (três vezes indicado ao Oscar como roteirista), o filme é uma ficção não tão longe da realidade. A América, renomeada de Panem é composta por 12 distritos, que depois de uma tentativa de revolução, como punição, a Capital passou a cobrar de cada um dos distritos dois jovens, um homem e uma mulher com idade de 12 a 18 anos, para, em uma arena, lutar até a morte, sendo que ao final só poderá restar um sobrevivente, tudo monitorado e divulgado pela mídia e acompanhado fervorosamente pela população, que torce e sofre junto com os seus preferidos, como uma espécie de reality show. Katniss, (Jennifer Lawrence, de Inverno da Alma, em excelente atuação), do distrito 12, se torna voluntária para participar dos jogos, evitando a ida da sua irmã mais nova. Peeta (Josh Hutcherson), jovem com quem mais tarde vive um "duvidoso" romance, é o escolhido para atuar nos jogos ao lado dela. O filme hora alguma apela para a violência, embora o contexto assim permitiria, mas é bem focado em uma crítica bastante contundente, abordando temas como autoritarismo e principalmente o culto às celebridades. Enquanto Katniss sofre ao ter que matar, ela sabe que se não o fizer, irá morrer, claramente uma associação à forma como o governo consegue controlar a população. O filme conta ainda com competente atuações de Stanley Tucci, Wes Bentley, Willow Shields, Liam Hemsworth, Woody Harrelson e Toby Jones. Embora seja um obra de ficção, não foge completamente da realidade. Se no filme as pessoas matam para sobreviver, no reality show mais famoso do Brasil elas mentem, manipulam, criam intrigas e quando brigam, a audiência é alavancada, tudo em prol de dinheiro e sucesso, bem menos significativo que a vida, e para conseguir os almejados milhões, passam por provas de resistências que testam todos os limites dos participantes. Não posso afirmar com certeza que esse tipo de programa, no futuro, não se assemelhará bastante com os jogos do filme. "Jogos Vorazes" é, enfim, filme contestador, inteligente e que, embora ficcional, não se afasta tanto do que é propagado pela mídia atualmente.

Resenha escrita por André Ciribeli.

domingo, 12 de agosto de 2012

O Som de Marcelo Jeneci é Mesmo Pra Sonhar.

Um músico completo e versátil, assim pode-se definir Marcelo Jeneci, o paulista que vem conquistando os palcos brasileiros na companhia de grandes instrumentistas e de Laura Laviere, dona de uma voz doce e ao mesmo tempo marcante, com quem divide os vocais em músicas de sua autoria. Seu trabalho, sempre muito elogiado pela crítica, vem se destacando cada vez mais no cenário independente desde o lançamento, em 2010, do seu primeiro disco, "Feito Pra Acabar". Jeneci é um excelente compositor e instrumentista. Suas músicas já foram gravadas por Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, Chico César e Zélia Duncan. As músicas "Amado", gravada por Vanessa da Mata e "Felicidade", gravada pelo próprio Marcelo, já fizeram parte da trilha sonora de novelas. Ao ouvir "Dar-te-ei" e "Café com Leite de Rosas", pode-se notar um quê de Jovem Guarda, misturado com arranjos criativos. E como ficar parado ao som de "Show de Estrelas"? Seu disco é um trabalho extremamente multifacetado. No último dia 24 de Julho, Marcelo lançou oficialmente o clipe da música "Pra Sonhar" e sim, o clipe é mesmo pra sonhar, pra se derreter feito manteiga, para adoçar nossas almas desacreditadas de um final feliz, pra perceber que há amor, que há brilho nos olhos e a cumplicidade ainda existe. O clipe é composto por cenas cedidas por diversos casais do Brasil em um momento muito importante, quando as metades da laranja se juntam num sim, o casamento. O clipe é democrático, sem preconceito e deliciosamente charmoso. Gente comum, gente que ama, gente que vive e que com certeza admira o trabalho desse grande talento da música brasileira.

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Resenha de Disco: Em Novo Álbum, Tom Zé Estuda a Tropicália com Elegância e Criatividade.

Tom Zé, aos 75 anos é, eu diria, um dos artistas brasileiros mais criativos de todos os tempos. Sua maneira única de "estudar" ritmos e propôr novas formas de enxergá-los é uma prova da sua genialidade. Com mais de 30 discos lançados, o artista que já tem mais de 50 anos de carreira, depois de estudar a bossa e o samba, lança agora "Tropicália Lixo Lógico". Tom Zé foge do óbvio e vai além do Tropicalismo. Criativo, ele faz uma mistura de ritmos que passeia por samba enredo, marchinhas, rap, bossa e reinventa a Tropicália a seu modo. O artista também acrescenta toques da denominada "Nova MPB" ao disco, contando com participações de  Mallu Magalhães, na deliciosa faixa "Tropicalea Jacta Est", Emicida, que abre e fecha o disco, nas faixas "Apocalipsom A: O Fim no Palco do Começo" e "Apocalipsom B: O Começo no Palco do Fim", Pélico e Rodrigo Amarante. Tom Zé recorre ainda a citações, referências literárias e a frases latinas para rechear o disco. Músicas como "Amarração do Amor", "A Terra, Meus Filhos" e "Não Tenha Ódio no Verão" servem de exemplos para mostrar a inteligência artística presente no álbum, que pode ser comprado no site do cantor, no formato de CD e Vinil e já vem autografado. Em "Tropicália Lixo Lógico", Tom Zé mostra maturidade, autenticidade e criatividade, que já são suas marcas registradas, com uma musicalidade que torna obrigatória a audição da mais nova obra-prima desse grande artista.

Resenha escrita por André Ciribeli.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Resenha de Disco: Bárbara Eugênia e Seu Conturbado Cotidiano Sentimental.

O Brasil vive um grande momento musical. São inúmeros artistas que despontam na aclamada cena independente, mesclando vários estilos e mostrando um talento que infelizmente é deixando de lado pela mídia, não alcançando o grande público. Porém, para o deleite dos ouvidos ávidos por boa música, o Brasil tem qualidade musical para mostrar. Esses artistas são, na sua maioria, jovens buscando seu lugar ao sol, no tão competitivo meio artístico. Uma cantora que pode ser inserida dentro desse contexto é Bárbara Eugênia. Carioca, já chegou a morar nos Estados Unidos, mas foi em São Paulo, em 2005, que grandes oportunidades surgiram em sua carreira. Seu primeiro disco, lançado em 2010 e intitulado "Journal de Bad" faz um apanhado de uma vida sentimental um tanto quanto conturbada. É possível encontrar melancolia, amores desfeitos e sentimentos confusos, tudo bem casado com a voz rouca da cantora. Embora possa ser caracterizado como um disco de MPB, o Rock sessentista é encontrado, com maior ou menor intensidade, em grande parte do álbum. "A Chave" é música que abre muito bem o disco e é grande destaque, narrando a impotência perante um relacionamento fadado ao fracasso. Bárbara Eugênia se torna irônica em "É, rapaz" e conta com a participação de Tom Zé em "Dor e Dor". Por se manter na linha sentimental, o disco soa coeso, porém, sem se tornar atrativo para quem sofre de dor de cotovelo. Bárbara já é destaque nacional ao abrir seu coração para mostrar seu conturbado cotidiano sentimental.

Resenha escrita por André Ciribeli.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mil Tons Para Comemorar.

Na estrada de fazer o sonho acontecer, ele cantou com maestria e tocou as nossas almas, e esse é um ano de comemorações na vida desse gênio da MPB. Mais que homenageá-lo devemos agradecê-lo. Agradecer a Milton Nascimento, por tantas vezes com a sua voz única e envolvente, como o aconchego de um café da tarde mineiro, embalar os nossos bailes da vida, por ser a dose mais forte e lenta de emoção, de paz e amor, por nos ensinar a guardar nossos bons e velhos amigos no lado esquerdo do peito e por nos encorajar a andar por esse mundo loucos, doidos e soltos, com sede de amar. Pois, venha o que vier, ele sempre será o nosso querido Bituca, o menino nascido no Rio de Janeiro e criado em Três Pontas no Estado de Minas Gerais, um dos melhores compositores brasileiros que encoraja e apoia novos artistas a darem seus primeiros passos, sendo referência cultural e artística nacional. E nos trilhos de sua história de sucesso, a humildade e o amor pela música renderam-lhe discos premiados ao longo de sua carreira. Compositor de grandes canções como "Travessia" que, em 67 ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, abrindo portas para a gravação do seu primeiro disco. Mais tarde, em 72, já em Belo Horizonte com Lô Borges, lança o disco duplo "Clube da Esquina" e em 78 o segundo volume do álbum contou com participação de Elis Regina e Chico Buarque. Em 98, o disco "Nascimento" recebe o Grammy de "Melhor Álbum de World Music", em 2000, Milton recebe o Grammy Latino de "Melhor Disco Pop Contemporâneo Brasileiro" pelo disco "Crooner" e em 2004 mais um Grammy Latino, só que desse vez na categoria "Melhor Canção", com a música "Tristesse". O que nos resta é dizer: Parabéns pelos seus 70 anos de vida, 50 anos de carreira, 45 anos de "Travessia", e 40 anos do Clube da Esquina. Nós brasileiros é que estamos ganhando os presentes dessas comemorações. O primeiro deles é a turnê "50 Anos de Carreira" que passará por São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro, e ainda a "Abril Coleções" colocou no mercado um box com 20 discos que reúne mais de 250 músicas de sua carreira. Muito bom saber que teremos mais de Milton para adoçar nossos dias. Orgulhamo-nos da sua obra, da sua melodia e da sua essência. Querido Bituca, é assim que te queremos, soltando a voz nas estradas e a gente sonhando, sonhando...

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

domingo, 29 de julho de 2012

Resenha de Disco: Quinteto Violado Homenageia Dois Gênios da Música Brasileira em Belo Disco.

Quando um grupo como o Quinteto Violado resolve homenagear dois dos maiores artistas brasileiros, fazendo uma releitura de suas canções, podemos esperar coisa boa. No caso, essa homenagem se chama "Quinteto Violado Canta Adoniran Barbosa e Jackson do Pandeiro". O Quinteto Violado é um grupo pernambucano formado no início dos anos 70, caracterizado por buscar inspiração nas sonoridades nordestinas e no folclore brasileiro. Dessa forma, conseguiram incorporar sua identidade sonora em algumas das obras do "Poeta do Bixiga" e de Jackson do Pandeiro, cujas músicas já faziam parte do repertório do grupo desde o início da carreira. Da obra de João Rubinato, ou Adoniran Barbosa, pode-se encontrar no álbum "As Mariposas", "Prova de Carinho", "Apaga o Fogo Mané" e a clássica "Trem das Onze". Já "O Canto da Ema", "A Mulher do Aníbal" e "Cabo Tenório" se destacam entre os sucessos regravados de Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho, também conhecido por "Rei do Ritmo". O grupo levou o prêmio de "Melhor Grupo Regional" em 2011 no Prêmio da Música Brasileira pelo álbum e recebeu excelentes críticas pela mídia especializada. Unir esses dois artistas em um mesmo disco é muito pertinente, já que suas músicas passeiam pelo cotidiano, pela vida de personagens incomuns, usando humor e irreverência para narrar histórias cheias de significados. Com esse trabalho, o Quinteto Violado consegue não só homenagear dois gênios da música brasileira, como transparece toda sua capacidade cultural ao mostrar que não se acomodou com o tempo e ao fugir dos modismos da indústria musical, conseguem manter sua bela personalidade.

Resenha escrita por André Ciribeli.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vida, Dor e Amor em Cores de Frida Kahlo.

Auto-retratos, cores, natureza, amor e dor é o que encontramos nas ricas obras de Frida Kahlo, mulher de personalidade, em que vida e obra são facilmente confundidas. Considerada por muitos a pintora do século XX, Frida Kahlo, mexicana nascida em Coyoacán próximo à Cidade do México, em 06 de Julho de 1907, teve sua vida marcada por problemas de saúde e sofrimentos amorosos. Lapidou desde cedo seu dom artístico com o auxílio do professor Fernando Fernandez, mas afirmava que não pretendia encarar a arte como carreira. Após um acidente de bonde, Frida se feriu gravemente, passando por diversas operações e por muito tempo convalesceu em seu leito, onde foram adaptados um espelho e um cavalete, para que ela pudesse pintar, com as tintas do pai, expressivas obras (auto-retratos em sua maioria, como a obra ao lado "Auto Retrato Dedicado ao Dr. Eloesser"), cheias de cores e muitas vezes fazendo referências naquele momento, como por exemplo o quadro "A Coluna Partida", em que se pinta com seu colete cervical. Em seu diário, Frida explicava o sentido de cada cor que usava, sendo importante sabê-las para entender os sentimentos que ela dispunha para pintar suas telas. Havia quem dissesse que ela era pintora surrealista, mas a mesma chegou a afirmar que não, que só pintava a realidade. A pessoa que mais marcou sua vida foi sem dúvida, o também pintor Diego Rivera, com quem se casou em 1929. O relacionamento foi muito conturbado, marcado por traições, tentativas de suicídio e abortos (devido a fragilidade da saúde de Frida). Mas, Diego era o amor de sua vida. A paixão por Rivera foi inspiração para a criação das obras "Diego e Eu" e "Diego em Meu Pensamento". Frida foi mais que uma artista, foi uma mulher expressiva, de personalidade forte, politicamente engajada (pertencia ao Partido Comunista) e se orgulhava imensamente de seu país, transpondo as riquezas culturais mexicanas em suas obras. Em Julho de 1954, Frida vem a falecer. Quatro anos mais tarde, a Casa Azul, lugar onde morou, tornou-se o Museu Frida Kahlo, onde suas telas estão expostas. Se existe alguém que viveu intensamente mesmo diante dos percalços da vida, esse alguém é Frida Kahlo. "Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor". Frida Kahlo.

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um Ano Sem Amy Winehouse.

Na semana em que se completa um ano da morte de Amy Winehouse, a celebração na mídia de sua curta carreira faz reacender a sua importância para a música. Em minha opinião, mais importante é entender o que ela foi pra mim, seu fã declarado. Ouvindo novamente o primeiro verso de "Love is a Losing Game", é impossível não encarar a como um epitáfio de sua própria vida: sim, Amy foi uma chama, que acendeu e apagou rapidamente, mas cuja intensidade deixou marcas profundas em todos, nos que gostavam e nos que não. Mas, o que ela tinha de diferente? Amy era uma drogada? Sim. Amy era instável? Sim, ainda bem. Em um mundo onde reina o falso puritanismo, a música e toda a arte se rendem a artistas planejados em cada detalhe para o sucesso, como se saíssem de uma mesma fábrica, feitos em série. Nessas circunstâncias, Amy foi um sopro de autencidade, uma chama de verdade no mercado fonográfico. Seus demônios e seus amores estavam ali, todos expostos em suas letras e apresentações ao vivo. Ninguém se doou tanto quanto Amy e, aqueles como eu, que tiveram a oportunidade de vê-la e ouvi-la, sabem que outra como ela será difícil de encontrar. O que Amy tinha de diferente era a honestidade, que aliada a uma voz incrível e um talento sem precedentes, a transformaram na lenda que ela é hoje. Amy foi rápida demais, intensa demais e, para nós, simples mortais, nos resta celebrar a música de quem ofereceu tanto de si, de forma sincera, apaixonada e inesquecível. Muito obrigado, Amy Winehouse.

Texto de Rafael Tavares.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Simone e Zélia Duncan Unem Repertórios em Show e Mostram a Beleza de Fazer o Que se Gosta.

Na música internacional isso é de praxe, os famosos "featurings" são quase uma obrigação em todas as gravações do mercado fonográfico norte-americano. No Brasil, essas participações especiais são bem mais orgânicas, já que o cenário musical nacional sempre foi pautado por parcerias que deram e continuam dando certo. Talvez seja essa característica de arte colaborativa que deu ao show "Amigo é Casa", de 2008, de Simone e Zélia Duncan, o clima de celebração no estilo da apresentação das duas. É certo que a combinação rendeu um espetáculo de uma beleza sem tamanho, que deixou visível a alegria delas em estarem ali, dividindo o palco e suas canções. Simone e Zélia fazem um show para elas mesmas, um espetáculo vivo, honesto e apaixonado. E quem ganha somos nós. Comentar a biografia de Zélia Dunca e, principalmente, de Simone, é indispensável, pois ambas deixaram marcadas na música brasileira suas passagens com hits em diferentes gerações, a Cigarra então (como Simone é carinhosamente chamada), pode ser considerada uma lenda viva (e ativa) da MPB. Já comentar o repertório do show, que une grandes músicas de suas carreiras paralelas, é tarefa árdua. Grandes canções de autoria delas e também de outros nomes da música nacional, como Caetano Veloso e Gonzaguinha, ganham interpretações emocionantes. Em uma tentativa (inútil) de citar um destaque do show (ele é destaque por inteiro), ouça (e veja) a suave e encantadora interpretação de "Idade do Céu", versão de Paulinho Moska para uma música de Jorge Drexler, e também "Não Vá Ainda", do repertório de Duncan. Se na música internacional as parcerias na maioria das vezes soam como tática para vender mais, aqui no Brasil os encontros como o de Zélia e Simone vão pela contramão, mostrando que a parceria (e a amizade) é verdadeira e apaixonada.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Resenha de Filme: "Persepolis" Leva, de Forma Inteligente e Emocionante, a Biografia de Marjane Satrapi Para as Telonas.

Baseado nas publicações em quadrinhos lançadas em 2002 pela iraniana Marjane Satrapi, "Persepolis" é a autobiografia da mesma que ganhou as telonas em forma de animação em 2007, dirigido por Satrapi e pelo cartunista Vincent Paronnaud. O filme foi sucesso absoluto de crítica, ganhando o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e sendo o representante oficial da França no Oscar, embora tenha concorrido apenas na categoria de Melhor Animação. O filme narra a vida de Marjane (voz de Chiara Mastroianni), filha de intelectuais que vive na pele as transformações sociais do Irã a partir de 1978 até os anos 90. O início do filme trata da população exigindo a renúncia do ditador Xá Reza Pahlavi, o que de fato aconteceu. Porém, dá-se início à época dos aiatolás, tendo Ruhollah Khomeini como o principal comandante e assim, a liberdade individual de cada um inevitavelmente fica comprometida. O que se usa, o que se ouve e aonde se vai, tudo passa a ser controlado. Aborda-se também o conflito com o Iraque, as proibições impostas à mulher e o incentivo da entrada do homem para o exército em troca do Paraíso. Marjane, no meio dessas situações, se impõe e em momento algum se mostra passiva aos acontecimentos. Sua educação foi aberta, onde desde criança já tomava conhecimento da situação política de seu país e incentivada a não se deixar rebaixar, mas ser sempre correta em suas atitudes, custe o que custar. O filme também conta os anos em que Marjane passou na Áustria, onde segundo seus pais estaria mais segura, mas ela percebe que seu país de origem estará arraigado nela aonde quer que seja. Não é preciso entender a fundo a política no Oriente Médio para gostar de "Persepolis", pois o filme consegue explicar bem o contexto da época, de forma coesa e nunca enfadonha. "Persepolis" é um grande filme, uma animação voltada mais para o público adulto, que possibilita uma reflexão social sobre costumes, ideais políticos e valores morais, enquanto emociona e diverte.

Resenha escrita por André Ciribeli.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Resenha de Disco: Cris Braun Apresenta Seu Pop Genuinamente Brasileiro no Disco Fábula.

Há quem ache que fazer música pop atualmente no Brasil é, de alguma forma, copiar ou se aproximar o máximo possível do pop americano. Ainda bem que alguns artistas da nova geração não tomam isso como regra e criam pérolas musicais que são populares ao mesmo tempo que se aproximam de ritmos regionais, que são a cara do nosso país. Prova disso? Ouça os trabalhos de Céu, Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Mallu Magalhães...a lista é praticamente infinita. Para engrossar ainda mais esse delicioso caldo, Cris Braun e seu álbum "Fábula", de 2011, recentemente disponibilizado pelo site Musicoteca, trazem o que há de melhor na nossa música pop, sem deixar de lado a riqueza sonora do nosso país. Compostas por grandes nomes nacionais, como Wado, Lucas Santtana, Marina Lima e Alvin L, todas as canções possuem talento tanto para as rádios e novelas como para ouvidos mais exigentes. A capacidade de agradar gregos e troianos mostra a capacidade e segurança de Cris Braun para flertar com os diferentes ritmos, destaque para "Deve Ser Assim", cantada de forma passional por Cris. Apesar de não ser um nome muito divulgado na mídia tradicional, a cantora (que nasceu no Rio Grande do Sul e atualmente vive em Maceió) sempre fez parte do primeiro time do cancioneiro nacional: já teve música em novela, fez parte da geração do rock nacional dos anos 80 e 90 (na banda Sex Beatles) e ganhou em 1998 o prêmio de revelação da JB FM. "Fábula" é um grande disco, uma doce mistura entre o pop e a MPB, parada obrigatória para quem gosta da genuína música POPular brasileira. 

Resenha escrita por Rafael Tavares.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um Pedaço do Céu com Notas de Arte, Sabores e Surpresas. Eu Vos Apresento: Inhotim.

Gosta de viajar, comer bem? Se encantar pela natureza e pelas belezas criadas por Deus e pelo Homem, se surpreendendo a cada passo? Gosta de respirar ar puro? Agora imagina tudo isso em um mesmo lugar com direito a um Jardim Botânico com o maior número de espécies de plantas vivas entre os jardins botânicos do Brasil (são mais de 4200 espécies), um acervo de arte contemporânea que reúne cerca de 500 obras de mais de 100 artistas de diferentes países, além de restaurantes, bares, pizzarias e cafés que oferecem em seus espaços sofisticados e acolhedores os mais diferentes e inigualáveis sabores. Sim, esse lugar existe e não poderia ficar em outro lugar a não ser no belíssimo Estado de Minas Gerais, na cidade de Brumadinho, a 50 km da capital Belo Horizonte. Sejam todos bem vindos a Inhotim. Idealizado pelo empresário Bernardo Paz na década de 80, o espaço que era privado na época, foi se transformando ao longo dos anos até que em 2002 se tornou o Instituto Cultural Inhotim. Além de receber um incremento em seu acervo botânico (destaque para os geniais pitácos de Burle Marx que contribuíram para o projeto paisagístico inicial, em 84) foram construídas edificações que hoje abrigam instalações artísticas como "Desvio Para o Vermelho" e "Através" de Cildo Meireles, "True Rouge" do pernambucano Tunga, "La Intimidad de La Luz en St. Ives" do argentino Victor Grippo e "Máquina do Mundo" de Laura Vinci. Espalhadas pelos belíssimos jardins do Instituto nos surpreendemos com obras de Edgard de Souza, Yayoi Kusama, Simon Starling, Jarbas Lopes e de outros grandes artistas. Destaco aqui a instalação permanente de Hélio Oticica, "Penetrável Mágic Square #5", cartão postal de Inhotim. E para quem gosta de experimentar novas sensações não pode deixar de visitar a obra de Olafur Eliassom, "By Means of a Sudden Intuitive Realization", uma combinação de elementos que despertam a curiosidade e instabilidade visual, causados pela luz estroboscópica e pelo jato d'água que estão abrigados em um iglu branco feito de fibras de vidro. Natureza, arte contemporânea e gastronomia. É ou não um pedaço do céu?

Coluna assinada por Ludimila Marinho.

Conheça a Mais Nova Integrante da Equipe Esfinge Cultural: Ludimila Marinho.

Buscando cada vez mais incrementar o nosso Blog, eis que surge mais uma integrante: Ludimila Marinho. Formada em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa e Pós - Graduada em Moda, Cultura de Moda e Artes pela Universidade Federal de Juiz de Fora, essa mineira de 24 anos, amante das formas inteligentes de se fazer arte, integra nossa equipe com a proposta de trazer o melhor da arte como entretenimento, com uma linguagem informal mas, dinâmica, divertida e cultural, conferindo um ar feminino ao nosso trabalho. Seja bem vinda ;)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Resenha de Filme: "Inquietos" Mostra Que Um Filme Adolescente Pode Ser Maduro e Inteligente.

É notável a falta de qualidade e maturidade dos filmes atuais feitos sobre (e para) adolescentes: High School Musical é o maior exemplo de como o público jovem tem sido cada vez mais infantilizado pelo cinema. Ou pior: como cada vez mais crianças são transformadas em adolescentes fora da hora, mas isso é assunto para outra resenha. O que quero dizer é que Hollywood mostrou, em sua maioria, improdutiva para filmes jovens que fossem maduros e inteligentes. A sorte é que Gus Van Sant, um dos maiores cineastas da cena independente americana, carrega - firme e forte - o duro fardo de ser um dos poucos (quiçá o único) nos Estados Unidos que consegue articular, em um mesmo filme, maturidade e inteligência em histórias adolescentes. Para quem conhece pouco, Gus é o diretor de dois clássicos do cinema jovem: "Paranoid Park" e "Elefante", além de ser a mente por trás do aclamadíssimo "Milk". Em "Inquietos", o cineasta mostra mais uma vez que há vida inteligente na adolescência, ao contar a história de um casal jovem sem imbecilizá-los. No filme, Henry Hooper interpreta Enoch Bae, um jovem que perdeu a fé na vida ao ficar órfão e passa a viver isolado, com seu amigo fantasma Hiroshi, um piloto kamikaze da Segunda Guerra, tendo como hábito invadir funerais de desconhecidos. Em um desses funerais, ele conhece Annabel (Mia Wasikowska, também em "Alice no País das Maravilhas" de Tim Burton), vítima de um câncer em estágio terminal. Daí surge uma amizade que logo se transforma em namoro, e Gus Van Sant poderia facilmente transformar essa história em um dramalhão (aliás, qualquer diretor menos experiente e menos talentoso o faria), mas pelo contrário, apresenta um resultado coeso e que não peca pelo excesso (e nem pela falta) de drama. É melhor que "Elefante", seu clássico? Não, mas dá dignidade a personagens adolescentes que, em outros filmes, sofrem pela falta de inteligência, maturidade e pelo vazio de suas histórias.

Resenha escrita por Rafael Tavares.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Gilberto Gil Lançará Disco com Sucessos do Rei do Baião.

Será lançado em 11 de Julho, "Gilberto Gil Canta Luiz Gonzaga", disco produzido por Marcelo Fróes em que Gil homenageia a grande obra do "Rei do Baião". O álbum será editado pela Warner Music e contará com 14 músicas, basicamente as mais famosas de Luiz Gonzaga, como "Vem Morena", "Qui Nem Jiló", "O Xote das Meninas" e "Asa Branca".

domingo, 1 de julho de 2012

Resenha de Disco: Michael Kiwanuka Prova Mais Uma Vez o Talento do Reino Unido Para a Soul Music.

O Reino Unido recentemente tem sido o celeiro de grandes nomes da soul music: Joss Stone, Amy Winehouse, Duffy, Adele e Emeli Sandé são alguns dos talentos que atravessaram as fronteiras da ilha e conquistaram o mundo com a música tipicamente norte americana. Em janeiro desse ano, Michael Kiwanuka entrou na famosa lista da BBC Sound of 2012 como uma das promessas musicais do ano. Já em março, o jovem do norte de Londres, que tocou com Adele em 2011 na turnê da cantora, lançou seu primeiro disco, "Home Again", que para muitos já é considerada uma obra - prima do gênero. Explico: se algum desavisado ouvir o álbum sem saber ao certo quem é o artista, sem dúvida alguma pensará que se trata da remasterização de um álbum perdido da década de 60. A voz de Kiwanuka, os instrumentos, o clima do disco e a naturalidade dessa mistura são tão fiéis à soul music seiscentista a ponto do artista parecer ter vindo diretamente do passado para o presente. Nesse "retorno", o cantor nos apresenta um álbum que em alguns momentos pode fazer lembrar Bob Dylan, mas a grande influência de Michael é o legado de Ottis Redding, astro da soul music americana conhecido por suas interpretações passionais que partiu cedo demais, vítima de um acidente de avião em 1967, no começo do seu sucesso. Enquanto os atuais nomes de sucesso que carregam esse estilo em suas músicas, apresentam características dos grandes clássicos, mas dialogam claramente com o som contemporâneo, Michael Kiwanuka não segue o mesmo caminho e o seu "Home Again", com pérolas como "Tell me a Tale" (música que abre o disco em grande estilo) e "Any Day Will do Fine", parecem terem sido gravadas na década de 60, quando pesos pesados da soul music ainda estavam entre nós. Excelente pedida para os amantes, ou não, do estilo.

Resenha escrita por Rafael Tavares.